Análise Arkade – Denshattack transforma trens em skate e entrega um dos mais divertidos jogos dos últimos tempos!

No mundo dos jogos que querem porque querem ser ultra-realistas, um bom e velho arcade, com aura e insanidade dos anos 90 tem tudo para ser não só um agente de diversão, como também um “desestressador” divertido para jogar games sem muito compromisso, seja com um time de amigos, ou com as muitas coisas que os jogos oferecem.
Denshattack chega com essa proposta, já está no ar, e é um daqueles games que apesar de trazer uma ideia bem maluca, não só prova que consegue funcionar direito, como também diverte muito, especialmente para quem gosta de um gameplay direto ao ponto, ou quer uma experiência mais arcade, especialmente aquele entre o final dos anos 90 e início dos anos 2000. Desenvolvido pela Undercoders e publicado pela Fireshine Games, o título chegou nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, no PC, PlayStation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2.
A ideia, no papel, é bem simples: você tem que controlar um trem que acha que é um skate, e pode fazer manobras espetaculares entre os trilhos, usando mecânicas de Sega Rally, para avisar o que fazer, Tony Hawk, para desenvolvimento da ação, e até ação em trilhos, que nos remetem tanto às clássicas fases de carrinho de mina de Donkey Kong Country, até alguns momentos de trilhos em velocidade dos jogos modernos de Sonic.

Enquanto você acelera pelos trilhos, pula entre faixas, e faz boosts em rampas, você enche a tela de pontos com combos de tricks. O stick direito cuida das manobras — um flick rápido vira ollie, um semicírculo vira 540 heelflip, e as mais complexas pedem inputs de luta. Um Tricktionary, do “dicionário das manobras” fica sempre à mão caso você esqueça alguma. E se você errar o timing, o game é generoso e te devolve apenas para o checkpoint anterior, para você tentar de novo esse movimento e seguir em frente.
A campanha, que leva de 10 a 15 horas, te carrega do interior de Kyushu até as neves de Hokkaido, passando por Osaka e Tóquio cobertas por cúpulas da megacorporação Miraidō. Por ser uma viagem profunda por dentro do Japão, o cenário muda o tempo todo: prados, vulcões, oceanos, cidades abandonadas, até um ferris wheel e trilhos monorail.
Cada região tem, além de sua paisagem, regras e objetivos diferentes, que envolve corrida contra outros trens, caça a pontuações altas, entregas de soba como se fosse um iFood sobre trilhos, restaurar arte proibida, ou só sobreviver a um bando de desafios aleatórios. Tem também as Yaoyorozu, trilhas alternativas coloridas que liberam quando você enche a barra de energia com estilo.

Só o gameplay em si é excelente por si só, mas o estúdio ainda teve tempo de adicionar chefes. E eles trazem muito mais adrenalina e diversão, valorizando o produto final. Você vai enfrentar com o seu trem um mecha de garotas mágicas feitas de trens, castelos que andam e disparam canhões, vermes mecânicos de areia, exército de denshattackers… Cada chefe pede do jogador que coloque em prática tudo aprendeu até ali, como se fossem professores aplicando a prova final para as lições que aprendera antes do confronto.
Você começa como a Emi, uma garota que entrega ramen de trem e acaba engatada no submundo dos denshattackers. Junto com o Fernando e o zine dele, ela vai conquistando o respeito de gangs rivais, transformando inimigos em aliados e montando um time de outcasts pra enfrentar a Miraidō. A história tem vibe de anime bem leve, lembrando muito, não só no visual como também em outros elementos, Jet Set Radio: personagens carismáticos, cenários coloridos e toda aquela estética radical japonesa. Entre as fases você pode personalizar o trem com peças, spray e adesivos, desbloqueando modelos com vantagens e desvantagens, e completando desafios opcionais que aumentam o fator replay, pra caramba.

E justamente por beber da fonte de vários jogos da SEGA das antigas, o visual do game grita Dreamcast, como se fosse um lançamento dos 128-bits da SEGA sendo apresentado hoje, como um “jogo atrasado” dos anos 2000. O visual é o famoso cel-shading colorido dos anos 2000, com designs 2D nos personagens e cenários cheios de vida. A trilha sonora (mais uma vez: que bebe positivamente dos clássicos da SEGA) é um show à parte, com dezenas de faixas enérgicas que grudam na cabeça. Tudo funciona bem, pois os controles foram bem lapidados para entregar respostas rápidas a um game que exige agilidade, além de que, por sua estética mais “old school”, roda sem problemas em qualquer dispositivo.
Ele vai seguir aquela ideia clássica de jogos arcades antigos: a ideia de ir tentando, até conseguir. Você vai falhar no ritmo do jogo, com certeza, mas logo estará aprendendo os movimentos, assimilando melhor o timing e, entre erros e acertos, vai entregar muita diversão. Pois aqui, com a generosidade do game quanto aos seus erros, o jogo não é punitivo. Pelo contrário, ele te incentiva a continuar e continuar a manobrar o seu trem, para apenas se divertir.
Denshattack é mais uma bem vinda novidade fora da curva, em um mundo de games com indústrias gigantes insistindo em lançar os mesmos jogos iguais, mudando apenas personagens e cenários. A criatividade dos anos 80, 90 e 2000 foram para o ralo, para agradar acionistas, com uma massificação de “jogos iguais”, que ficam lá, com um nicho de aficcionados, fazendo escândalos com “hype” de trailer, disputando suas “notas”, suas médias no Metacritic e seus prêmios de melhores do ano.

Enquanto isso, estúdios menores, que conhecemos como AA, e os Indies, muitos deles que tentam uma nova oportunidade no mundo dos games após tantas demissões dessa “indústria”, tem mantido a chama da criatividade acesa, pois já que não possuem engravatados ditando a eles o que fazer, e não projetam baseados em planilhas, conseguem sair desta caixinha e produzir coisa diferente.
É claro que o universo indie, apesar de querido, não acerta sempre, mas aqui não é o caso. Denshattack ultrapassa o que é ser “um bom jogo”, conseguindo não só ser um jogo divertido, como também se tornar uma ótima alternativa para quem quer algo mais simples e direto, com um gameplay que, apesar de conhecido por muita gente, ainda consegue ser criativo e honesto, duas palavras que andam em falta na indústria atual.
Que bom, por isso, que existam projetos como este, e que nenhum de seus funcionários não serão demitidos por “corte de custos”, “replanejamentos estratégicos”, ou por “terem nota amarela no diacho do Metacritic”. Se bem que, por lá, o game estreou com “nota verde”, o que mostra que todo mundo aprecia criatividade, e jogos que são, antes de qualquer coisa, divertidos.
Por isso, se você jogou ou ainda joga Tony Hawk, Jet Set Radio ou Neon White, se divertia com os clássicos e barulhentos arcades da SEGA, ou só quer um jogo de ação arcade que não se leva a sério demais, Denshattack entrega exatamente o que promete: um passeio off-the-rails cheio de estilo, velocidade e absurdo. Vale a pena pular no trem. E viva a criatividade nos games!
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