5 Conflitos históricos reais que influenciaram a lore de Metal Gear Solid

20 de março de 2026

A série Metal Gear Solid, criada por Hideo Kojima e com todos os seus jogos publicados pela Konami, constrói sua narrativa em torno de espionagem, armas de destruição em massa e organizações secretas.

Parte dessa riqueza vem de fatos da história real, que dão base aos personagens e aos enredos misturando a fantasia da série com eventos do mundo real. Conheça agora cinco conflitos que ajudaram a formar o universo dos jogos, com conexões diretas em missões, personagens e temas centrais.

Segunda Guerra Mundial

O período de 1939 a 1945 aparece em vários pontos da lore, especialmente nos temas nucleares. O Projeto Manhattan, por exemplo, tem o envolvimento do avô de Otacon no desenvolvimento das bombas atômicas e seus efeitos a longo prazo.

A história dos Code Talkers, nativos americanos que usavam suas línguas maternas como código durante o conflito, influenciou Metal Gear Solid V, como um personagem de mesmo nome, um idoso Diné (Navajo) que Skull Face forçou a modificar parasitas das cordas vocais para os seus planos.

Volgin participou de forma brutal de um massacre polonês na II Guerra. Foto: Wikimedia Commons

Massacres como o de Katyn, foram usados para moldar o passado do coronel Volgin em Metal Gear Solid 3: Snake Eater, mostrando como o controle secreto e a violência estatal continuaram depois da guerra. Neste evento histórico, cerca de 20 mil poloneses foram executados, entre oficiais do exército do país ocupado, policiais e um número menor de professores, pesquisadores e outros civis. Volgin participou deste evento de forma brutal, assim como ele é apresentado no game.

E ainda temos Revolver Ocelot, que nasceu no meio do caos do Dia D, em plena invasão aliada na Normandia para a retomada da França. Filho de The Boss com The Sorrow, ela participou do ataque com a sua Cobra Unit, e grávida de nove meses, deu a luz a seu filho no meio do tiroteio alemão, em uma das maiores batalhas da história.

Ocelot nasceu no meio do caos do Dia D. Foto: Robert F. Sargent, U.S. Coast Guard / Domínio Público

Hideo Kojima mencionou em uma entrevista para a Edge que relatos de bombardeios em Tóquio contados pelo pai ajudaram a moldar a visão sobre os custos humanos dos conflitos. Independente das questões políticas envolvidas, e de quem atacou e foi atacado, o povo japonês também sofreu no conflito, com cerca de 3 milhões de civis mortos entre bombardeios convencionais, as duas bombas atômicas e seus efeitos colaterais.

Tóquio recebeu um forte ataque aliado em 1945. Foto: Domínio Público

Só em Tóquio, a Operação Meetinghouse, mencionada pelo pai de Kojima, ceifou 100 mil vidas em ataques incendiários em março de 1945, causando mais danos até do que os ataques atômicos.

Guerra Fria

Do fim da II Guerra até 1991, o mundo foi “dividido” em dois, e a rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética formou o eixo principal de Metal Gear Solid 3: Snake Eater, cuja história acontece em 1964 na selva soviética. Em uma crise que poderia ocasionar o tão temido conflito nuclear entre as duas potências.

Pois se tivemos a Crise dos Mísseis de Cuba, no game temos Volgin, que dispara um míssil nuclear portátil dos EUA contra um centro de pesquisas soviético, incriminando os americanos. Inclusive, a mesma crise é citada no game, mas com questões mais obscuras além das questões políticas, além de Nikolai Sokolov, como ferramentas de mediação.

Em Metal Gear Solid, houve uma crise ainda mais delicada do que a dos Mísseis em Cuba. Foto: Domínio Público

A espionagem, as missões de infiltração e o equilíbrio nuclear refletem a realidade da época, com a “deserção” da The Boss ou a atuação de Eva inspirada em casos reais de agentes que trocavam de lado.

Além de MGS3, Portable Ops, Peace Walker, Ground Zeroes e The Phantom Pain também abordam este período, cada um à sua época, mas com o mesmo conceito de temor de escaladas, armas cada vez mais potentes de destruição e um mundo controlado pelas sombras.

Guerra Soviético-Afegã

Em 1979, ainda na Guerra Fria, a União Soviética invadiu o Afeganistão, para dar sustento a um quase colapsado governo socialista e evitar influência dos EUA na região. E, em 1984, a Diamond Dogs entrou no conflito junto dos mujahideen, os combatentes islâmicos que eram contra os soviéticos.

