Análise Arkade – Truxton Extreme atualiza o gênero Shmup com diversão e desafio para todos

Truxton Extreme chega depois de 34 anos sem um jogo novo da série e entrega exatamente o que muita gente que curte shmup vertical estava esperando: um shoot ’em up clássico, direto e sem firula, agora com visual em 3D e algumas facilidades modernas.
O gênero, extremamente popular e que é a cara dos fliperamas barulhentos dos anos 80 e 90, foi perdendo espaço para jogos mais completos e complexos em meados dos anos 90. Até tivemos um “último suspiro” criativo, com R-Type Delta e Einhander de PS1, um dos últimos consoles, junto do Sega Saturn e outros contemporâneos, a receber os “jogos de navinha”.
Mas, hoje em dia, a democratização do desenvolvimento permite que, se o gênero não passe mais pelo interesse das mesas de reuniões das grandes corporações que mexem co me games, ao menos apaixonados por jogos assim desenvolvam seus próprios games, mantendo a chama deles acesa para quem gosta ou quem quer conhecer um jeito muito único de se curtir um game.
Desenvolvido pela Tatsujin, empresa do próprio Masahiro Yuge (o cara por trás do original de 1988), o game mantém, em pleno 2026, o DNA do Truxton da Toaplan. Obviamente, você controla uma nave, sobe a tela, destrói ondas de inimigos alienígenas e enfrenta chefes enormes. Só que desta vez em polígonos limpos, mas em uma evolução mais por dentro do que por fora, para manter aquele ambiente caótico que a gente gosta tanto intacto.
Voando na vertical, desviando e atirando!

Seja você veterano ou não, tenha jogado esses jogos no fliperama do seu bairro ou não, o jogo é aquele mesmo simples de se jogar. Enquanto “sobe” pela fase, você pega power-ups pelo caminho e monta e evolui o seu arsenal. Tem o tiro padrão, o Truxton Beam que atravessa tudo, o Thunder Laser que se espalha e trava nos alvos, e o homing que persegue.
Cada um tem uma versão EX, que permite que você encha uma barra destruindo inimigos e libera um tiro mais forte, mais denso e que te dá mais pontos (Isso mesmo! Vamos buscar pontuação máxima em 2026!). A velocidade da nave dá pra ajustar e melhorar com power-ups específicos, o que muda bastante a forma de jogar. E tem a bomba clássica, aquela que limpa a tela e ainda causa um estrago bom nos chefes.
São vários estágios, com três personagens e pontos de vista diferente. No começo o ritmo é mais calmo, quase te engana, mas quando você menos espera, a coisa aperta e a tela começa a ficar lotada de coisas acontecendo ao mesmo tempo: tiros vindos de fora da tela, padrões que exigem memorização e chefes que pedem atenção.

Mas o jogo não é tão agressivo quanto os games do passado. O game é mais amigável, te dando mais opção para controlar a nave e desviar dos tiros, mais espaço para aprender o desenrolar da “tela” e sofrer menos e não tem a caixa de dano mais precisa, tudo para você viver sim aquela adrenalina, mas sem se ver diante de um bullet he’ll sem piedade.
Como o game não precisa papar suas fichas, ele oferece um gameplay mais tranquilo (dentro de seu contexto) de aprender o mapa, saber onde ficar e quando apertar o gatilho ou usar as bombas e tiros especiais. Quem já jogou o original de fliperama ou o de Mega Drive vai se sentir em casa rapidinho, mas quem nunca jogou não terá grandes dificuldades nem maiores frustrações..
Tem até um Story Mode robusto, acredita?

