Ian Hill confessa que não teve muita escolha para decidir se aposentar do Judas Priest
Ian Hill explica que artrite e uma lesão no ombro forçaram sua aposentadoria do Judas Priest após 57 anos na banda.
Ian Hill contou em entrevista recente que não teve muita escolha ao decidir se aposentar do Judas Priest. A artrite avançada no ombro e na mão, somada a um tendão que estourou durante um show em Bruxelas, tornou impossível continuar garantindo shows completos sem colocar a banda e os fãs em risco.
O baixista, único membro original ainda na formação, falou com o canal Metal Pilgrim no YouTube (e que teve a conversa transcrita pelo Blabbermouth) e detalhou o que vinha acontecendo nos últimos anos. Ele já lutava com a artrite nas últimas turnês — ombro esquerdo, mão direita, ombro direito e joelhos — e o problema só piorava. Em Bruxelas, pouco antes dos encores, ele sentiu um estalo e uma dor aguda. “Foi isso. É o fim”, pensou na hora. No restante da música ele teve que apoiar o cotovelo na barriga e puxar o baixo para alcançar as notas. Depois disso, ficou impossível levantar o braço direito para tocar normalmente, e ele perdeu o show de 21 de setembro no Eventim Apollo, em Londres — o primeiro que ele não fazia desde que entrou na banda, por volta de 1970.
A sequência da turnê europeia da Faithkeepers tinha ficado mais apertada do que o previsto. Uma proposta de quatro semanas nos Estados Unidos com o Iron Maiden não saiu do papel, e a agenda acabou concentrada em shows extras ao redor do Bloodstock. Resultado: seis apresentações em oito dias. Isso acelerou o desgaste. Ian disse que já pensava em parar no fim da turnê anterior, mas o episódio de Bruxelas fechou a conta. Especialistas estão avaliando se dá para evitar cirurgia; mesmo assim, ninguém garante que o ombro aguente um set inteiro de novo. “Não podia colocar os caras em risco e sair de novo para a estrada sabendo que aquilo podia acontecer no meio da turnê. Não é justo com ninguém, nem com os fãs, nem com o resto da banda, nem com quem investiu pra gente chegar nesses lugares”, explicou.
A vida pessoal também pesou. Ele contou que negligenciou a família por 57 anos e que isso custou dois casamentos. Agora quer recuperar tempo com os parentes enquanto ainda consegue, antes que alguém precise empurrá-lo de cadeira de rodas. “É uma dessas coisas de velho que acontecem quando você chega a certa idade. A artrite não melhora”, resumiu, sem drama.
Davey Rimmer, do Uriah Heep e do Elegant Weapons (projeto em que toca com Richie Faulkner), entrou no lugar. Hill acredita que Rimmer vai levar um tempo para se acostumar e que pode receber críticas no primeiro ano, mas conhece o cara há anos e confia no trabalho. O próprio Ian o chamou de “a escolha óbvia” e de “um cara legal que vai encaixar perfeitamente”.
Mesmo de fora da estrada, Ian não some completamente do Judas. Ele gravou as linhas de baixo do álbum novo, que deve sair no ano que vem, e disse que consegue terminar o que falta se segurar o instrumento na posição certa. Também deixou claro que não vai virar estranho: se a banda quiser, ele aparece em ocasiões especiais, faz um encore ou dois, como o Glenn Tipton já fez. Só não achou que faria sentido transformar o show de Londres em despedida anunciada. “Não senti que seria certo dizer ‘este é o último show do Ian’.”
A aposentadoria encerra uma trajetória que começou em Birmingham no fim dos anos 1960. Ian esteve em todos os álbuns de estúdio, de Rocka Rolla (1974) até Invincible Shield (2024), e foi o último original no palco depois da saída de K.K. Downing. A banda publicou, no dia 9 de outubro, uma mensagem dizendo que ele foi “a espinha dorsal do Judas Priest por tanto tempo” e desejando sorte na nova fase, enquanto recebia Davey na família. Ian encerrou seu próprio texto agradecendo pela vida que os fãs permitiram que ele vivesse.
Aproveite que está aqui e siga o Arkade no:




