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Rock in Rio 2026 – Sepultura se despede do festival, em dia com Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold

Sepultura faz seu último Rock in Rio ao lado de Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold em noite de chuva, mosh pits e atrasos.

Junior Candido
Rock in Rio 2026 – Sepultura se despede do festival, em dia com Bring Me The Horizon e Avegend Sevenfold

O Sepultura fez neste sábado (5) o último show da banda no Rock in Rio. Foi o penúltimo da turnê de despedida Celebrating Life Through Death e o ponto final de uma relação que começou em 1991, quando o festival aconteceu no Maracanã. No mesmo dia, o Palco Mundo recebeu mgk, a estreia do Bring Me The Horizon depois de 22 anos de espera e o Avenged Sevenfold como headliner, já de madrugada e com atraso.

A Cidade do Rock virou território de remada viking, mosh pit e LED. Os 2.400 m² de telão mudaram de cara a cada set, em um dia com muita chuva. O público, mesmo assim, ficou no gramado.

A professora Luíza Batista, 32 anos, do Rio, estava na oitava edição e escolheu logo esse sábado na hora de comprar o ingresso. Fã de carteirinha do Bring Me The Horizon, ela é do Rock in Rio Club e disse o que pensa para a assessoria do festival. “O rock esteve presente na minha vida em muitos momentos. A energia de estar no Rock in Rio é surreal. Faz você viver o aqui e agora.”

Palco Mundo: da despedida do Sepultura ao atraso do Avenged

Rock in Rio 2026 – Sepultura se despede do festival, em dia com Bring Me The Horizon e Avegend Sevenfold (imagem 2)

O Sepultura tocou só o repertório da fase com Derrick Green, deixando de lado o material da era Max Cavalera. No gramado os fãs fizeram remada viking e mosh, enquanto do palco vieram Against, Choke e faixas do EP recente The Cloud of Unknowing. Andreas Kisser falou sobre os 42 anos de estrada da banda. Depois do show, a banda agradeceu no Instagram: “Rio, vocês foram incríveis. Eternamente em nossa memória.” A despedida definitiva da carreira fica para 7 de novembro, em São Paulo.

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O mgk entrou com pirotecnia, dança e guitarra. Abriu com Fix Ur Face, passou por Don’t Wait Run Fast e Till I Die, ficando bem perto da grade. O recinto, lotado de gente que estava ali pelo metal, não comprou a ideia pelo todo e teve alguma hostilidade, porém nada que chegasse ao nível do histórico momento de Carlinhos Brown em 2001. Mesmo assim, o cantor parou o show para falar com a plateia e soltou que “existem dois tipos de música: boa e ruim”.

E o dia seguiria, com um retorno de décadas.

Bring Me The Horizon: estética de videogame, fã no palco e português com Pix

Demorou 22 anos para o Bring Me The Horizon estrear no Rock in Rio e isso aconteceu durante a sexta passagem do grupo pelo Brasil. Oliver Sykes, que mora no país, tratou o Palco Mundo como se fosse o próprio frontman de um jogo. Antes da primeira nota, o telão pediu para o público apertar start, como um jogo violento, com direito a aviso de violência explícita e gore. O cenário virou mapa de caveira, tumba e destroço.

Abriram com DArkSide, do Post Human: Nex Gen. No meio do set, Sykes chamou um fã de camisa do Brasil para cantar Pray for Plagues no palco, dividindo o microfone. Chegou até a errar o nome da cidade e falou São Paulo no lugar de Rio de Janeiro, mas seguiu a vontade e compensou no português, apelando até para o Pix: “tenho CPF”, “tenho Pix”, “Nossa Senhora!”. Andou pela plateia, regou roda e mosh.

O coro cantou junto com o vocal em The House of Wolves, Happy Song, Teardrops, Shadow Moses e Kingslayer. Também entrou Dehumanized, faixa do primeiro disco, de 2006, relançada neste ano. E fecharam o show com Can You Feel My Heart. Em relação aos painéis do Palco Mundo, que virou discussão após algumas bandas não terem usado 100% do espaço, muita gente saiu falando que aquele foi o show que melhor usou o LED novo do Mundo até agora.

