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Mark Cerny e Geoff Keighley anunciaram uma fundação filantrópica para ajudar jovens game designers que acabaram de sair da faculdade

Mark Cerny e Geoff Keighley criaram uma fundação que oferecerá bolsas de até US$ 600 mil para jovens designers desenvolverem seus jogos.

Junior Candido
Mark Cerny e Geoff Keighley anunciaram uma fundação filantrópica para ajudar jovens game designers que acabaram de sair da faculdade

Mark Cerny e Geoff Keighley acabam de anunciar a Nova Games Foundation, uma fundação filantrópica que vai pagar US$ 100 mil por ano a 20 jovens game designers recém-saídos da faculdade. Quem se destacar no desenvolvimento ainda pode receber até US$ 500 mil a mais, sem ceder participação no jogo.

A ideia veio a público nesta segunda (8), em entrevista exclusiva do jornalista Stephen Totilo ao Game File. O projeto não tem vínculo algum com o The Game Awards, com o grande nome do prêmio de games e o arquiteto do PlayStation colocando o próprio dinheiro na iniciativa e deixaram claro que não querem nenhum retorno financeiro deste programa. O que eles esperam de volta, nas palavras de Keighley, é “ajudar novas vozes a fazer jogos e encontrar o próprio caminho”.

Cada bolsista começa com US$ 100 mil. Cerca de um quarto do grupo pode chegar a um adicional de até US$ 500 mil se o projeto cumprir marcos de desenvolvimento. O pagamento sairá por etapas e o jogo continuará sendo do seu criador. A fundação até se oferece para apresentar o trabalho a publishers e dar visibilidade, mas sem ficar com fatia nenhuma. No piso, isso dá algo perto de US$ 2 milhões em bolsas por ano, sem contar os reforços.

As inscrições abrirão em dezembro de 2026 para formandos das turmas de 2026 e 2027. Os primeiros 20 nomes devem ser anunciados em março de 2027. Só entra quem vier de um dos 13 programas universitários parceiros, espalhados por oito países. Até agora foram citados a New York University e a University of Southern California, nos Estados Unidos; a Abertay University, na Escócia; a Cnam-Enjmin, na França; a TH Köln, na Alemanha; e o Royal Melbourne Institute of Technology, na Austrália. A lista completa e o edital ainda vão sair. O site oficial, novagamesfoundation.org, promete mais detalhes ainda neste mês.

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Cerny, que começou na indústria em 1982 e foi o arquiteto-chefe do PS4 e do PS5, falou sem rodeio. “Estou chegando ao fim da carreira. Ainda não terminei, mas devolver o que recebi da melhor forma possível tem ocupado bastante a minha cabeça.” Ele descreveu o alvo da fundação como jogos “com valor artístico, literário e social”. Citou como referência pessoal títulos menores e mais particulares, como Neva, Abzû, Gorogoa, Stray, Outer Wilds e And Roger. Também deixou um critério bem prático: querem a próxima geração de visionários, mas gente capaz de tocar um time pequeno até o fim.

Keighley explicou que, por causa do papel que ocupa no circuito de eventos, nunca quis investir comercialmente em jogos. Disse que nunca teve ação de empresa do setor nem participação financeira em um título. A Nova Games Foundation, segundo ele, é filantropia pura. Os dois já fizeram doações de milhões de dólares para constituir o fundo e pretendem continuar colocando dinheiro. A expectativa é que outras pessoas e empresas entrem no bolo e que, em 10 ou 20 anos, a fundação vire um projeto maior, com o setor inteiro se sentindo como parte dele.

A inspiração veio de um jantar. Os dois se cruzam no circuito desde os anos 1990 ou começo dos 2000, mas a amizade de verdade se firmou há cerca de uma década, em encontros em Los Angeles. Numa dessas conversas, Keighley lembrou que um dia se candidatou a uma bolsa Rhodes, mas não levou. Também sempre olhou com interesse para as “genius grants” da MacArthur Foundation. A pergunta que ficou foi simples: como seria uma versão disso para quem sai da faculdade querendo dirigir o próprio jogo, sem precisar logo de cara provar que o projeto vai vender. Um modelo citado por ele é o de Jenova Chen, formado na USC e depois responsável por Flower e Journey.

O mercado atual, cada vez mais estratosférico e mais comandado por “mesas de negócios”, pesou na conta e pesa em quem quer trabalhar com games hoje em dia. Entrar num estúdio estabelecido, como Keighley observou, nem sempre é possível e, mesmo quando é, não é o caminho certo para todo mundo. A bolsa entra exatamente nessa lacuna, oferecendo tempo, grana e orientação para tocar um jogo próprio sem a pressão imediata de viabilidade comercial.

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Quem vai operar o dia a dia é John Maconga, diretor-executivo, e Ashley Corrigan, responsável pelas bolsas depois de passar pela direção da Game Developers Conference. Dezenas de diretores já demonstraram interesse em mentorias. Um nome que já entrou de fato é Josef Fares, da Hazelight Studios (It Takes Two, Split Fiction). Ele também doou e se ofereceu para acompanhar bolsistas. “Isso dá à próxima geração liberdade para explorar a criatividade e, com sorte, tirar as visões próprias do papel”, disse Fares ao Game File.

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Cerny resumiu o descompasso atual da indústria que a fundação tenta quebrar. A indústria mudou demais desde 1982. Os formandos de hoje saem com talento, formação e ferramentas que ele descreveu como “absurdamente superiores” ao que existia no começo. O problema é outro: conseguir tração. “Muitos poderiam se beneficiar do nosso apoio. Queremos estar lá para dar isso.”

Se a fundação cumprir o que os dois desenharam, daqui a alguns anos poderemos ver os frutos, em forma de uma leva de jogos menores, mais autorais, feitos por gente que saiu da faculdade com um apoio financeiro, um mentor e o direito de ficar com a própria obra. Cerny já disse que mal pode esperar para jogá-los.

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