Meta anuncia duas ferramentas de IA para a criação de jogos 2D e 3D a partir de texto
Meta apresenta Horizon Create e Horizon Studio, ferramentas que geram jogos por texto, e revela os óculos Meta VR Glasses para 2027.
A Meta anunciou no Meta Connect 2026 duas ferramentas de IA para criar jogos 2D e 3D a partir de texto: o Horizon Create, no celular, e o Horizon Studio, no navegador. Os jogos podem ir direto para o Facebook e o Instagram. Na mesma semana, a empresa apresentou os Meta VR Glasses, óculos de realidade virtual com suporte da Unity no primeiro dia e lançamento previsto para a primavera de 2027, nos Estados Unidos, por US$ 1.299,99.
A lógica das duas ferramentas, conforme o site Gamesindustry.biz, é bem direta. Você descreve o que quer, a IA monta uma versão jogável e depois você ajusta o que não ficou bom. A Meta diz que os títulos podem sair com sistemas de progressão, equilíbrio de dificuldade, direção de arte e até multiplayer. O Horizon Create roda no telefone: você manda o prompt, segue a vida e testa quando a notificação chega. O Horizon Studio fica no navegador e entrega controles mais finos para quem quer mexer no detalhe.
Os dois usam o mesmo motor por trás, o Meta Horizon Engine, com o que a empresa chama de criação “agentic”. Na prática, isso significa que um projeto começa no celular e continua no computador sem perder assets, sistemas ou o histórico de iterações. Quando o jogo é publicado, a distribuição automática cobre várias plataformas da Meta. O gancho mais agressivo, e o que muda o tamanho da audiência, é o jogo viver no feed, no mesmo lugar em que a pessoa já abre o app para ver posts e falar com amigos.
Ainda não é acesso geral. Criadores selecionados já testam as ferramentas com apoio financeiro do Meta Horizon Creator Fund. O early access deve chegar aos poucos, e a empresa já aceita inscrição em lista de espera. Sobre monetização dentro dos jogos, a Meta prometeu detalhes depois.
Mais cedo em 2026, o Roblox soltou um recurso parecido: o texto vira documento de design, e a ferramenta implementa e testa o resultado. A diferença da Meta está menos no prompt e mais no destino. Em vez de concentrar o jogo numa plataforma só de criação, ela empurra o resultado para o Facebook e o Instagram, onde o alcance já existe. O Horizon, que nasceu como app de VR, vem sendo puxado cada vez mais para o mobile. Essas ferramentas encaixam nessa virada de estratégia.
No hardware, o outro anúncio do evento foi o dos Meta VR Glasses. São cerca de cinco vezes mais leves que o Meta Quest 3, sem as tiras e sem o volume típico de um headset. Relatos da própria Meta e da Unity falam em algo perto de 100 gramas no rosto. O processamento, a bateria e o armazenamento ficam num puck separado, ligado por cabo óptico. O display é um painel micro-OLED de 5K, no que a empresa descreve como “infinite display”. O controle padrão é olhar e mão; controles físicos existem, mas vêm à parte. A Meta cita mais de 75 jogos jogáveis só com gestos no lançamento, além de streaming via Xbox Cloud Gaming.
Para quem desenvolve, o ponto prático é o calendário. Os óculos chegam na primavera de 2027, mas a Unity 6.6 já oferece suporte via OpenXR. Projetos feitos para Quest podem migrar com pouca mudança. Dá para projetar, montar e testar agora com o XR Interaction (XRI) Toolkit, o XR Hands e o XRI Simulator, inclusive no editor, sem o aparelho na mesa. Os SDKs da linha v207 já estão disponíveis.
Estúdios que já trabalham em títulos para os óculos com Unity incluem Animal Repair Shop, Schell Games, Amata K.K., Nerd Ninjas, Within, Soul Assembly, Marvelous Inc. e Grounding Inc. A Unity também cita jogos em desenvolvimento como Cardmada, Dragon Grove, Phoenix Wright: Ace Attorney Dual Destinies VR, Dice Throne Digital, Supernatural, Two Point Hospital – Mixed Reality Edition e Story of Seasons.
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