Professor usa Assassin’s Creed em aula sobre Revolução Industrial e repercute nas redes

Um professor brasileiro viralizou nas redes sociais ao levar o jogo Assassin’s Creed Syndicate para dentro da sala de aula. Em vez de recorrer apenas a textos ou imagens estáticas, ele projetou cenas do game para ilustrar como funcionavam as fábricas e as condições de vida dos trabalhadores no século XIX, durante a Revolução Industrial.
O vídeo da explicação, postado pelo próprio professor Wesley Bernardo no Instagram, se espalhou rapidamente, com comentários destacando a forma prática de apresentar o tema.
No trecho gravado, o educador segura o controle e aponta para a tela enquanto descreve o uso do carvão como fonte de energia. Ele mostra as máquinas a vapor, os ambientes escuros e sujos, e explica os riscos para os operários, incluindo crianças expostas à sujeira e ao calor intenso.
“O ambiente não é limpo. É insalubre”, reforça, conectando o visual do jogo com conceitos históricos. Alunos aparecem atentos, e internautas reagiram com frases como “Queria que o meu professor fosse assim”, valorizando o método que prende a atenção de forma direta.
Assassin’s Creed Syndicate, lançado pela Ubisoft em 2015, recria a Londres vitoriana de 1868. O cenário inclui fábricas em pleno funcionamento, ruas movimentadas e os contrastes sociais da época, baseados em referências históricas. Embora o jogo misture elementos de ficção com a trama principal, as reconstruções de ambientes industriais são bem realistas e servem como base visual para discussões em sala.
Como a série Assassin’s Creed se conecta com o ensino de história

A Ubisoft constrói cada jogo da franquia Assassin’s Creed a partir de pesquisas sobre períodos reais. Isso permite que jogadores visualizem cidades, roupas, ferramentas e rotinas que, de outra forma, ficariam limitados a descrições em livros.
No caso de Syndicate, o foco na era da industrialização mostra o impacto das máquinas a vapor na vida cotidiana, algo que educadores aproveitam para tornar a Revolução Industrial mais concreta.
Muitos jogadores relatam pelos sites e fóruns afora que, após explorar esses mundos, passaram a pesquisar mais sobre os fatos por conta própria. A série já vendeu mais de 200 milhões de cópias e aparece em discussões sobre o uso de games no aprendizado, com exemplos semelhantes em outras disciplinas.
Discovery Tour: exploração focada apenas no aprendizado

Alguns títulos da franquia vão além e oferecem um modo específico para quem quer estudar história sem combates ou missões. Em Assassin’s Creed Origins, que retrata o Egito Antigo, e em Assassin’s Creed Odyssey, ambientado na Grécia Antiga, o Discovery Tour libera a exploração livre pelos cenários reconstruídos.
Não há lutas ou objetivos de ação. Os jogadores andam pelas ruas antigas, observam monumentos e seguem tours guiados por historiadores. Cada tour aborda temas como vida diária, agricultura, arquitetura e costumes, com narração clara e pausada.
Origins tem cerca de 75 tours, enquanto Odyssey expande para a Grécia Antiga. Professores criam planos de aula com esses recursos, e a Ubisoft já desenvolveu guias curriculares em parceria com instituições como a Universidade McGill, no Canadá.
O resultado é que estudantes conseguem “caminhar” por pirâmides ou templos e entender contextos que slides ou documentários nem sempre transmitem com a mesma imersão. Relatos de educadores indicam que esse tipo de ferramenta aumenta o interesse e facilita a retenção de detalhes.
A Notre-Dame em Assassin’s Creed Unity e o apoio da Ubisoft no incêndio

Outro exemplo de conexão entre o jogo e a história real aparece em Assassin’s Creed Unity. O título, lançado em 2014, recria Paris durante a Revolução Francesa, incluindo uma versão detalhada da Catedral de Notre-Dame. A construção virtual levou meses de trabalho e serviu como cenário para missões.
Quando um incêndio atingiu o monumento em abril de 2019, a Ubisoft destinou 500 mil euros para os esforços de reconstrução e disponibilizou Assassin’s Creed Unity de graça por uma semana na versão para PC. Isso permitiu que milhões de pessoas visitassem o interior da catedral de forma virtual e mantivessem o tema em evidência.
A recriação no jogo é artística, projetada para gameplay, e não foi usada como base técnica para as obras de engenharia. Scans reais e dados dos arquitetos responsáveis pela restauração guiaram o projeto físico. Ainda assim, a iniciativa da empresa reforçou o valor do patrimônio e mostrou como representações digitais podem sensibilizar o público.
Casos como o do professor brasileiro mostram que jogos podem funcionar como apoio complementar no ensino. Eles oferecem visualizações imersivas de épocas e ambientes difíceis de reproduzir de outra forma, ajudando diferentes perfis de alunos a conectar o conteúdo com imagens reais.
A série Assassin’s Creed continua servindo de ponto de partida para quem quer entender melhor o passado, seja na sala de aula ou em casa.
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