Análise Arkade: Tony Hawk’s Pro Skater 3+4 abraça a nostalgia sem abrir mão da inovação

30 de julho de 2025

Tony Hawk’s Pro Skater 3+4 chega com a difícil missão de suceder o ótimo remake de Tony Hawk’s Pro Skater 1+2 e, de quebra, atualizar dois dos jogos mais queridos da franquia. Como será que ele se sai?

Antes de começarmos, uma constatação dolorosa: estamos velhos, caro leitor. Os jogos aqui refeitos já completaram mais de duas décadas de vida, mas quem jogou ali nos tempos do PS1, PS2 sem dúvida tem boas memórias de fazer manobras e coletar fitas VHS ao som de clássicos do punk rock.

Nostalgia e memória muscular

E é exatamente esta nostalgia que estes remakes de Tony Hawk’s Pro Skater abraçam. Sem reinventar muito, sem ousar demais, eles trazem uma bela união entre os skatistas “da velha guarda” e as novas gerações que estão dominando o esporte — com destaque para a medalhista olímpica brasileira Rayssa Leal.

A jogabilidade é precisa e fiel à experiência original, ainda que refinada ao máximo para tornar a experiência ainda mais “macia” e fluida: os controles respondem com rapidez e tanto o jogador calejado quanto o iniciante logo estará emendando flips, grabs, rails e manuals em combos que desafiam a gravidade.

O jogo traz um extenso tutorial que ensina de forma muito didática os pormenores do gameplay. Acho válido que você gaste um tempinho por ali, mas é fato que a memória muscular é uma coisa maravilhosa: em pouco tempo de jogo, já sentia meus dedos (+20 anos mais velhos) retomando alguma agilidade para combinar manobras “favoritas” enquanto eu saltava entre rampas e deslizava em corrimãos de mapas tão marcantes quanto o jogo em si.

Nova estrutura e novas pistas

Talvez a mudança mais sentida seja na estrutura da campanha de Tony Hawks Pro Skater 4, que abandona o tom mais aberto e exploratório do jogo original para se adequar ao “formatinho clássico” da franquia, de fases com tempo e um punhado de objetivos a serem cumpridos (coletar letras, fazer pontos, etc.)

A mudança causa estranheza para quem tem THPS4 como seu favorito, mas uma coisa é fato: a estrutura padrão de Tony Hawk’s e suas fases de dois minutinhos é tão boa, dinâmica e funcional, que logo eu já nem estava mais ligando para isso. Sem contar que esta uniformidade facilita a transição entre o THPS 3 e o 4 — que pode ser feita entre uma fase e outra, sem restrições, criando um fluxo entre fases que trata a coletânea como uma experiência contínua.

Claro que, para que esta mudança de formato funcione, certas coisas tiveram que cair: alguns mapas do THPS 4 original, como Carnival e Chicago, foram deixados de fora. Em contrapartida, o remake acrescentou três fases inéditasWaterpark, Movie Studio e Pinball — que se encaixam como uma luva no pacote e se integram de forma muito harmoniosa aos cenários clássicos — todos reconstruídos com texturas modernas e muita riqueza de detalhes.

Incluindo o nostálgico mapa do Rio

Para compensar esta mudança (que nem precisa ser compensada), Tony Hawk’s Pro Skater 3+4 capricha ao oferecer muitos modos de jogo multiplayer. Da tradicional tela dividida para 2 jogadores até partidas online para até 8 players, sobra espaço até para um interessante modo multiplayer assíncrono, onde um jogador esconde 4 letras em um cenário para outro jogador encontrar “no seu tempo”.

Audiovisual e polêmicas musicais

Visualmente, o remake é tão caprichado quanto nostálgico: os mapas clássicos foram modernizados com extrema atenção aos detalhes sem sacrificar a identidade visual original. A iluminação, os modelos dos mais de 30 skatistas disponíveis — com direito a convidados peculiares e personagens secretos — e a polidez gráfica como um todo são detalhes que tornam o jogo mais bonito do que nunca.

Doom Slayer é um dos convidados peculiares

A trilha sonora foi alvo de polêmicas. Isso porque ela foi bastante reformulada — algo que os nostálgicos não perdoaram. Do mesmo jeito que trouxe atletas da nova geração do skate, a Activision também quis trazer artistas que representem a cena atual do skate.

Com isso, ela trouxe algumas “favoritas” de artistas como Alice in Chains, Motorhead e Run DMC, mas cortou muita coisa para incluir artistas contemporâneos como Jeff Rosenstock, Vince Staples e Fontaines D.C. Por um lado, eu entendo esta eclética renovação do set list — este não é um jogo só para a galera +30, afinal. Por outro, o “véio paia” que vive em mim pensa “no meu tempo é que era bom”.

Recebemos a versão PS5 para análise, e o jogo rodou lisinho, sem engasgos ou travamentos e com pouquíssimos loadings. Vale ressaltar que o game recebeu um excelente trabalho de localização para o nosso idioma, chegando 100% em português brasileiro — incluindo dublagens.

Conclusão

Tony Hawk’s Pro Skater 3+4 meio que já entra em campo com o jogo ganho, e mesmo assim, joga bonito. É um remake cuidadosamente equilibrado entre nostalgia e modernidade, que atua em ambas as frentes com muita desenvoltura. Ao mesmo tempo em que entrega o que se espera de um clássico renovado, ele não tem medo de podar algumas arestas para atingir novos públicos e representar ídolos do skate que sequer eram nascidos quando os jogos originais foram lançados.

Não lembro desse mapa nos jogos originais…

Algumas mudanças — como a reformulação do modo de carreira original de THPS 4 e a trilha sonora — sem dúvida podem incomodar os mais puristas. Mas, seria injusto desmerecer o jogo por isso, especialmente porque são elementos pontuais em um pacote muito respeitoso ao material original e ao que ele tinha de melhor, que é seu gameplay aditivo e suas fases de dois minutinhos.

Em suma, trata-se de uma adaptação exemplar que resgata o legado dos “bons tempos” das manobras digitais, enquanto injeta nova energia para dialogar com as gerações atuais. Com dois modos carreira robustos e uma grande variedade de modos multiplayer, este é um jogo tão divertido e viciante quanto era antigamente!

Tony Hawk’s Pro Skater 3+4 está disponível para para PC, PlayStation 4 e 5, Xbox Series X|S, Xbox One, Nintendo Switch Nintendo Switch 2.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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