Monsters of Rock 2026 – Yngwie Malmsteen continua com a técnica certa, mas tocou no palco errado

Yngwie Malmsteen e suas guitarras também foram parte do Monsters of Rock 2016, que aconteceu neste sábado (4) no Allianz Parque, em São Paulo. O músico subiu ao palco com uma “parede de Marshalls” e a sua conhecida qualidade com a guitarra, mas lidou com problemas de som e uma plateia desconectada de seu show.
O músico tem qualidade e isso é inegável, e a sua contribuição para o heavy metal esteve presente no show de forma impecável. Mas como um show não envolve apenas a música em si, não podemos deixar de lado alguns detalhes, que influenciaram no tempo de palco do sueco no festival.
Primeiro de tudo: Malmsteen não é unanimidade no Brasil. Não por sua música, que é respeitada, mas por sua personalidade. Em 2001, por exemplo, ele tocou o hino dos EUA num show em Porto Alegre que rendeu vaias e problema com os gaúchos. Em 2022, segundo a produtora de seu show, ele barrou duas bandas de abertura brasileiras, atrasando sua passagem de som.
Além disso, tem quem ache ele egocêntrico demais, e isso acaba diminuindo um pouco o interesse em vê-lo tocar. O que contrastaria com um Guns N’ Roses bem distante dos seus dias de glória, mas que fez o público se emocionar mesmo assim horas depois.

Outra coisa: o guitarrista fez história dentro do Heavy Metal, e poderia ser uma boa pedida no ano passado, quando tivemos Judas Priest e Savatage entre os nomes do festival. Mas ontem não era um dia para ter seu nome entre as atrações.
Como já falei, Dirty Honey e Jayler conquistaram o público com o seu rock direto e reto, muito por causa da maioria dos presentes, que esperavam por Lynyrd Skynyrd e Guns N’ Roses, que compartilham de elementos em comum. Por outro lado, Malmsteen no palco é, basicamente solos e mais solos de guitarra, que faria fãs de metal viajarem, mas que não foi o suficiente para agradar quem queria cantar hits e ver vibração no palco.
Além disso, o guitarrista, em meio aos seus chutes e malabarismos com a guitarra, ainda deixava claro a sua insatisfação com o sistema de som, sinalizando para sua equipe e deixando o clima ainda mais “chato”, o que fez com que muitos aproveitassem o momento para ir ao banheiro, comer ou sentar na arquibancada ou na pista.

Dito tudo isso, nada disso tira a qualidade do guitarrista. Quem parou para apreciar o seu show, independente de tudo o que falei acima, viu sim uma ótima relação que ele tem com a guitarra, como em Rising Force, uma de suas músicas mais famosas e que iniciou a apresentação. I’ll See The Light Tonight foi outra benção de se ouvir ao vivo, que impressiona em como ele faz parecer fácil algo tão complexo.
E ainda teve tempo para um cover de Smoke on the Water, que levantou temporariamente o público pela fácil associação com a música.
Compartilhado tudo o que vi no Allianz neste show, o que sinto é tão polarizado quanto a opinião que as pessoas tem por Yngwie Malmsteen: o show é tecnicamente impressionante, e realmente vale a pena, para quem gosta de música e principalmente de guitarra, vê-lo ao menos uma vez na vida, de coração aberto.
Entretanto, o palco de ontem não era o ideal para ele. Além da rejeição natural de alguns devido ao seu histórico, a maioria do público não estava a fim de vários solos de guitarra, e sim de hits de arena como os das outras atrações. Assim, tivemos um show excelente, mas em um local não tão adequado. O que me faz desejar que o músico, em breve, retorne ao nosso país para tocar mais próximo de quem realmente quer ouvir a sua arte e ver a sua técnica.
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