Análise Arkade: Mandragora: Whispers of the Witch Tree é um belo e divertivo Metroidvania Souls-like

21 de maio de 2025

Lá em março nós publicamos nosso preview de Mandragora: Whispers of the Witch Tree, da Primal Game Studio. Vamos agora conversar um pouco mais sobre o game, após jogá-lo inteiramente e ver muito mais do que foi visto da primeira vez!

Recapitulando

Para não fazer uma análise repetitiva, antes de seguir adiante confira nosso Preview do game, que cobre muita coisa, pois pudemos jogar uma grande parte dele antes de seu lançamento. Daqui adiante, focarei em desenvolver um pouco mais dos tópicos abordados no review, bem como comentar um pouco mais sobre o que vi no game num geral, além de poder avaliar melhor seus pontos fortes e fracos.

Mandragora: Whispers of the Witch Tree é ambientado no mundo de Faelduum, um mundo Medieval Mágico que está enfrentando uma terrível crise. Monstros surgem aos montes de todos os lugares, massacrando tudo em seu caminho e destruindo cidades e vilarejos inteiros. A humanidade se refugia e luta como pode, não só contra os monstros, mas contra a tirania da Cidade Carmesim, liderada pelo poderoso Clérigo Rei, que não mede esforços para conseguir o que quer, mesmo se isso significar declarar guerra com cidades vizinhas.

Nesse mundo, o líder da Cidade Carmesim conseguiu finalmente capturar uma bruxa, exibindo-a a seu povo como um troféu e torturando-a publicamente. O protagonista, um dos Inquisidores da cidade, não aguenta ver a tortura e decide matar a bruxa para colocar um fim tanto no sofrimento dela quanto na barbaridade. E então, algo estranho acontece: A alma da bruxa entra no corpo do Inquisidor, que passa a conseguir ouvir sua voz em sua mente.

Vendo isso, o líder da cidade ordena o Inquisidor a buscar uma segunda bruxa que está escondida em algum lugar e trazê-la viva até ele. Seguindo essas ordens, o Inquisidor inicia sua viagem, logo descobrindo que a tirania da Cidade Carmesim, que promete trazer salvação à humanidade, esconde muito mais do que aparenta, e a bruxa cuja alma agora vive em seu corpo, chamada Mandragora, começa a lhe mostrar a verdade sobre o mundo e sobre o verdadeiro perigo, que está prestes a destruir tudo: A Entropia, uma dimensão de destruição pura, que está vazando para o mundo de Faelduum, abrindo portais por todos os lados e abrindo caminho para as invasões de monstros.

Uma coisa que merece muito destaque é a história e construção de mundo do game, que é realmente excelente. Todos os seus personagens são interessantes, muitos contendo quests que desenvolvem bem suas histórias e apresentam diversos perigos e recompensas para o jogador, e vale muito a pena seguir essas quests. Narrativamente, Mandragora: Whispers of the Witch Tree é extremamente bem sucedido.

Um combate bem feito, mas burocrático onde deveria ser simples

O gameplay de Mandragora é simples e fácil de aprender, com controles básicos de ataque, defesa, esquiva, pulo, aparar e usar habilidades especiais. Inicialmente, tudo parece seguir o básico, até você desbloquear novas habilidades e abrir o menu para equipá-las, que é onde você descobre que todos os controles relacionados a uso de equipamento a sua disposição são equipáveis! Inclusive o botão básico de ataque!

Exatamente! Você pode, por engano, desequipar a habilidade de ataque e não conseguir fazer nada com uma arma nas mãos! Todas essas habilidades são chamadas de Habilidades Ativas, que envolvem todos os tipos de ações básicas de cada classe disponível. Ataque normal, ataque pesado, habilidades com escudo, colocar veneno em sua arma, cobrir sua arma com fogo, usar magias, armadilhas, tudo isso são habilidades ativas. Felizmente, você desbloqueia elas ao subir de nível, matar chefões específicos ou as vezes como itens de cenário.

Um outro problema são as restrições de classes. Em Mandragora, trocamos a Essência, as “almas” do game, obtidas ao matar inimigos, em pontos de experiência. E com esses pontos evoluímos as árvores de habilidades passivas, que são gigantescas e separadas pelas classes disponíveis. Essas árvores liberam pontos de evolução de stats, como aumentar força, aumentar a barra de vida e de vigor, e, conforme você avança por elas nodo a nodo, libera alguns buffs passivos, como absorver vida ao atacar, causar sangramento, além de muitos outros efeitos muito úteis.