Um jogo desses não precisava de história, já que jogos antigos tinham apenas uma “desculpa” para te jogar numa tela cheia de tiros e inimigos. Mas Truxton Extreme tem. Seu Story Mode conta com três pilotos (Ash, Bergamont e Cyrilla). Cada um tem um pouco de motivação própria contada em painéis de quadrinho animados entre as fases, com muito texto, demais para um jogo desta natureza.
A história não é nenhuma obra-prima e nem precisava ser, mas para um shmup já é além do esperado, com o formato de HQ dando um caráter mais pessoal para a sua missão no jogo. O único porém é que não tem fases específicas para cada um e nem naves especiais, o que torna as missões com os personagens secundários mais como um replay do que como um meio de ampliar a narrativa.

Mas quem não quiser enrolação pode ir direto pro Arcade Mode, raiz e sem quadrinhos entre as fases. E tem também o Heart Starter, um modo mais leve pra quem está chegando agora ou só quer treinar sem pressão. Não é o “modo easy”, e sin um modo de treino, com vidas infinitas e suficiente para você aprender a jogar, treinar ou mesmo passar o controle para seu filho ou sobrinho pequeno jogar sem tanta frustração.
E rola multiplayer local cooperativo, algo que a série nunca tinha tido de verdade. Os consoles melhoraram o gameplay local, e as TVs modernas são grandes o suficiente para rodar um game assim sem ficar tão apertado, então é bom ver que o game aproveitou isso e usou a seu favor.
Visual, som e a experiência de jogar

O visual em 3D fica limpo e legível, lembrando um pouco uma versão de alta definição dos já citados jogos de PS1. Os inimigos e os chefes têm aquele visual clássico de insetos gigantes metálicos e tentáculos mecânicos que o original já usava, só que agora com volume e luzes, permitidos pelos recursos atuais.
Não é o jogo mais bonito do ano, e nem quer ser, mas não compromete em nada a experiência. O caos que aparece vez ou outra na tela é normal para o gênero e é muito bom ver tanta bagunça sem travamentos, e você reencontrar sua nave no meio do caos sem sentir engasgos. É isso que um game desses tem que entregar antes de qualquer coisa e felizmente as coisas funcionam por aqui.
Mas I grande destaque mesmo é a trilha sonora. Masahiro Yuge voltou e fez o que sabe fazer: misturou as músicas antigas com arranjos novos. É um daqueles jogos que você vai querer passar um bom tempo só no Sound Test, falo sério. O som dos tiros, das explosões e da bomba também está bem satisfatório. Quando a fase esquenta e a música entra no ponto certo, tudo fica na medida certa.
Postei acima apenas um de muitos bons exemplos em relação à música do jogo. Um elemento que faz a diferença e torna o game ainda mais divertido, já que sair atirando em tudo com um som de qualidade deixa tudo mais legal!
O shmup ainda vive!

Truxton Extreme não tenta reinventar o gênero, e é por isso que ele se sobressai positivamente. Ele só pega uma fórmula que funcionava nos anos 80, coloca na alta definição tridimensional atual, adiciona algumas opções de acessibilidade e devolve pro público. E ainda se deu ao trabalho de criar uma conexão maior com o jogador com um modo história simples, mas caprichado.
Quem curte shmup clássico, gosta de aprender padrões e perseguir high score vai se divertir. Quem for mais novo, e quiser experimentar um game de um gênero que era completamente diferente do que se espera de um jogo atual, vai curtir também. Até porque, o seu “direto ao ponto”, sem evolução, personalização nem nada do tipo pode ser aquele gameplay rápido e “desestressante” que você tanto queria.
Por isso, o que temos em mãos é um jogo honesto e sincero. Não reinventa a roda, não cria nada onde não precisa, não faz o jogador de besta e tudo o que se propõe a fazer faz bem feito.
Dito isso, se você gosta de jogos mais simples e quer algo pra jogar rápido entre um tempo e outro, ou é um caçador de “high scores” das antigas, Truxton Extreme é uma grande pedida. É uma evolução simples, mas divertida de um gênero que se provou, mais uma vez, ser resistente ao tempo e as mudanças sempre constantes no mundo dos games.
Truxton Extreme chega amanhã, dia 30 de julho, pela Clear River Games, para PC (Steam), PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.
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