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A campanha inteira do primeiro Half-Life já roda em um Nintendo 64 com Expansion Pak

Half-Life 64 leva a campanha completa de Half-Life ao Nintendo 64 original, com Expansion Pak, 103 mapas e conversão feita pelo jogador.

Junior Candido
A campanha inteira do primeiro Half-Life já roda em um Nintendo 64 com Expansion Pak

O desenvolvedor ToxyCola publicou no GitHub o Half-Life 64, um port da campanha single-player de Half-Life para o Nintendo 64 que cobre os 103 mapas do jogo, de Black Mesa Inbound até o final com o G-Man, além do Hazard Course. Ele roda em hardware original, desde que o console tenha o Expansion Pak de 8 MB, e a versão atual do projeto é a 1.1.

Para rodar o jogo, não há uma ROM disponível pra baixar. O que deve ser feito é uma adaptação de sua cópia de Half-Life na Steam e rodar o HL64Builder.exe, disponível na página de Releases. A ferramenta localiza a instalação sozinha, converte mapas, texturas, modelos, sprites, sons e músicas (de 30 a 90 minutos, dependendo da máquina, com a maior parte do tempo gasta na compressão dos mapas) e gera o arquivo hl64.z64. Esse ROM contém dados do jogo original e, por isso, o próprio autor pede que ele fique para uso pessoal e não seja distribuído.

Um detalhe técnico: o código de movimentação do jogador, o pm_shared.c do SDK oficial da Valve, foi compilado para o processador VR4300 do console sem nenhuma modificação. Por isso, andar, correr, pular, agachar, subir escadas, nadar e até o salto longo vêm da lógica original, e o controle tende a se comportar como no PC. Já o motor gráfico precisou ser escrito do zero, porque o GoldSrc nunca teve o código-fonte liberado. Para isso, o autor usou as bibliotecas libdragon e tiny3d.

Quanto ao conteúdo, a lista é longa. As 14 armas estão lá, do pé de cabra ao snark, passando pela gauss, pela egon e pelo lança-foguetes guiado a laser. Os cientistas e o Barney seguem o jogador, os soldados procuram cobertura, e os chefes Nihilanth, Gonarch, Apache e Osprey também aparecem. As cutscenes com scripts, os trens que o jogador pode dirigir em On A Rail, o sistema de voz do traje HEV e as músicas em áudio de CD foram portados, e o save funciona como em um cartucho, na SRAM, com autosave a cada fase a partir de Office Complex e saves manuais no menu de pausa.

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Para a conversão, as texturas de 8 bits foram mantidas na paleta original, já que ela casa com o formato CI8 do N64, e a iluminação, que no PC usa uma segunda textura, foi gravada nas cores dos vértices. O ROM final fica com cerca de 63 MB, o que exige um flashcart com suporte a 64 MB, como SummerCart64, EverDrive-64 X7/V3 ou 64drive. Segundo o autor, compressão com Shrinkler e o codec de áudio ULC da libdragon é o que faz caber tudo (2.500 sons e 27 faixas de música) em um único cartucho.

Sobre desempenho, o jogador terá de 30 a 60 quadros por segundo em 320×240 no emulador ares, com média de cerca de 47 fps num teste automatizado percorrendo os mapas da campanha. As cenas mais pesadas, como o passeio de trem e trechos de Unforeseen Consequences, Office Complex e We’ve Got Hostiles, caem para a casa dos 20 fps. O autor reconhece que testou principalmente em emulador e que a velocidade em hardware real deve ser parecida, mas não foi medida cena por cena. Para emular, o recomendado é um emulador preciso (LLE), como ares, gopher64 ou simple64, pois emuladores mais antigos com plugins HLE não rodam ROMs feitos com libdragon.

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Também existem limitações que o projeto lista de forma bem transparente: a IA dos monstros é uma reescrita compacta do sistema original, sem táticas de esquadrão, não há decals (marcas de bala, sangue e queimaduras), as texturas animadas mostram só o primeiro quadro, e as tentáculos de Blast Pit pulam entre alturas em vez de tocar a animação de subir e descer. Alguns dos maiores mapas usam quase toda a memória do Expansion Pak.

Para jogar, o N64 tem três esquemas de controle nas opções, incluindo os estilos Turok e GoldenEye 1.1, com sensibilidade ajustável. Há ainda um menu de debug com god mode, noclip e atalho para qualquer mapa. O console recebeu bons jogos FPS e foi importante na ampliação do gênero, tão popular nos computadores da época, nos consoles. Mas faltava um dos melhores FPS já feitos rodando no Nintendo 64. Agora não falta mais.

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Half-Life

Ficha do jogo
Plataformas
PC
Junior Candido

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