Um problema dessas árvores é serem muito restritas. Ao escolher sua classe inicial, você fica preso nela até o nível 25, quando enfim libera todas as outras. Mas para evoluir cada uma, você precisa alocar pontos de experiência em cada uma individualmente, o que é bastante contraintuitivo.

Se você quiser, por exemplo, ter um personagem capaz de usar espadas e soltar magias de fogo, precisará pegar pelo menos 1 nível na classe específica que usa magia de fogo. O mesmo para cada uma das outras classes. Felizmente, você só precisa de um nível para utilizar todas as suas habilidades, então quando você chegar lá no nível 35 terá pontos mais que o suficiente para desbloquear cada classe. O problema é, especializar-se em mais do que uma pode não contribuir muito para a build que você estiver fazendo. Mas, pelo menos, cada árvore de habilidades possui nodos para todos os stats de personagem.

Mas, no fim, com exceção das configurações de habilidades equipáveis, o game não apresenta muitas dificuldades técnicas. É incômodo alterar seus equipamentos, caso queira testar alguma estratégia diferente, tendo que mudar suas armas e as habilidades ativas. Pelo menos no meu caso, em que eu gosto mesmo é de jogar RPGs de ação na base do combate corpo-a-corpo, precisei trocar de habilidades muito pouco.

Mais uma vez elogiando seu visual incrível

Na preview que publicamos, deixei bem claro que o visual de Mandragora: Whispers of the Witch Tree é belíssimo. Mal eu sabia que ainda havia muito mais coisas a se ver no game! Os seus cenários são incríveis, nunca tendo repetição de elementos, mesmo se estivermos explorando cavernas escuras ou criptas habitadas por mortos-vivos. Cada cenário foi meticulosamente construído, e isso é muito bem visível.

A animação dos personagens é tão fluída que parece até mesmo o trabalho de animação para um filme. Nada no game se move de forma “endurecida” (Com exceção do chefão “Rainha dos Sorrisos”, que é basicamente uma marionete de ossos”), tudo é feito com tanto esmero que não há nenhum cenário “simples demais” ou sem graça no game.

E o melhor de tudo são as ilustrações de cada personagem que aparecem na tela durante os diálogos, todas feitas a mão e com uma mistura de efeitos que faz com que pareçam até modelos 3D, com olhos se mexendo, sutis mudanças de perspectiva ao mexerem seus rostos, cabelos mexendo, é realmente incrível.

A atuação dos atores dando vozes aos personagens também são excelentes. Nenhum entrega um trabalho preguiçoso, mesmo quando estão atuando como um personagem preguiçoso! Andar por cidades e ver os personagens ao fundo interagindo entre si e conversando é muito legal. E adiciona profundidade e vida a todo o game.

Sua trilha sonora é igualmente bem feita, sempre criando o clima perfeito para cada local em que estamos, seja uma cidade protegida, o hub principal, em que encontramos e interagimos com personagens que ajudam a melhorar equipamentos, e até mesmo nos mais macabros lugares que podemos visitar.

Conclusão

Essa análise foi relativamente curta, pois já cobrimos bastante do game em nosso preview, em especial em termos de gameplay e audiovisual. A história do game, por outro lado, pudemos conferir bem mesmo com o game lançado. E a construção do mundo de Faelduum, toda a sua lore e toda a história entre o Inquisitor, as bruxas e a invasão da Entropia criam uma história bastante envolvente e em constante evolução.

O gameplay é simples e bem feito, mas algumas de suas mecânicas, como equipar habilidades básicas, é algo estranho, que pelo menos no início podem causar bastante confusão. A possibilidade de evoluir diferentes classes parece puxar um pouco da mecânica de Multiclasse de D&D, em que você sobe de nível individualmente em cada classe, diferente dos games da Fromsoftware em que classe não significa muita coisa, fora qual será seu equipamento e stats iniciais.

Mandragora: Whispers of the Witch Tree, no fim das contas, é um Metroidvania Souls-like incrível e muito divertido. Não é perfeito, pois as mecânicas de troca de habilidades e árvore de habilidades passivas restritiva são um empecilho nos primeiros 25 níveis de personagem. Mas quando você enfim se fortalece, aí nada mais pode te segurar.

Mandragora: Whispers of the Witch Tree foi lançado no dia 27 de março com versões para PC, Playstation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch.

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Renan do Prado

Amante de Metal Gear, platinador de Soulsborne e exímio jogador online (quando o lag não atrapalha).

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