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GPT-6 Astra decifra mensagem nazista de 1941 escrita em uma máquina Enigma que ficou intacta por 85 anos

GPT-6 Astra decifra uma mensagem nazista de 1941 codificada pela máquina Enigma após 85 anos, usando técnicas próprias de criptoanálise.

Junior Candido
GPT-6 Astra decifra mensagem nazista de 1941 escrita em uma máquina Enigma que ficou intacta por 85 anos

Uma mensagem alemã enviada pelo Wehrmacht, o exército alemão nazista em plena Segunda Guerra Mundial acaba de ser decifrada depois de oito décadas e meia guardando seu segredo. Quem resolveu o enigma, literalmente, já que o código veio de uma máquina Enigma, foi o GPT-6 Astra, o modelo de IA da OpenAI, e levou apenas dois dias para dar conta de um trabalho que pesquisadores humanos levariam semanas ou até meses para concluir.

O caso, conforme trazido pelo Tom’s Hardware, foi relatado pelo site Crypto Cellar, referência em criptoanálise de comunicações da Segunda Guerra, e tem um detalhe que chama ainda mais atenção do que o tempo de resolução: ninguém pediu para a Astra decifrar especificamente aquela mensagem. O modelo apenas recebeu a tarefa genérica de tentar quebrar algum dos códigos Enigma ainda não resolvidos publicados no site da Crypto Cellar Research, e escolheu por conta própria qual seria o alvo.

A mensagem que ninguém tinha conseguido ler desde 2005

O texto cifrado é conhecido como MVUEH e foi transmitido em 10 de julho de 1941, em pleno auge do poder militar nazista. O texto foi enviado por um destacamento ou oficial do Exército Alemão (Heer), assinado no texto original como Waschbusch. Ele liderava tropas em deslocamento terrestre e estava fisicamente estacionado na pequena cidade de Rosenow.

A estação de rádio de campanha do setor de suprimentos e logística (Quartiermeister Ib) da Divisão SS-Totenkopf foi quem recebeu a mensagem. O conteúdo foi registrado por eles às 17h30 do dia 10 de julho de 1941 como a entrada número 172. A comunicação ocorreu do Exército regular alemão para o comando de logística da divisão SS, com o remetente solicitando urgentemente que o destinatário informasse qual rota de marcha (Marschweg) eles deveriam seguir a partir dali.

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A mensagem já circulava entre entusiastas de criptografia desde 2005, disponibilizada justamente para quem quisesse tentar a sorte em decifrá-la. Só que, apesar de quase duas décadas de tentativas, ela continuou impenetrável, até a Astra entrar em cena.

O texto cifrado, com 82 letras, era este aqui:

ICRVSORMCCWQTATYEVFXDBZGGSNXWLPSYWZYTCBSWULRTBZCVGODVJUSLSOOMJQJZSXSEBZPEYMDNXJYTC

E depois de decifrado, com os espaços reconstituídos, o conteúdo ficou assim:

BTTE UM ANGABE DES MARSQWEGES X BEFINDE MIQ IN X ROSENOW ROSENOW X SOFORT FUNKANTWORT X WASCHBBSCH

Em português, a mensagem ficou assim:

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Por favor, especifique a rota de marcha. Estou em Rosenow, Rosenow. Resposta imediata por rádio. Waschbusch.

Ela pede, basicamente, para informar a rota da marcha, avisa que a unidade está na cidade alemã de Rosenow (repetido duas vezes, provavelmente para reforçar a localização) e pede resposta imediata pelo rádio. Vale registrar que o próprio operador alemão cometeu um erro de digitação no início da mensagem original, o que só dificultou ainda mais qualquer tentativa de decodificação ao longo dos anos.

Como a Astra chegou lá sozinha

O processo de escolha do alvo já diz muito sobre a autonomia do modelo. Entre as mensagens Enigma ainda não resolvidas disponíveis no acervo da Crypto Cellar, a Astra selecionou a Nr. 172 (MVUEH) por desconfiar que ela tinha relação com o texto simples de outra mensagem já decifrada, a Nr. 173 (SIPVX).

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A partir daí, o modelo apostou que o nome de local “ROSENOW ROSENOW“, repetido, poderia ser um trecho provável do texto original, uma técnica clássica de criptoanálise, em que se tenta prever palavras ou padrões que provavelmente aparecem na mensagem para acelerar a quebra do código. Só que, em vez de usar ferramentas prontas, a Astra desenvolveu do zero, em Python e C++, um simulador de Enigma e uma réplica funcional da Bombe, a máquina eletromecânica que os britânicos usaram na Segunda Guerra para acelerar a quebra de códigos Enigma. A aposta se confirmou, e o modelo chegou à mensagem completa em dois dias.

Quem quiser conferir o processo de decodificação passo a passo pode acessar a demonstração publicada no site do estudo de caso MVUEHA Cryptanalysis, que reproduz a decriptação da mensagem de rádio.

Os pesquisadores da Crypto Cellar ainda estão analisando os registros de atividade da IA para entender exatamente qual caminho ela seguiu e por que conseguiu ser tão mais rápida que um humano especializado no assunto.

Por que a Enigma era tão difícil de quebrar

Para quem não é familiarizado com o funcionamento da máquina, a Enigma tinha um teclado de 26 letras e um painel com lâmpadas correspondentes a cada letra. Ao apertar uma tecla, o sinal elétrico passava por uma roda de entrada, depois por três rotores giratórios (escolhidos entre um conjunto de cinco disponíveis, cada um com 26 pinos), atravessava um refletor e voltava, acendendo uma letra diferente no painel de lâmpadas.

O detalhe que tornava tudo mais complicado é que os rotores avançavam a cada tecla pressionada. Ou seja, apertar a mesma letra várias vezes seguidas gerava resultados diferentes a cada vez. Some a isso um quadro de conectores na frente da máquina, onde o operador trocava pares de letras usando até 10 cabos, e você tem um sistema de criptografia com um número absurdo de combinações possíveis.

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Antes de usar a máquina, o operador precisava configurar quatro parâmetros: a ordem dos rotores, o ajuste dos anéis, a posição inicial dos rotores e as conexões do quadro de conectores. Essas configurações eram distribuídas separadamente e mudavam de acordo com um calendário fixo, então mesmo quem tivesse uma máquina Enigma em mãos (como as encontradas por britânicos na Noruega, em 1940), precisaria saber exatamente qual era a configuração do dia para conseguir ler qualquer mensagem.

Não é a primeira vez que a Astra encara um código histórico

Esse feito não é inédito. Só na semana anterior, a mesma GPT-6 Astra havia decifrado outro código alemão histórico: uma mensagem de 108 anos, desta vez da Primeira Guerra Mundial, criptografada pelo método ADFGVX e que também nunca havia sido solucionada. Ou seja, em um intervalo curto de tempo, o modelo já soma duas quebras de códigos históricos que resistiram a décadas de tentativas.

Vale lembrar que os esforços humanos para decifrar tanto a Enigma quanto a máquina de Lorenz durante a Segunda Guerra foram, historicamente, um dos pontapés iniciais para o desenvolvimento dos primeiros computadores digitais de uso geral, então há uma ironia interessante no fato de ser justamente uma inteligência artificial moderna quem resolveu um dos enigmas que ficou pendente desde o fim do conflito, em 1945.

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