Fita perdida do vídeo rejeitado de “Dancing in the Dark” de Bruce Springsteen vai a leilão para ajudar projetos de música nas escolas
Master perdido de “Dancing in the Dark”, de Bruce Springsteen, vai a leilão com quatro performances e renda para música nas escolas.
Uma raridade de Bruce Springsteen que só existia como lenda entre fãs mais intensos do Boss finalmente saiu do armário, literalmente. A fita master original em formato U-matic de 3/4 de polegada, com a versão do clipe de “Dancing in the Dark” que nunca foi lançada oficialmente, está sendo leiloada pela Wax Poetics. O leilão começou nesta quinta-feira (24 de setembro) e vai até 22 de outubro, com a renda revertida para entidades que financiam programas de música em escolas públicas de ensino fundamental e médio.
E tem um detalhe, conforme a Ultimate Classic Rock, que muda a percepção de quem só conhecia os boatos: a fita de 18 minutos guarda quatro performances diferentes da música, não apenas uma, como se pensava até então.
De onde veio essa fita
O material pertence à coleção pessoal de Al Teller, ex-presidente da Columbia Records, e está sendo vendido junto com uma placa autografada por Springsteen que celebra os 20 milhões de cópias vendidas de Born in the U.S.A. em todo o mundo.
Teller guardou a fita por mais de quatro décadas, literalmente dentro de um arquivo, esquecida. Foi só agora, ao preparar o material para o leilão, que ele teve a surpresa de descobrir que existiam outras três tomadas além da que ele já conhecia.
Por que o clipe original foi engavetado
Em entrevista ao biógrafo Peter Ames Carlin, Teller contou que assistiu ao vídeo pela primeira vez no escritório e, em poucos segundos, já sabia que aquilo não ia rolar. Para ele, o tom do clipe simplesmente não combinava com a pegada da música: “Dancing in the Dark” era uma produção de banda cheia, e o vídeo proposto não mostrava a banda em nenhum momento.
O resultado foi um “não” categórico de Teller, uma decisão que, segundo ele mesmo relatou, já vinha sendo cogitada pelo próprio Springsteen e por seu empresário, Jon Landau.
Essa primeira versão foi dirigida por Jeff Stein, o mesmo cineasta por trás do documentário do Who, The Kids Are Alright. Como a revista Billboard já havia registrado em uma reportagem de 2011 (citando a edição de julho de 1984 da própria publicação), Springsteen não gostou do conceito de Stein, que levava o “escuro” do título ao pé da letra: o clipe colocava o cantor sozinho, em um cenário deliberadamente sombrio, com apenas uma aparição do saxofonista Clarence Clemons perto do final.
O vídeo que se tornou mundialmente conhecido só existe por causa dessa rejeição
Foi exatamente essa recusa que abriu espaço para Brian De Palma (o mesmo diretor de Scarface) assumir a direção; e o resto, como se diz, virou história do rock. De Palma foi enviado a St. Paul, em Minnesota, para filmar Springsteen no Civic Center local, cercado por 200 figurantes dançando. Foi ali que uma atriz então desconhecida, Courteney Cox, a futura Monica Geller de Friends, foi puxada para o palco em uma cena que se tornaria um dos momentos visuais mais marcantes dos anos 80.
Segundo Teller, sem aquele “não” inicial, provavelmente não existiria a parceria com De Palma nem aquele instante com Cox que ficou na memória coletiva de quem viveu a era MTV.
Vale lembrar que trechos de baixa qualidade da versão rejeitada já circulavam há anos entre fãs, inclusive em vídeos publicados por canais como o Songs by Bruce no YouTube. A diferença agora é que o leilão coloca à venda o master original, e junto dele, o relato em primeira mão de quem viveu a decisão de vetar o clipe.
Springsteen segue soltando novidades em 2026
“Dancing in the Dark” continua sendo praticamente obrigatória nos shows do Boss, mesmo nas apresentações mais recentes ao lado do E Street Band e do convidado especial Tom Morello (que vira e volta está com o Boss em suas turnês), a faixa manteve seu lugar de destaque perto do encerramento dos sets, mesmo em turnês com clima mais sério.
Paralelamente, Springsteen também vem lançando aos poucos um filme-concerto do show final da turnê, gravado na Filadélfia, disponível no YouTube; a segunda parte saiu ainda essa semana.
Em entrevista recente à Rolling Stone, o músico revelou que está com dois álbuns inéditos em andamento. Um já está pronto; o outro, ainda em produção, deve ser lançado primeiro por causa da natureza do material, segundo suas próprias palavras, é um projeto mais “ligado ao momento atual”, enquanto o disco já finalizado pode esperar, já que não tem essa urgência temporal.
Seja qual for a ordem de lançamento, será o primeiro álbum de estúdio inédito do artista desde Letter to You, de 2020. Ou do disco de covers Only the Strong Survive de 2022, em que o Boss honra o legado da soul music dos anos 60 e 70.
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