Cofundador da Infinty Ward teve o visto para a Rússia revogado após o vazamento da missão “No Russian”

Chance Glasco, cofundador da Infinity Ward, explicou recentemente os motivos por trás de uma das fases mais debatidas de Call of Duty: Modern Warfare 2.
Ele fez isso em respostas no X a um usuário que conversou com ele em um vídeo da Casa Branca com cenas do jogo misturadas a imagens reais de ações militares.
No início do desenvolvimento, No Russian era só uma linha de texto na tela de carregamento entre as fases. O colega de quarto de Chance Glasco e um dos designers do time acharam estranho tratar um ponto tão grave da história como algo sem importância.
Nos primeiros títulos da série Call of Duty feitos pela Infinity Ward, a equipe sempre buscou mostrar que a guerra traz consequências reais e não funciona como simples diversão.
Quem jogou os games antigos da Infinity Ward nota esse tom repetido na franquia. O foco era gerar desconforto no jogador e fazer com que ele pensasse sobre os efeitos da guerra.
Antes do lançamento, o estúdio realizou testes com jogadores. Uma porcentagem alta parou na hora em que entendeu o que o jogo pedia. Alguns largaram o controle e disseram que preferiam não continuar. Para Chance Glasco, essa resposta foi mais positiva do que ver todo mundo avançar sem qualquer reação.
Por causa disso, a Infinity Ward adicionou a opção de pular o nível inteiro, com um aviso sobre o conteúdo perturbador. Muita gente não sabe, mas dá para terminar a fase sem acertar nenhum civil.
Nós falamos, em outra oportunidade, sobre este contexto. Em Call of Duty: Modern Warfare 2, de 2009, o jogador controla Joseph Allen, agente da CIA infiltrado no grupo de Vladimir Makarov. A ação acontece no Aeroporto Internacional Zakhaev, em Moscou. O nome No Russian vem da ordem de Makarov para ninguém falar russo durante o ataque, com o objetivo de incriminar os Estados Unidos e provocar uma crise maior.
Mohammad Alavi, designer responsável pela fase, queria criar um momento que mostrasse a brutalidade do vilão de forma direta. Nos testes internos, metade dos participantes se recusou a mirar nos civis e preferiu atirar para o alto.
O diretor Jason West pediu ajustes na duração das cenas de tiroteio para reduzir o desconforto, e o time adicionou animações de pessoas correndo para se proteger ou se escondendo.
O nível também permite mirar em policiais como alvos alternativos. Depois do lançamento, a fase gerou debates sobre violência em jogos, com críticas de políticos como o deputado britânico Keith Vaz.
Na versão remasterizada de 2020, a Sony não disponibilizou o jogo na loja russa por causa de tensões geopolíticas. No reboot de Modern Warfare de 2022, o estúdio optou por não incluir uma fase equivalente.
Chance Glasco ainda contou um detalhe pessoal: ele estava prestes para viajar a Moscou para promover o jogo, mas o vazamento do nível fez com que a Rússia revogasse seu visto. Até hoje ele não sabe se pode entrar no país.
A missão No Russian continua sendo lembrada por quem jogou Call of Duty: Modern Warfare 2 exatamente por essas escolhas de design que priorizaram impacto emocional em vez de ação sem reflexão.
Quem ainda não experimentou pode pular sem problema, mas quem quer entender a história completa saiba que dá para passar pelo aeroporto sem disparar contra inocentes.
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