Apesar do foco principal da história não ser este, o game reproduz de forma fantasiosa o apoio que a CIA prestou para estes grupos rebeldes na época. Na vida real, os americanos equiparam e sustentaram a defesa dos rebeldes, fazendo com que a União Soviética não só saísse do local, como acelerasse o seu fim em 1991.

O jogador convive com os rebeldes contra os soviéticos no game. Imagem: Wikimedia Commons

Personagens como Revolver Ocelot ganharam experiências dessa guerra, enquanto missões de guerrilha e extração mostram como os conflitos assimétricos mudaram a forma de lutar, em comparação ao que vemos em conflitos mais antigos. O jogo usa um cenário real para explorar o papel de empresas militares privadas.

Guerra da Rodésia

De 1964 a 1979, na atual Zimbábue, esse conflito moldou o passado de Grey Fox e Naomi Hunter. As ações de Grey Fox como soldado, incluindo mortes de civis e o resgate de uma criança, explicam sua culpa e as motivações genéticas de Naomi em Metal Gear Solid.

O uso de mercenários e as tensões étnicas da guerra serviram para mostrar os efeitos duradouros em soldados que continuaram em outros fronts.

A guerra da Rodésia. Foto Wikimedia Commons

O conflito colocou o governo de minoria branca, liderado por Ian Smith, contra movimentos de guerrilha nacionalistas negros que buscavam o fim do regime segregacionista. Foi neste conflito de 15 anos que Grey Fox e Naomi viveram experiências que os moldariam para os eventos futuros na série.

Guerra do Golfo

O conflito do início dos anos 90, que uniu uma coalizão de 39 países liderada pelos EUA para expulsar o Iraque do Kuwait, influenciou a vida de Liquid Snake, conforme descobrimos em Metal Gear Solid.

O livro Bravo Two Zero, que conta a missão de uma unidade do SAS britânico que conviveu com situações extremas após ter sua posição comprometida em uma missão de sabotagem, forneceu detalhes reais sobre operações secretas em deserto e sobrevivência. Na lore, Liquid lutou junto com a SAS, passando por situações semelhantes.

A história sobre o Bravo Two Zero virou filme em 1999

Além disso, Solid Snake, antes de se juntar à Fox Hound, serviu com os Boinas Verdes no conflito. A experiência de Solid Snake no Golfo o preparou para se tornar o soldado lendário que se infiltrou em Outer Heaven (1995) e Zanzibar (1999), além de invadir, em 2005, Shadow Moses e ter o conflito decisivo com seu irmão.

Metal Gear Solid também explicou que soldados dos EUA que lutaram no Golfo foram parte de um experimento secreto de terapia genética, em uma tentativa de replicar o projeto Les Enfants Terribles (que gerou Liquid, Solid e Solidus) com a ideia de criar os “soldados perfeitos”.

Estes soldados perfeitos tornariam-se os Genome Soldiers, “irmãos” de certa forma de Solid Snake e que teriam seus pescoços quebrados pelo próprio no gelo do Alasca.

Toda esta situação causou um fenômeno real e polêmico: os Gulf War Babies, filhos dos soldados que nasceram com deformidades, associados a exposições de urânio ou outros elementos aos quais foram expostos em conflito. Mas em Metal Gear Solid, isso foi só uma história inventada pelo Pentágono.

“Na verdade”, o motivo destes bebês foram exatamente o tratamento genético ao qual os soldados foram expostos, usando apenas os elementos comuns na Guerra do Golfo para criar uma história falsa para cobrir a verdades

A guerra sem fim de Metal Gear

Esses cinco conflitos mostram como Hideo Kojima pesquisou fatos documentados para tornar a lore de Metal Gear Solid mais consistente com o mundo real.

Em vez de criar tudo do zero, o criador usou registros históricos, relatos de veteranos e análises de guerras para explicar as vidas e motivações de Solid Snake, Big Boss e tantos outros personagens.

Quem acompanha a série percebe que a lore fica mais interessante ao conectar os jogos com esses eventos. Para fãs que querem entender melhor as motivações por trás das missões, vale a pena se aprofundar nestes e outros eventos históricos mais, para uma experiência ainda mais rica e interessante.

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Junior Candido

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