Sony Electronics elogia o “ritual do disco de vinil” no X e o pessoal não perdoou, questionando no post o fim das mídias físicas no PlayStation

A conta oficial da Sony Electronics postou neste domingo um vídeo promocional da vitrola LX3. A mensagem fala em redescobrir o calor, o detalhe e o ritual do vinil. “Abaixe a agulha, aperte o play e aproveite a música do jeito que ela foi feita para ser ouvida”, diz o texto. Em menos de 24 horas, a publicação já ultrapassava 1,3 milhão de visualizações e milhares de respostas. Mas a maior parte delas não falava de áudio: falava de games.
O que pegou é que o timing pegou muito mal. Pois como todo mundo sabe, no começo de julho, a PlayStation anunciou que a partir de janeiro de 2028, nenhum jogo novo para seus consoles sairá mais em disco. A decisão, que abre mão das mídias físicas para focar apenas no digital, ainda gera muita conversa e a vitrola da mesma marca virou o alvo perfeito por quem está insatisfeito com esta situação.
“Alguém avisa o pessoal da PlayStation. Aparentemente mídia física vale a pena mesmo sendo nicho. Jogos de PS são muito maiores que vinil. Ainda assim eles querem matar a cultura gamer por lucro. Vergonha”, escreveu um usuário. Outro foi mais direto: “Isso é mídia física? Você tá bem, Sony?”. Um terceiro resumiu o sentimento geral: “Não lembro de ter visto nada tão desafinado com o que está acontecendo com os discos agora”.
A ironia se repete em dezenas de comentários, com muita gente apontando que a Sony Music continua lançando álbuns em vinil e CD, que a Sony Pictures ainda vende Blu-ray, e que a divisão de eletrônicos aposta no toca-discos como algo que “é um ritual”. Só a PlayStation parece determinada a abandonar o formato físico. “Sony Electronics faz vitrola e player de Blu-ray. Sony Music lança vinil. Sony Pictures lança filme em disco. Sony PlayStation? Mídia física, o que é isso?”, ironizou outro perfil.
Mas como em toda discussão, tem quem defende a propaganda. Estes argumentaram que a Sony Electronics não decide a política da PlayStation, já que são departamentos diferentes, além de afirmarem que o vinil vive um momento de recuperação enquanto o disco de game realmente vende cada vez menos. A maioria das respostas, porém, mostra que estes argumentos não importam. Eles querem saber apenas por que o ritual vale para o vinil e não vale para o jogo.
Teve ainda quem argumentou que, “além de ser uma decisão anti-consumidor”, ainda diz que “quem sabe parem de fazer jogos de 300-400 milhões de dólares, quando títulos como Kingdom Come Deliverance II e Clair Obscure custaram 1/10 e ficaram 10 vezes melhores do que fizeram nos últimos tempos”.
A publicação da vitrola chegou num momento em que a conversa sobre propriedade digital e mídias físicas ainda está quente. Desde o anúncio de julho, jogadores reclamam de perda de revenda, de dificuldade de emprestar, de risco de games sumirem das lojas digitais no futuro, de não conseguir acessar eles anos depois da compra, ou até de perder a sua conta com todos os jogos acumulados. A LX3, sem culpa. virou o alvo da raiva dos gamers incomodados: pois, para só ués, a mesma empresa que vende o prazer de abaixar a agulha no disco físico é a que, do outro lado, prepara o fim do disco para o videogame.
O post da Sony Electronics continua no ar. As respostas também. E o debate vai continuar por um longo tempo, enquanto acompanhamos um futuro dos games cada vez mais corporativo e, por isso, talvez menos empolgante do que antes.
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