Melhores do Ano Arkade 2025: DOOM: The Dark Ages

Poucas franquias na história dos videogames podem dizer que ajudaram a criar um gênero inteiro. DOOM é uma delas. E, desde 1993, a série não apenas se mantém relevante como segue encontrando formas de se reinventar. DOOM: The Dark Ages é o melhor exemplo disso: uma reinvenção brutalmente divertida de uma série que já havia se reinventado duas vezes nos últimos anos — em dois jogos excelentes. E ao se reinventar (der novo), DOOM, consegue ser (de novo), um dos Melhores Jogos do Ano!
The Dark Ages funciona como um prólogo da trilogia moderna de DOOM. Aqui, voltamos ao passado do Doom Slayer, em uma época em que ele ainda estava preso a um conflito entre espécies, sendo usado como arma em uma guerra que não era exatamente a sua. A ideia de explorar as origens desse personagem quase mítico é interessante, embora eu ache que a franquia tenha começado a “se levar a sério demais” no campo da narrativa. A lore é extensa, cheia de nomes, facções e explicações, e em alguns momentos isso acaba soando mais maçante do que envolvente.

Nada contra uma boa história, mas DOOM é sobre matar demônios. Felizmente, mesmo com muita cutscene e muito blá-blá-blá, DOOM: The Dark Ages ainda é sobre matar demônios — e ele nos dá muitas ferramentas para fazer isso de novas maneiras.
A grande sacada do jogo foi transformar o Doom Slayer em algo ainda mais pesado, brutal e intimidador. A estética medieval não é apenas uma nova roupagem visual: ela influencia diretamente o gameplay, e o escudo — ou melhor, o Serraescudo — é a grande estrela dessa nova fase. Um escudo violento, multifuncional, que serve tanto para defesa quanto para ataque. Com ele, bloqueamos projéteis, rebatemos golpes, cortamos correntes, avançamos contra inimigos e literalmente atropelamos demônios pelo caminho.

Essa adição muda completamente a dinâmica do combate. O jogo abandona um pouco a velocidade frenética de DOOM Eternal e aposta em um ritmo mais cadenciado, mais pesado. O Doom Slayer deixa de ser um avião de caça e passa a ser um tanque de guerra; uma força imparável que segue absorvendo dano, controlando o espaço e punindo qualquer um que fique em seu caminho. É diferente, mas diferente não significa pior. Pelo contrário: é uma abordagem nova — e extremamente bem executada — do que significa ser o Doom Slayer.
O arsenal acompanha essa mudança de identidade. Armas de fogo “normais” dividem espaço com equipamentos mágicos e armas profanas, como as Empaladoras e o Triturador de Crânios, criando um combate que mistura brutalidade física com poder destrutivo em larga escala. Cada disparo, cada golpe do escudo, cada finalização, tem peso. DOOM: The Dark Ages nos transforma em uma figura que o universo inteiro aprendeu a respeitar (ou temer).

E como se isso já não fosse o bastante, DOOM: The Dark Ages ainda encontra espaço para elevar ainda mais a régua: em alguns momentos, vamos montar em um dragão cyberpunk voador, equipado com turbinas e canhões de plasma, cruzando os céus e destruindo fragatas demoníacas. Em outros, vamos pilotar mechas gigantes, enfrentando “na mão” demônios do tamanho de prédios e arrancando suas cabeças na base da força bruta. DOOM: The Dark Ages entende muito bem o que é power fantasy: você se sente fod* quando é o Doom Slayer — e se sente ainda mais fod* quando é o Doom Slayer montado em um dragão cyberpunk.
Bom, mas dito tudo isso, talvez o aspecto mais impressionante de DOOM: The Dark Ages seja o quanto ele reforça algo raro na indústria atual: confiança criativa. A nova trilogia DOOM é composta por três jogos excelentes, mas radicalmente diferentes entre si. DOOM (2016), DOOM Eternal e DOOM: The Dark Ages compartilham o mesmo DNA, mas não são “mais do mesmo”. Cada jogo tem seu próprio ritmo, sua própria identidade.

Não é todo dia que vemos uma franquia desse tamanho se reinventar mesmo depois de décadas de sucesso. DOOM: The Dark Ages poderia facilmente ter ficado em uma zona de conforto (que já era ótima), mas preferiu ser diferente, ousado, corajoso. E acertou (de novo). Por tudo isso, DOOM: The Dark Ages é, sem dúvida, um dos Melhores Jogos de 2025.
Relembre nossa análise completa de DOOM: The Dark Ages.