Análise Arkade – Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers

Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers chegou nesta semana, em 19 de março, para PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox e PC. O título, desenvolvido pela City Connection e publicado pela Clear River Games, atualiza a série dos anos 90 da Jaleco, que no Ocidente ganhou os nomes Rival Turf e Brawl Brothers.
Obviamente, o foco está no bom e velho beat ‘em up, trazendo um visual mais moderno e elementos que tentam somar no gênero, que embora não tenha tanto espaço para inovação, tem vivido bons momentos atualmente, com jogos de qualidade chamando a atenção dos nostálgicos e até atraindo quem quer uma jogatina mais simples e direta.
A trama leva os jogadores de volta a Neo-Cisco, uma cidade tomada pelo vírus Zeekus. Criado por um cientista, o patógeno transforma moradores em zumbis que atacam sem controle e transformam o game em uma espécie de Resident Evil 2, mas com mais barulho e fanfarronices.

Rick Norton e Douglas Bild, os protagonistas clássicos, ganham reforços de quatro novos lutadores para descobrir o plano por trás da ameaça. A história avança por diálogos, como nos jogos clássicos, com imagens ou cenas do game e muito diálogo. Diálogo até demais, diria… mas vamos prosseguir.
Pois é o combate que interessa aqui. Naquela famosa ideia de que estamos em uma era longe do beat ‘em up, jogadores novatos contam com auto-combos automáticos, enquanto jogadores experientes contam com acesso a ataques canceláveis, contra-ataques cronometrados e finalizadores chamados Beat Rush.
Cada personagem tem estilo próprio, com os famosos atributos que dão mais elementos para um e menos para outros: Rick Norton usa artes marciais mistas, Douglas Bild aposta em luta livre, Lord J domina jujitsu, Wendy Milan traz wrestling, Kazan ninjutsu e Kahlua luta autodidata. O medidor de fúria enche com acertos e danos recebidos, ativando o Rage Mode que aumenta velocidade, força e libera golpes especiais.

Há um furgão entre as fases como uma “área de repouso”, e é possível comprar e combinar alimentos para recuperar vida além de ganhar bônus temporários mecânica que soma um pouquinho de estratégia para a pancadaria do jogo.
São nove cenários variados e bem a cara dos jogos antigos, que vão de shoppings cheios de neon aos famosos becos sujos, passando por metrôs subterrâneos e laboratórios de alta segurança. Cenários que com certeza você já conhece muito bem de outros carnavais.
Muitos permitem escolhas de caminho, missões secundárias e destruição de objetos para itens ou armas escondidas. O modo cooperativo local para dois jogadores permite misturar estilos e sincronizar sequências, o que faz a diversão em dupla especificamente diferente, como um bom jogo do gênero.

Apesar de ser um jogo de “andar para o lado”, o visual é em 3D e traz câmeras dinâmicas e alguns trechos isométricos, atualizando o visual original de Super Nintendo para os consoles atuais. O narrador anuncia as fases, com toda aquela barulheira de jogos do passado, e os personagens soltam frases durante as brigas, embora as vozes sejam limitadas e repetitivas. A trilha mantém o clima retrô acelerado.
O sistema de combos é interessante: permite cancelar movimentos, girar ataques e usar o ambiente como um bom jogo do gênero, como arremessar inimigos contra paredes ou vitrines, além do uso de armas, que jogadores de Cadillacs and Dinosaurs vão lembrar muito bem.
A variedade de chefes e a falta de noção digna dos anos 90 da trama (incluindo sequências de dança com zumbis) também são bem vindas, já que o jogo, desde o seu primeiro segundo, não se leva tanto a sério, o que faz com que um jogo como este funcione melhor e foque apenas no que interessa: a sua ação.

O beat ‘em up aqui não é dos mais inovadores, mas vamos combinar que o gênero não tem muito o que ser feito no quesito inovação. Então, dentro do que o game se propõe, tudo funciona bem dentro do gameplay e vai agradar quem quer, no mínimo, desligar o cérebro e bater em inimigos sem pensar em lore, puzzles ou coisas semelhantes.
Por outro lado, o game tem muito blá blá blá. É muita conversa pra um jogo que você simplesmente bate em tudo o que se move. Dá pra ir avançando? Sim, mas tem muita linha de diálogo pra um enredo envolvendo vírus e zumbis.
E um outro ponto, aí observando o que se espera em um jogo atual, é a falta de mais conteúdo, com o jogo se limitando em pedir maiores pontuações em fases já visitadas. O jogo acaba sendo o “simples, mas arrumadinho”, ao entregar o essencial de um jogo de pancadaria com qualidade, com toda aquela barulheira e gráficos coloridos de fliperama, mas sem maiores inovações.

Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers funciona bem para quem jogou os originais da Jaleco e para quem gosta de jogos deste tipo. Com preço acessível, ele oferece várias horas de ação cooperativa ou solo. Se você procura um beat ’em up que atualiza mecânicas dos anos 90 sem perder a essência das brigas de rua rua, vale o gameplay.
Pois, como sempre digo, é um daqueles jogos que funcionam em sessões rápidas, ou para quem quer jogar algo mas não quer se envolver, pela razão que for, com recursos mais complexos de outros jogos.
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