Tomb Raider: Legacy of Atlantis admite uso de IA no desenvolvimento e gera polêmica

No mesmo dia em que Tomb Raider: Legacy of Atlantis confirmou sua data de lançamento — 12 de fevereiro de 2027, para PC, PS5, Xbox Series, Nintendo Switch 2 –, uma atualização discreta na página do jogo na Steam trouxe uma descoberta que rapidamente dominou a conversa: o remake usou ferramentas de IA generativa durante o desenvolvimento.
A nota, identificada pelo Eurogamer, diz o seguinte: “Ferramentas assistidas por IA foram usadas durante o desenvolvimento para apoiar algumas explorações iniciais e conteúdo temporário de desenvolvimento. Quaisquer assets gerados com assistência de IA foram substituídos ou refinados por humanos para manter a visão criativa e artística da equipe de desenvolvimento”.
O problema da declaração é precisamente o que ela não diz. A linguagem é suficientemente vaga para que assets gerados por IA ainda estejam presentes no jogo final — afinal, “refinados por humanos” não é o mesmo que “substituídos por humanos”.
A Crystal Dynamics e a Flying Wild Hog não especificaram quais tipos de conteúdo foram gerados com IA, em que estágio do projeto ou em que quantidade. A reação da comunidade não demorou: imagens recém-divulgadas do jogo mostrando Lara carregando quatro pistolas simultaneamente (a imagem abaixo) — duas empunhadas e duas no coldre — foram imediatamente apontadas como possível evidência de geração por IA, embora isso não tenha sido confirmado.

O contexto corporativo por trás do jogo alimenta ainda mais o ceticismo. Os estúdios responsáveis — e a marca Tomb Raider em si — pertencem à Embracer Group, conglomerado cujo CEO é declaradamente entusiasta do uso de IA para aumentar eficiência e reduzir custos. Parte da comunidade já especulou que o uso de IA pode ter sido uma decisão imposta pela gestão, não pelos desenvolvedores.
A publisher do game — Amazon Games — tem uma postura em relação à IA vai além do jogo. Em entrevista ao Polygon, Jeff Gattis, GM da Amazon Games, declarou que a empresa acredita no potencial da IA generativa — mas fez questão de demarcar o que entende por isso: “Não tanto em termos de como fazemos jogos, mas jogos que podem ser construídos sobre grandes modelos de linguagem e que não poderiam ter sido feitos três a cinco anos atrás.”
O que exatamente isso significa na prática, Gattis não explicou com clareza. Pode ser algo como NPCs com diálogo dinâmico gerado por IA, pode ser alguma nova forma de geração procedural de modelos ou cenários.
O que a Amazon já lançou de concreto nessa direção, porém, não é muito animador: há alguns meses, a empresa lançou Courtroom Chaos – Starring Snoop Dogg, um party game disponível na plataforma Luna onde os jogadores improvisam depoimentos fictícios julgados por um “Juiz Snoop Dogg movido por IA”.
Confira o trailer do game abaixo e tire suas conclusões:
O caso de Tomb Raider se encaixa numa tendência que vem se tornando cada vez mais comum na indústria: estúdios que usam IA durante o desenvolvimento e divulgam isso de forma reativa — somente depois que alguém encontra as evidências e joga na internet — e com declarações cuidadosamente redigidas (por IA, talvez?) para minimizar o impacto sem realmente esclarecer o que aconteceu.
Com 2 ou 4 pistolas, o fato é: Tomb Raider: Legacy of Atlantis chega em fevereiro do ano que vem.
- Não deixe de aproveitar as Ofertas do Dia da Amazon!
- Nossa parceira Nuuvem está cheia de descontos incríveis em jogos de PC!
(Via: Polygon / GamesRadar / Eurogamer)