Avenged Sevenfold fecha a noite com atraso, chuva e clássicos

Rock in Rio 2026 – Sepultura se despede do festival, em dia com Bring Me The Horizon e Avegend Sevenfold

O Avenged Sevenfold estava marcado para 0h05, mas subiu ao palco apenas por volta de 0h30, depois de ajustes técnicos necessários. O telão apagou e tocou Nightcall, do Kavinsky, no playback. Mas aí veio Nightmare. M. Shadows olhou o gramado e perguntou se a “educação da plateia” era coisa da chuva, depois dedicando Seize the Day aos outros artistas do dia. Em M.I.A., falou de amigos que foram à guerra (ele falava dos conflitos que os EUA travaram no Oriente Médio nos anos 2000 e 2010) e da influência do Iron Maiden.

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O set privilegiou os hits da banda, uma cartada segura em um festival tão multifacetado, mesmo em dia de rock. Magic, Afterlife, Shepherd of Fire com labareda, Buried Alive, Hail to the King, Bat Country, Unholy Confessions. Também rolou The Stage, So Far Away, Nobody, A Little Piece of Heaven e Cosmic. O LED ganhou efeito 3D em alguns trechos. O show foi mais morno do que a apresentação de 2024, talvez por causa da chuva, ou pelo fato da banda já ter se acostumado com o festival, ou até por reflexo do atraso involuntário, mas a afiação da banda segue suficiente para atrair os fãs e trazer bons momentos. E justamente por ser um festival, o EP experimental Static ficou de fora.

Sunset: Rita Lee, duas baterias e Poppy com as cores do Brasil

Rock in Rio 2026 – Sepultura se despede do festival, em dia com Bring Me The Horizon e Avegend Sevenfold (imagem 4)

O Palco Sunset também seguiu no rock, na proposta da organização em trazer um público mais jovem e bandas contemporâneas. A Malvada chamou Day Limns e passou de um som hardcore para algo mais pop. O momento que mais chamou atenção foi a homenagem a Rita Lee, com Ovelha Negra no palco e imagens da cantora no telão.

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Black Pantera e Nervosa subiram juntas, com bandas completas e direito a duas baterias. Os mineiros abriram com Hórus e Continental. Prika Amaral entrou com Serotonina. Eles pediram uma roda só de mulheres, como geralmente o Pantera faz, e as fãs atenderam. No meio do set, o vocalista do Black Pantera manteve sua postura politizada, gritando contra racismo, lembrando das discussões da escala 6×1 de trabalho, mas lembrou de mandar um beijo para a mãe que estava no público.

Poppy chegou vestida com as cores da bandeira do Brasil e misturou pop experimental, metal industrial e hyperpop. I Disagree, faixa que rendeu indicação ao Grammy, esteve no repertório, em um show que também teve remada viking na pista.

Bad Omens, com Noah Sebastian, encerrou o Sunset. Mais uma banda de rock contemporânea com fãs mais jovens, trouxe o seu som baseado nos pilares do metalcore, dark-pop e eletrônica, unindo no mesmo set. Just Pretend puxou o coro de celular no alto e fez o esquenta para os grandes shows que o Palco Mundo faria em seguida.

Drones no Dia da Amazônia e o resto da Cidade do Rock

O sábado também foi o Dia da Amazônia. O céu ganhou show de drones. O festival reforçou a parceria com a AXIA Energia para zerar as emissões de 2026 e anunciou o plantio de 15 mil mudas e 1 milhão de sementes de espécies nativas. O projeto Amazônia Live, de 2016, já passou de 4 milhões de árvores. Em 2025, o Amazônia Live – Hoje e Sempre, no Rio Guamá, destinou R$ 2 milhões a iniciativas locais.

No Espaço Favela, Quantum abriu, Canto Cego segurou a cena carioca e Major RD fechou com participações. No Supernova, passaram ZeROBADASS, MC Taya, LVCAS e Supercombo. A cantora Jully Sanders, 26, viu o LVCAS no palco e lembrou que já tinha estado na mesma pista, só ouvindo. “Quem sabe um dia não sou eu.”

O Global Village ficou com o metal mais direto. A paraense Rhegia misturou riff e floresta. Noturnall tocou sob chuva, com Russell Allen na ficha do dia. Korzus fechou com thrash e roda punk. Juliane Oliveira, 19, não conhecia a banda e ficou mesmo assim. “Está sendo muito legal escutar as bandas de que sou fã e ainda descobrir novas.”

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O festival segue até 13 de setembro. O sábado “do metal” entregou exatamente o que o festival tentou: apesar da despedida do Sepultura, o foco em bandas contemporâneas e um público de rock mais jovem, um tanto diferente do que estamos acostumados a ver, que serviu, no fim, como um “estudo interno” para ver o impacto destas novas bandas para uma nova geração, que irão ditar o rumo do rock nos próximos anos.

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