Análise Arkade: revisitando Fading Echo, agora nos consoles
Voltamos a Corel para conferir como a estilosa aventura de Fading Echo se comporta nos consoles.
Em agosto, publicamos aqui no Arkade nossa análise completa de Fading Echo, aventura de ação da Emeteria que combina plataformas, puzzles, combate elemental e realidades paralelas em uma experiência bastante criativa. Na época, o jogo estava disponível somente para PC. Agora, com a chegada do game ao Playstation 5 e ao Xbox Series, voltamos a Corel para conferir como essa aventura se comporta nos consoles.
Na ocasião nosso camarada Gilson destacou a personalidade do game, suas mecânicas envolvendo água e outros elementos e a excelente localização para o português brasileiro — mas também apontou a repetitividade do combate e alguns momentos de exploração pouco intuitivos.

Como este é um jogo que sempre chamou a minha atenção, aproveitei o lançamento dele nos consoles para experimentá-lo. Porém, quero deixar claro que esta não é uma análise completa do jogo: se você quiser conhecer em detalhes a história, os personagens, os puzzles, o sistema de elementos e todos os outros aspectos da experiência, recomendo conferir a análise do Gilson, que jogou a versão PC. Hoje estou aqui mais para avaliar a experiência de jogar Fading Echo no console.
Uma aventura que continua funcionando muito bem
Para quem está chegando agora, Fading Echo coloca o jogador no controle de One, uma jovem capaz de manipular o Æther e assumir uma forma líquida. A partir daí, o jogo constrói praticamente toda a sua experiência em torno dessa habilidade. Transformar-se em água permite atravessar espaços estreitos, movimentar-se de maneiras diferentes e fundir-se com outros elementos espalhados pelos cenários.

A grande sacada é que a água não funciona apenas como uma habilidade de movimentação. Ela faz parte de um sistema elemental que também envolve lava, veneno e outros materiais, criando diferentes possibilidades para exploração, combate e resolução de puzzles.
Vamos precisar transportar elementos sólidos, alterar suas propriedades ou combinar suas características para abrir caminhos. Também existem as chamadas Sombras, versões alternativas de uma mesma realidade que podem apresentar objetos, caminhos e obstáculos diferentes — e transitar entre as realidades é outro ponto de destaque da campanha.

Essas continuam sendo as partes mais interessantes de Fading Echo. A mecânica de fluidos é muito interessante e bem executada, e o jogo brilha quando nos permite experimentar e descobrir por conta própria como suas mecânicas podem ser combinadas. A movimentação também continua sendo bastante agradável e dinâmica.
Jogando Fading Echo no PS5
No Playstation 5, Fading Echo apresenta uma experiência bastante estável, mantendo suaves 60 frames por segundo durante a jogatina. O resultado combina muito bem com a proposta do jogo, especialmente porque agilidade na movimentação e desafios de plataforma são partes fundamentais da experiência.

A transformação de One em água, os saltos, as esquivas e interações com o cenário exigem respostas imediatas, e uma taxa de quadros estável contribui para deixar tudo mais confortável. E, como não estamos diante de uma aventura tecnicamente gigantesca ou de um mundo aberto que exige um hardware extremamente poderoso, a versão de PS5 entrega o esperado: uma experiência fluida e consistente.
Uma coisa que eu gostaria de ter visto na versão PS5 do jogo é um bom uso do DualSense. Já estamos nos encaminhando para o final desta geração, e até agora o DualSense segue sendo mal aproveitado pela esmagadora maioria dos jogos. Acho que, tirando Astro Bot e alguns poucos exclusivos, ninguém se dá ao trabalho de explorar o potencial do controle.

Considerando que este é um jogo no qual podemos nos transformar em água e nos locomovermos nesta forma, eu queria sentir o controle ficando “aquoso” na minha mão. O feedback háptico é capaz de aumentar muito a imersão, mas infelizmente, não foi usado aqui. O jogo usa a vibração do controle de forma tradicional, sem criar algo que realmente mude a sensação do controle nas mãos.
Português brasileiro e audiovisual
Se tem um aspecto que segue sendo um dos maiores méritos de Fading Echo é sua localização. O jogo possui dublagem completa em português brasileiro, além de textos e menus traduzidos, e isso continua sendo um diferencial importante para uma produção desse porte.

A dublagem conta com nomes conhecidos do público brasileiro, como Guilherme Briggs, Carol Valença, Adriana Torres, Flávia Saddy e Reginaldo Primo, e o talento desse timaço ajuda a injetar muita personalidade aos personagens. É um trabalho primoroso, que consegue superar mesmo o que vemos em jogos maiores e mais endinheirados.
Para completar, toda a direção artística de Fading Echo é nada menos que espetacular. Cenários coloridos, personagens estilosos e uma animação com uma vibe meio Aranhaverso que é muito charmosa. Em se tratando de audiovisual, o jogo é um deleite — e faz isso sem ser pesado ou comprometer o desempenho.
Conclusão
Fading Echo continua sendo uma experiência facilmente recomendável por suas ideias criativas, seus puzzles interessantes, seu gameplay fluido e bem calibrado e sua direção de arte pra lá de caprichada.
É fato que os combates tendem a ficar repetitivos e a vibe meio abstrata de alguns ambientes pode tornar a exploração um tanto confusa, mas fora isso o jogo é um sopro de criatividade e estilo em uma indústria que tem cada vez mais medo de inovar.

No Playstation 5, o jogo roda de maneira fluida, se mantém confortável nos 60 fps, não apresenta gargalos de desempenho e mantém toda a qualidade audiovisual e a excelente localização em português brasileiro. Só faltou explorar com mais carinho o potencial do DualSense para realmente transformar a versão de PS5 em uma experiência diferenciada.
Independente da plataforma, uma coisa é certa: Fading Echo é um jogo divertido e que esbanja personalidade. Não é perfeito, mas continua sendo um daqueles projetos que merecem atenção justamente porque tentam fazer algo diferente.
Fading Echo está disponível para PC, Playstation 5, Xbox Series e Nintendo Switch 2, conta com uma demo gratuita em todas as plataformas.
- Lançamento
- 16 de fevereiro de 2018
- Desenvolvedora
- Zoink Games
- Publicadora
- Electronic Arts
- Gênero
- Ação-aventura




