Tony Iommi, aos 78 anos, lançou o álbum solo “From The Dark” e diz que seguir criando é o que o mantém de pé
Tony Iommi lança o álbum solo From The Dark aos 78 anos e explica como a criação musical o ajudou durante o tratamento contra o câncer.
Tony Iommi lançou na sexta-feira, 23 de outubro, o álbum solo From The Dark, pela BMG, e a razão para ter demorado mais de duas décadas para voltar a um disco com o próprio nome é bem prosaica: dessa vez ninguém lhe cobrou prazo. A explicação veio numa entrevista a Krishnan Guru-Murthy, apresentador do podcast Ways to Change the World, do Channel 4 News, e foi reproduzida pelo site Blabbermouth.
Segundo o guitarrista do Black Sabbath, nos discos da banda o ritmo sempre foi ditado por agenda: seis semanas de ensaio para compor, estúdio reservado e depois uns 18 meses de turnê. Em From The Dark o esquema foi outro. Ele combinava sessões com o engenheiro Mike Exeter, parceiro de longa data que também assina a coprodução, em dois dias por semana, mais ou menos, e cancelava quando um dos dois tinha outro compromisso. Iommi contou que isso incluía as consultas de acompanhamento do câncer, e que o processo, no fim das contas, foi tranquilo.
Sobre continuar trabalhando aos 78, ele respondeu com humor que vive se perguntando quando vai “dar o prego”, mas que gosta de criar e que isso o mantém ativo. Lembrou também que, durante o tratamento na época do álbum 13, de 2013, com produção de Rick Rubin, voltou a Los Angeles várias vezes só para não largar as gravações, e que se concentrar na música ajudou a tirar a cabeça da doença.
Quem toca no disco e como foi gravado
O vocalista Jorn Lande participa de todas as faixas e divide os créditos de composição de todas elas, com letras e melodias vocais por conta dele. Completam a formação a baixista Becky Baldwin e o baterista Karl Brazil. Como Jorn mora na Suécia e o restante do pessoal está em Birmingham, a rotina era Iommi e Exeter fecharem a base instrumental e só depois chamarem o cantor para ouvir e criar em cima. Iommi disse preferir esse modelo, porque o vocalista pronuncia melhor palavras que ele mesmo escreveu.
A faixa World Alone, primeiro single, saiu em 29 de julho. Stormwatcher veio em setembro e Over The Violent Sun na semana passada. Nas letras, o assunto é o que aparece no noticiário: guerras e ameaça nuclear. Iommi fez questão de ligar isso a War Pigs, que nos anos 1970 nasceu do clima da Guerra do Vietnã, e disse que o tema segue atual.
Brian May numa música sobre vampiro
A participação que mais chama atenção é a de Brian May, do Queen, em Death Wake. Iommi chama May de seu amigo mais querido e contou que simplesmente pediu para ele subir com a guitarra e gravar na faixa. A música, segundo o próprio guitarrista, fala de um vampiro.
Formatos e crítica
O álbum chega em várias edições de luxo. A versão em vinil duplo, rodada a 45 rpm, sai em quatro cores, vendidas por varejistas diferentes, num encarte gatefold de papel preto com a cruz da assinatura de Iommi vazada na capa. Há ainda um CD exclusivo da Amazon com a mesma capa vazada e uma edição com livreto de 32 páginas e duas faixas bônus. A própria Blabbermouth deu nota 9 de 10 ao disco na resenha.
O contexto recente de Iommi também ajuda a entender o momento: em junho de 2026 ele recebeu a MBE, honraria britânica, e no ano passado fechou o Black Sabbath no show Back To The Beginning, em Birmingham, poucas semanas antes da morte de Ozzy Osbourne.
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