Cofundador da Infinty Ward teve o visto para a Rússia revogado após o vazamento da missão “No Russian”

10 de março de 2026

Chance Glasco, cofundador da Infinity Ward, explicou recentemente os motivos por trás de uma das fases mais debatidas de Call of Duty: Modern Warfare 2.

Ele fez isso em respostas no X a um usuário que conversou com ele em um vídeo da Casa Branca com cenas do jogo misturadas a imagens reais de ações militares.

No início do desenvolvimento, No Russian era só uma linha de texto na tela de carregamento entre as fases. O colega de quarto de Chance Glasco e um dos designers do time acharam estranho tratar um ponto tão grave da história como algo sem importância.

Nos primeiros títulos da série Call of Duty feitos pela Infinity Ward, a equipe sempre buscou mostrar que a guerra traz consequências reais e não funciona como simples diversão.

Quem jogou os games antigos da Infinity Ward nota esse tom repetido na franquia. O foco era gerar desconforto no jogador e fazer com que ele pensasse sobre os efeitos da guerra.

Antes do lançamento, o estúdio realizou testes com jogadores. Uma porcentagem alta parou na hora em que entendeu o que o jogo pedia. Alguns largaram o controle e disseram que preferiam não continuar. Para Chance Glasco, essa resposta foi mais positiva do que ver todo mundo avançar sem qualquer reação.

Por causa disso, a Infinity Ward adicionou a opção de pular o nível inteiro, com um aviso sobre o conteúdo perturbador. Muita gente não sabe, mas dá para terminar a fase sem acertar nenhum civil.

Nós falamos, em outra oportunidade, sobre este contexto. Em Call of Duty: Modern Warfare 2, de 2009, o jogador controla Joseph Allen, agente da CIA infiltrado no grupo de Vladimir Makarov. A ação acontece no Aeroporto Internacional Zakhaev, em Moscou. O nome No Russian vem da ordem de Makarov para ninguém falar russo durante o ataque, com o objetivo de incriminar os Estados Unidos e provocar uma crise maior.

Mohammad Alavi, designer responsável pela fase, queria criar um momento que mostrasse a brutalidade do vilão de forma direta. Nos testes internos, metade dos participantes se recusou a mirar nos civis e preferiu atirar para o alto.

O diretor Jason West pediu ajustes na duração das cenas de tiroteio para reduzir o desconforto, e o time adicionou animações de pessoas correndo para se proteger ou se escondendo.

O nível também permite mirar em policiais como alvos alternativos. Depois do lançamento, a fase gerou debates sobre violência em jogos, com críticas de políticos como o deputado britânico Keith Vaz.

Na versão remasterizada de 2020, a Sony não disponibilizou o jogo na loja russa por causa de tensões geopolíticas. No reboot de Modern Warfare de 2022, o estúdio optou por não incluir uma fase equivalente.

Chance Glasco ainda contou um detalhe pessoal: ele estava prestes para viajar a Moscou para promover o jogo, mas o vazamento do nível fez com que a Rússia revogasse seu visto. Até hoje ele não sabe se pode entrar no país.

A missão No Russian continua sendo lembrada por quem jogou Call of Duty: Modern Warfare 2 exatamente por essas escolhas de design que priorizaram impacto emocional em vez de ação sem reflexão.

Quem ainda não experimentou pode pular sem problema, mas quem quer entender a história completa saiba que dá para passar pelo aeroporto sem disparar contra inocentes.

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Junior Candido

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