Análise Arkade – Myst e Riven Remake trazem visuais novos para os bons e velhos puzzles clássicos

13 de junho de 2026

Nos anos 90, os jogos não tinham o costume de te segurar pelas mãos e guiar você durante a jornada. Em especial os jogos de puzzle, que ofereciam quebra-cabeças dos mais complexos que, sem exagero, mantinha jogadores presos por horas para resolver apenas um puzzle, sem YouTube e nem fóruns pra ajudar.

Para resgatar estes momentos do passado (bons para uns e tenebrosos para outros), os remakes de Myst e Riven da Cyan Worlds são uma boa para reviver ou conhecer um tipo de jogo bem comum aos jogos do passado. Eles pegaram a fórmula original dos anos 90, com exploração lenta, mundos estranhos ligados por livros e quebra-cabeças que exigem atenção de verdade e trouxeram a essência de ontem pros dias de hoje com visuais mais caprichados e controles adaptados.

Tanto no PC via Steam quanto nas versões recentes de consoles, a essência continua a mesma: é você contra o mistério, e precisando descobrir a solução de cada problema proposto.

O primeiro da dupla é o Myst remake, que te coloca acordando, do nada, numa ilha no meio do nada, sem explicação nenhuma, nem de onde está, nem de como chegou lá, e nem para onde ir. Para ajudar, tem uns livros antigos que funcionam como portais pra outros mundos, conhecidos como Ages.

Assim, a tarefa principal é juntar páginas coloridas para os filhos do Atrus, que estão encrencados em situações diferentes. O jogo praticamente não te fala nada e te “abandona” no meio de tudo. Você tem que explorar tudo clicando em objetos, girando mecanismos, observando padrões e descobrindo na raça, na percepção e na vontade o que é preciso para resolver os puzzles, indo e voltando por todo o local do game.

Isso cria uma imersão forte, até maior do que os jogos atuais conseguem entregar. Pois estamos falando de puzzles, que naturalmente entregam aquela sensação de “consegui” , que é bem gostosa e gratificante. Há pistas que não levam para lugar nenhum e outros elementos que são fundamentais, o que rende muita exploração e análise, para aplicar tudo de forma correta.

No remake, tudo segue o mesmo princípio, mas obviamente com uma iluminação nova e draw distance maior ajudam a vender a ilusão de um lugar real e distante, que fica bem melhor em comparação aos monitores de PC de antigamente. A ilha principal mantém o visual bacana do passado com as devidas melhorias, e os outros mundos também ganham vida com os detalhes de luz e sombra. E pelo gênero do jogo, tudo flui bem tranquilo, sem grandes sustos.

Porém, quem não conhece os games e espera ação ou tensão constante vai achar o ritmo bem devagar, mas muito devagar mesmo. É um game onde não existe combate e não tem perigo real de morrer. É só exploração, observação e raciocínio.

Hoje em dia dá pra contar com tutoriais, vídeos e fóruns para ajudar, mas é claro que o jogo foi feito para ser explorado de forma solitária, independente. Entretanto, é o jogador que escolhe como aproveitar melhor, até porque dá pra aprender em uma primeira jogada, para voltar ao game e conferir os finais alternativos, ou ainda uma joga opção randomizado que bagunça a ordem original do jogo para quem quiser se dedicar mais ainda ao game.

E além de Myst, o remake de Riven é a continuação direta do game, lançado originalmente em 1997, que também ganhou melhorias e expande bastante o que funcionou no primeiro. A história continua: você vai desta vez até Riven, o Quinto Age, pra lidar com o vilão Gehn, que aprisionou a Catherine.

Desta vez, o mundo é maior e mais conectado, com cinco ilhas interligadas em vez de um hub central como a biblioteca do Myst. Isso dá um fluxo mais amplo de exploração e vai te fazer andar bastante por lá, em um vai e volta entre as áreas com informações novas, e como toda b Jo a sequência, deixou os elementos do jogo original ainda melhores.

Os quebra-cabeças ficaram mais elaborados. Tem mecanismos complexos que exigem paciência e atenção aos detalhes menores, especialmente se você for jogar pela primeira vez sem nenhuma ajuda, mas desta vez eles seguem algo mais focado em exploração do que simples testes de lógica.

E como em todo bom jogo do gênero, a recompensa vem de resolver tudo, após analisar e aplicar a solução correta. O jogo inclui um caderno bem útil onde você tira prints e anota em cima, que ajuda pra caramba a não esquecer símbolos e pistas. Mesmo assim, dá pra jogar como nos velhos tempos, com um caderninho do lado para anotações.

Visualmente, o Riven remake também impressiona. A iluminação é excelente e alguns cenários, ficaram realmente bonitos. A sensação de mistério e poder nos ambientes ainda funciona bem. Ainda mais levando em consideração que você vai ter que visitar estes locais muitas vezes.

Comparando os dois lado a lado, apesar de terem sido lançados como jogos separados, dá pra entender o contexto e diferenças dos dois, que acabam valendo a experiência completa se jogados juntos. Myst tem quebra-cabeças mais diretos e satisfatórios, enquanto Riven é um digno “jogo 2”, ampliando o conceito original, com mais história, um mundo maior e mais vivo, e replay maior por causa dos elementos a mais e dos múltiplos finais. Os dois mantêm aquela vibe de jogo que confia na inteligência do jogador e que não oferecem praticamente nenhuma ajuda.

Se você gosta de point and click clássicos, de aventuras que valorizam a descoberta lenta e de mundos que parecem saídos de um livro estranho, esses remakes são uma boa pedida. Apesar de serem remakes, eles entregam uma experiência old school, que podem afastar alguns, mas entregam uma imersão difícil de encontrar hoje em dia.

Apesar de achar que os dois jogos poderiam ser ter lançados juntos, é interessante poder contar com as duas experiências, mesmo vendidos separadamente. Pra quem tem curiosidade mas ainda tem dúvidas, vale esperar uma promoção de algum bundle, mas também dá pra se divergir de forma isolada, com um dos dois jogos, apenas lembrando: Myst é mais focado na lógica e mais direto, enquanto Riven, por ser maior, é um pouco mais parecido com os puzzles atuais.

Pra quem jogou os originais há anos, a repaginada visual e os controles atualizados dão uma sensação de nostalgia misturada com frescor. Pra quem tá chegando agora, é uma chance de experimentar um estilo de jogo que influenciou muita coisa depois. Prepare o raciocínio, aceite que vai passar muito tempo pensando em apenas um puzzle e aproveite o processo.

O que entrega, no fim, uma aventura com gráficos atuais mas com gameplay das antigas, que revivem um capitulo importante da história dos games e ainda chegam em boa hora, quando muitos, por nostalgia ou interesse por um passado não vivido, tem conhecido ou revivido produtos e elementos das antigas.

Myst e Riven remake já estavam disponíveis na Steam, mas agora também estão disponíveis para PS5 (com versão para PSVR2) e Xbox Series X|S.

Junior Candido

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