Eloy Casagrande diz que novo álbum do Slipknot está sendo feito sem pensar em números e com swing brasileiro
Eloy Casagrande revela que o novo álbum do Slipknot está sendo gravado sem pressão comercial e com ritmos brasileiros adaptados ao metal.
Eloy Casagrande, baterista do Slipknot, afirmou que o próximo disco da banda está sendo gravado sem preocupação com vendas, com muita música já produzida e com a influência brasileira dele presente nas faixas. A declaração saiu em entrevista ao canal colombiano Radiónica, publicada no YouTube em 16 de outubro de 2026 e repercutida pela Loudwire neste domingo (18).
A conversa, conduzida pelo apresentador Camilo Guzmán, é a primeira vez que Casagrande fala com mais detalhe sobre o álbum desde que o Slipknot lançou “Arsenal”, em setembro, primeira música da banda com ele na bateria.
Ele não entrou em detalhes do que está rolando no estúdio, mas deixou claro que o volume de material é grande: segundo ele, a banda está trabalhando em muitas músicas e está satisfeita com o que já saiu. O clima interno, nas palavras dele, é bom, leve e sem pressão.
O ponto que mais chama atenção é a postura que ele descreve. Casagrande diz que o grupo não está pensando em mercado, em agradar ou não o público, nem em como as faixas vão se sair comercialmente. A ideia, segundo o baterista, é fazer o que a banda acredita ser certo naquele momento, de forma transparente com os fãs.
Guzmán lembrou que o consumo acelerado de singles pode levar bandas a dar menos atenção ao álbum como obra. Casagrande concordou e foi além: disse que esse é justamente o oposto do que o Slipknot faz agora, já que muitos artistas miram o futuro, se perguntando se vão vender bem ou lotar arenas. Para ele, estar dentro do processo na primeira gravação completa com o grupo é uma experiência que confirma esse jeito de trabalhar.
Ele também revelou uma insegurança de antes da entrada: temia não conseguir ser ele mesmo na bateria. Pelo que contou, o que viu dentro da banda aliviou essa dúvida.
A parte brasileira (e a história do ensaio com o Clown)
Casagrande disse que não consegue deixar o lado brasileiro de fora, nem quando toca metal extremo ou death metal. Segundo ele, há quem comente que, mesmo em passagens rápidas ou em partes de metal mais reto, existe um groove, um “pocket” brasileiro, que ele não tira de jeito nenhum.
Ele lembrou que no primeiro ensaio com a banda estava se divertindo e acabou tocando algo de ritmo brasileiro. O percussionista Clown se aproximou, perguntou o que era aquilo e, depois da resposta, lembrou que o Slipknot é uma banda de metal, apesar de a bagagem dele ser bem-vinda.
A virada veio depois. Durante as gravações, de acordo com Casagrande, o próprio Clown chegou a sugerir algumas vezes que ele colocasse ritmos brasileiros nas músicas. O baterista disse que isso mostra uma mudança de cabeça ao longo dos anos e que ele não toca esses ritmos de forma tradicional, e sim adaptados ao universo do Slipknot, sem perder a própria identidade.
Jim Root já tinha avisado que não vem repetição
O comentário de Casagrande combina com o que o guitarrista Jim Root escreveu em setembro. Em 28 de setembro, ao responder fãs nas redes sociais depois de postar um vídeo no Instagram mostrando equipamentos que a banda vai usar na turnê, Root disse que o mais importante agora é não se repetir. Ele avisou que isso pode magoar algumas pessoas, que o grupo está experimentando abordagens diferentes e que ninguém deve esperar outro Iowa ou outro álbum autointitulado.
Root descreveu o clima das sessões como honesto e meio desconfortável, parecido com o das gravações antigas, mas ressalvou que isso não significa necessariamente que o som ou a produção vão lembrar os primeiros discos.
Na mesma troca, ele foi bem direto sobre o disco anterior: disse que The End, So Far (2022) ficou desconexo e bagunçado, resultado de um processo difícil por causa da pandemia e do contexto mundial da época.
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