Análise Arkade – Relic Hunters Legend traz carisma e diversão com gameplay frenético

26 de agosto de 2025

Cerca de dez anos atrás, falar de jogos brasileiros era, ainda, como falar de projetos experimentais, mesmo com alguns bons jogos já dando o ar de sua graça e confirmando o que já sabíamos há tempos: que o desenvolvedor brasileiro tem talento.

Uma década depois, as lutas para se produzir jogos aqui no nosso Brasil continuam, mas a qualidade de nossos estúdios renderam não só bons jogos, como franquias interessantes, como Relic Hunters, que já conta com boas aventuras e, neste mês, viveu um novo capítulo em sua história.

A jornada de desenvolvimento de Relic Hunters Legend, da brasileira Rogue Snail, reflete tudo isso, sendo um esforço digno de aplausos de superação diante de desafios.

Pois em junho de 2024, pouco depois de conhecermos o game em uma preview, uma nota anunciou o fim da parceria com Gearbox Publishing e a retomada do controle total sobre o jogo. O que faria com que o projeto fosse repensado e que decisões tivessem que ser tomadas.

Assim, apesar das dificuldades, incluindo demissões e mudanças na equipe, o estúdio seguiu em frente, adaptando-se a nova realidade e lançando atualizações significativas, como o modo offline e uma experiência inicial renovada.

Neste review, exploramos os detalhes dessa transição, as impressões sobre o gameplay da versão que chegou aos PCs e consoles Xbox, além de como ele segue conquistando jogadores com carisma e competência.

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A evolução de uma “turminha do barulho”

Os Relic Hunters já são um grupo de heróis com muita história para contar. Quatro jogos já narram suas aventuras, com direito a Rebeldes, um jogo exclusivo para assinantes Netflix, que você pode jogar agora mesmo no seu celular, caso tenha assinatura da plataforma de streaming.

Neste contexto, Legend foi concebido para mostrar tudo o que foi aprendido no passado, para entregar uma aventura mais lapidada, mais completa, e que demonstrou durante todo o tempo e Early Access, respeitar o jogador recolhendo o seu feedback para ajustes e melhorias.

No game, o jogador entra em treta com o imperador Duque Ducan, que reescreveu a história, ao roubar o passado. Assim, tudo o que ele fez de errado foi “transformado” em algo positivo, para que seu poder fosse total, sem contestações.

Assim, os Relic Hunters voltam a ação, agora para lidar com os vilões patos, e com a ajuda do misterioso Seven: um aliado poderoso, sem memórias, mas que pode viajar no tempo, essencial para o sucesso da missão.

Seven é o personagem que introduz o jogador no game, sendo jogável em toda a missão de introdução. É com ele que você vai conhecer a dinâmica do jogo, que é um looter-shooter como Borderlands ou The Division, mas com visão aérea, e visual cartunesco.

E é nessa pequena introdução que você já percebe como o game tem potencial. “Mapas” fechados repletos de inimigos esperam você para combates frenéticos, mas fáceis de se dominar e aproveitar. Sim, você tem que se mover a todo tempo, mas não precisa se enrolar com o tiro, por exemplo, ao contrário de alguns jogos com o mesmo tipo de visão que complicam a ação.

Apesar de lidar com fases fechadas, o jogador tem liberdade de explorar, pouco a pouco, o que quiser, o que deixa os locais prontos para exploração total e evolução. E, é claro, pra quem gosta, dá pra cair na aventura com até quatro personagens, o que deixa, com certeza, muito mais divertido, para quem joga com amigos.

Mas eu, antissocial que sou, me diverti sozinho também. Ou seja, o game entrega boas experiências sem “obrigar” ninguém a jogar de uma forma só.

Os personagens seguem aquela ideia de “falta uma coisa aqui mas compensa outra lá”. Todos feitos com árvores de evolução, para quem adora evoluir personagens durante a ação, e que os deixarão cada vez melhores para explorar os quatro mundos do game, com fases sendo desbloqueada com o seu rank no game.

As missões, variadas, são as responsáveis por isso e, se o jogador já estiver fisgado pelo carisma e competência do game, já vai querer explorar tudo, para aproveitar ao máximo o que o jogo tem para oferecer.

Impressões do Gameplay e Visual

Já tínhamos conhecido o game em uma prévia de Relic Hunters Legend de 2023, e as sensações foram positivas. O gameplay, antes e agora, segue se destacando pela agilidade, simplicidade e diversão, com mecânicas bem estruturadas que facilitam a adaptação, mesmo para quem está jogando pela primeira vez.

A combinação de elementos de ação e personalização de personagens oferece uma experiência mais profunda do que um game destes poderia ser, mas que vai agradar em cheio quem queria exatamente jogos assim.

O visual cartunesco do jogo traz um charme único, com designs coloridos e detalhados que criam uma atmosfera leve. A dublagem, feita de forma simpática, complementa os personagens, que continuam cativantes e bem desenvolvidos.

O jogo, felizmente, não reinventa a roda, evolui o que já foi apresentado no passado da franquia e continua, em sua nova aventura, se apresentando como uma alternativa honesta e divertida para quem quer um jogo de ação frenética, mas que troca contextos mais violentos ou dramáticos por algo que parece ter fugido do Sábado Animado.

Mesmo com desafios, Relic Hunters Legends é uma grande vitória

De acordo com dados da Steam, Relic Hunters Legend foi bem recebido, com 65% de aprovação entre mais de 1.000 usuários. O game, em sua versão final, inclui modos como missões cooperativas para até quatro jogadores, áreas de exploração e desafios como masmorras e mapas de tesouro.

A ausência de microtransações abusivas e barreiras artificiais é um diferencial que rendeu elogios dos jogadores e de minha pessoa, já que a prioridade está na experiência dos jogadores.

E além do gameplay divertido e caprichado, seu enredo, que poderia ser o mais preguiçoso e genérico possível, sem culpa nenhuma, ainda consegue trazer uma história simples, mas cativante. Assim como muito desenho animado de qualidade que fazia a mesma coisa. Muita coisa que “não era necessário” está presente no game, o que amplia ainda mais a sua qualidade, mesmo com os desafios que já conhecemos.

A trajetória de Rogue Snail com Relic Hunters Legend mostra como um estúdio brasileiro pode superar adversidades, sejam elas internas ou externas, e manter um projeto vivo. Apesar das mudanças, o foco no feedback da comunidade e na qualidade do jogo permaneceu. Para quem busca um título com gameplay fluido, visual atraente e uma equipe dedicada, vale a pena acompanhar as atualizações.

Com as melhorias contínuas, o futuro do jogo parece promissor, e a paixão da equipe segue como base para novas conquistas.

O game já está disponível no PC, onde já estava em Acesso Antecipado por alguns anos, e agora também se encontra nos consoles Xbox.

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Junior Candido

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