Análise Arkade: banque o psiquiatra em The Infectious Madness of Doctor Dekker

5 de junho de 2018

Eu tenho uma certa fascinação por jogos em FMV. Tenho noção da cafonice inerente ao gênero, mas passei muitas horas jogando Night Trap, Gabriel Knight e Phantasmagoria nos anos 90, e sempre me empolgo com games em FMV atuais — inclusive fiz reviews de vários aqui, como The Bunker, Morph Girl, Late Shift e até o controverso Super Seducer.

The Infectious Madness of Doctor Dekker é o mais novo game em FMV que está chegando aos consoles esta semana e, ainda que seja do mesmos caras que nos entregaram The Bunker e Late Shift, ele traz uma pegada bem diferente.

No game, assumimos o controle de um psiquiatra, que está assumindo os pacientes do falecido Dr. Dekker do título. Dekker foi assassinado em circunstâncias misteriosas, e é provável que alguns de seus pacientes tenham alguma pista do que aconteceu… ou sejam o assassino!

Assim nosso trabalho resume-se literalmente a fazer perguntas para essas pessoas, tentando ajudá-las com suas fobias e distúrbios ao mesmo tempo em que investigamos o assassinato do Dr. Dekker.

Perguntas e Respostas

O game tem uma vibe noir interessante, bebendo na fonte de H. P. Lovecraft para construir sua vibe de mistério e conspiração, ainda que seja preciso entrar no clima do jogo para ele funcionar.

Porém, não espere por perseguições mirabolantes nem aparições do Cthulhu: o game se passa todo em um mesmo ambiente, de modo que só o que vemos é o sofá do consultório, onde os pacientes se sentam para conversar conosco.

Cada paciente tem sua história e seus dilemas, podendo (ou não) revelar informações que irão ajudar você a desvendar o mistério. Algumas das histórias parecem nonsense, mas vão ficando mais interessantes conforme os dias passam e os diálogos se aprofundam.

Ainda que sejamos psiquiatras, assumimos também a função de detetive, praticamente interrogando os pacientes para saber se eles tem um alibi para a noite do assassinato, entre outras coisas.

Seu inglês está em dia?

O que a narrativa tem de interessante, falta no gameplay. Esse é um jogo 100% pautado pelos diálogos, de modo que nossa interação resume-se basicamente a escolher perguntas e respostas para fazer a cada paciente.

Um detalhe bacana é que tudo é bastante não-linear: você pode ir alternando entre os pacientes, fazendo diferentes perguntas que podem (ou não) se conectar com o que os demais dizem. A história pode acabar de diversas formas, com diferentes possibilidades de “culpado” a cada jogada.

Se por um lado isso aumenta o fator replay do game, por outro é válido ressaltar que ele não tem legendas em nosso idioma. Ou seja, você precisa ter um ótimo nível de inglês para aproveitar o game, visto que tudo gira em torno dos diálogos e interações entre médico e paciente.

The Infectious Madness of Doctor Dekker já estava disponível para PCs desde ano passado, e o teclado obviamente facilita a interação com os pacientes. Porém, jogando nos consoles, contamos com um sistema de múltiplas perguntas/respostas pré-prontas e você também pode inserir novas perguntas “na mão”. Digitar não é necessariamente algo prático de se fazer em um console, mas é possível utilizar os apps do Playstation 4 ou do XOne para digitar, bem como a tela touch do Nintendo Switch.

E as atuações, são boas?

Considerando que este é um jogo todo filmado, não tem o que analisar tecnicamente em termos de audiovisual, né? Fica uma sensação de que o game é meio baixo orçamento, uma vez que praticamente toda a narrativa se desenrola em um único cenário, e a fotografia é meio escura.

Há um bom número de pacientes, e a qualidade das interpretações no geral é boa. Da bela garota ruiva que tem apagões e sempre acorda pelada na praia (essa aí de cima)  ao maluco que acha que está preso no mesmo dia, passando pela esquisitona que esfaqueou o marido, o elenco é bem variado e os papos vão por caminhos bem intrigantes.

Conclusão

É difícil avaliar um game com tão pouco gameplay, visto que a interação do jogador com The Infectious Madness of Doctor Dekker é quase nula. Esse é literalmente um jogo que a gente mais assiste do que joga — com o agravante que está todo em inglês.

Se isso não te assusta, e você curte games em FMV e histórias de investigação, é provável que você curta The Infectious Madness of Doctor Dekker. Ele definitivamente não é um jogo para todos, mas é capaz de agradar o seleto nicho de órfãos do gênero.

The Infectious Madness of Doctor Dekker está sendo lançado hoje para Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch. Antes disso, ele já estava disponível para PC via Steam.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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