Melhores do Ano Arkade 2025: Lost Soul Aside

Lost Soul Aside é um “double A” chinês lançado no finalzinho de agosto que dificilmente vai estar em outras listas de Melhores do Ano por aí. Mas, eu quis dar um espacinho para ele na nossa lista simplesmente porque, em um mundo dominado por roguelikes, Souls-likes e action RPGs de mundo aberto, ele ousa ser um jogo de ação e pancadaria linear, como não se faz mais hoje em dia!
A história não tenta reinventar a roda. Temos um jovem guerreiro, Kaser, que desperta uma entidade draconiana ancestral chamada Lord Arena, tem seu destino entrelaçado ao dela e parte em uma jornada para salvar a irmã e impedir a ameaça dos Voidrax, uma raça interdimensional que ameaça o mundo. É tudo bastante clichê, com arquétipos conhecidos e reviravoltas previsíveis. O visual também não ajuda muito a elevar a experiência: o character design tem uma carinha de “Final Fantasy de baixo orçamento”, e o mundo é extremamente linear, repleto de paredes invisíveis que deixam claro os limites da experiência.

Nada disso me passou despercebido. Lost Soul Aside não tenta esconder suas limitações: ele sabe exatamente onde é mediano. O que o torna especial, no entanto, é o fato dele ser um character action, um nicho que raramente recebe novos jogos justamente por ser extremamente difícil de ser executado.
Jogos como Devil May Cry e Bayonetta estabeleceram um padrão altíssimo de combate polido, frenético e acrobático, com animações fluidas, armas divertidas de serem usadas em combate. São games que fazem o jogador se sentir fod* com o controle na mão, e essa sensação é essencial nesse tipo de experiência.
E é aí que Lost Soul Aside surpreende, pois entrega muito no que realmente importa neste gênero: um gameplay fluido, satisfatório e gostoso. O combate é rápido, responsivo, visceral. Há uma variedade interessante de armas, cada uma com sua própria árvore de habilidades, o que incentiva a experimentação. Os combos são estilosos e bem animados, criando uma pancadaria com aquela plasticidade que é tão vital neste tipo de jogo. Não é sobre matar inimigos, mas sobre fazer isso com estilo, de forma performática e divertida.

É o tipo de jogo que talvez não impressione em screenshots ou trailers, mas que ganha força quando você realmente está com o controle na mão. Cada confronto reforça aquela sensação clássica de domínio do sistema, de aprendizado constante e de execução cada vez mais confiante — e há um bom número de chefes gigantes que testam nossa perícia e rendem batalhas memoráveis.
Mesmo com suas limitações em level design, narrativa e identidade visual, o coração do jogo — o combate — funciona muito bem. Em um mercado saturado de fórmulas repetidas, Lost Soul Aside é um respiro para quem busca jogos de ação lineares, focados em combate bem construído e progressão clara.

E é exatamente por isso que ele merece um lugarzinho entre os nossos Melhores do Ano. Não por ser perfeito ou aclamado por todos, mas por nos lembrar que ainda há espaço para esse tipo de experiência mais guiada e frenética, como nos tempos do PS2.
Relembre nossa análise completa de Lost Soul Aside.