Motorista de Trump ou Forza 6? Relembre o erro da Record que confundiu um game com a realidade e virou meme

2 de julho de 2025

Em 2017, um erro jornalístico da Record se tornou um dos momentos mais memoráveis e comentados da televisão brasileira.

Durante uma matéria exibida no jornal Balanço Geral, a emissora apresentou imagens que supostamente mostravam um motorista do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizando um teste de direção.

O problema? As imagens eram, na verdade, cenas do jogo de corrida Forza Motorsport 6, um simulador de corrida da Turn 10 Studios para o Xbox One. O caso, que viralizou nas redes sociais, é um exemplo clássico de falha na checagem de fatos e levanta questões sobre a importância da verificação de fontes no jornalismo.

Vamos mergulhar nessa história, entender o que aconteceu, suas consequências e como o caso pode inspirar boas práticas de produção de conteúdo.

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O erro que virou piada nacional

Tudo começou em 8 de fevereiro de 2017, quando o Balanço Geral da Record exibiu uma matéria sobre Donald Trump, que havia assumido a presidência dos EUA semanas antes. A pauta abordava um possível “teste para motorista” para proteger o presidente dos EUA de um possível ataque.

Como bem sabemos, ser presidente dos Estados Unidos faz da pessoa o ser político mais poderoso do mundo, mas ao mesmo tempo, pode ser também um alvo na testa. Dos 45 presidentes eleitos desde a fundação do país, oito faleceram durante o mandato. E, destes oito, quatro foram assassinados: Abraham Lincoln, James A. Garfield, William McKinley e John F. Kennedy.

E outros 15 presidentes viveram, das mais variadas formas, tentativas de assassinato. O próprio Trump, enquanto ex-presidente e em campanha para retornar à Casa Branca em 2024, quase foi alvo de um sniper, na Pensilvânia.

O que exige, de fato, que a equipe de segurança da pessoa que assume a presidência deste país seja altamente treinada. O Serviço Secreto dos EUA é quem tem esta responsabilidade, garantindo a segurança até dos ex-presidentes que seguem vivos.

Por isso, é natural que os treinamentos sejam rigorosos e os envolvidos tenham que passar por testes extremos. Mas o que vimos na tal reportagem foi uma limousine andando de ré, e fazendo manobras severas em uma pista, o que renderia algo impressionante, como uma nota em um jornal.

No entanto, usuários atentos nas redes sociais rapidamente identificaram que as imagens eram, na verdade, de um gameplay do Forza Motorsport 6, um jogo de corrida conhecido por seus gráficos realistas.

O erro foi apontado em tempo real por internautas, e uma postagem no X do perfil @TretaNewsBR foi um dos muitos que mostraram a gafe: “Programa da Record confunde gameplay de Forza 6 com teste para motorista de Trump”.

A mensagem incluía um link para um vídeo no YouTube que expunha o equívoco, gerando milhares de compartilhamentos e comentários dos mais variados. O caso se espalhou na velocidade que coisas assim se espalham, transformando a Record em alvo de memes e críticas por sua falta de rigor na apuração.

Até hoje, é comum encontrar gente relembrando este momento, em um dos casos que entrou no “rol” dos maiores memes da televisão. Memes estes que são abordados no livro A Cultura dos Memes, disponível na Amazon e que aborda os aspectos sociológicos e dimensões políticas de um fenômeno do mundo digital.

Como o erro aconteceu?

Embora a Record nunca tenha detalhado oficialmente como o erro ocorreu, especula-se que a equipe de produção tenha encontrado as imagens do Forza Motorsport 6 em uma busca apressada por vídeos de testes de direção.

O jogo, lançado em 2015 pela Turn 10 Studios, é conhecido por sua fidelidade visual, com gráficos que simulam pistas reais e carros detalhados, o que pode ter enganado um editor menos atento. A ausência de checagem de fontes confiáveis e a pressão por prazos curtos no jornalismo televisivo provavelmente contribuíram para a falha.

E o vídeo, na verdade, é de Joe Leech, um jogador que, de fato, usou o mesmo Cadillac One usado pelos presidentes dos EUA, o The Beast, uma limousine customizada e com recursos de segurança avançados para o presidente.

O gameplay brinca com esta questão, pois o vídeo “ensina o presidente a fazer drifts em marcha-ré”, mas obviamente sem fazer qualquer referências a “testes de motoristas do Serviço Secreto” ou questões semelhantes. Destacando, inclusive, que o vídeo se trata pura e simplesmente de um gameplay de Forza 6.

O caso também reflete um problema recorrente na era digital: a facilidade de acesso a conteúdos na internet nem sempre vem acompanhada de uma verificação rigorosa. Imagens de jogos com gráficos avançados, como Forza Motorsport 6, podem ser confundidas com vídeos reais se não houver um processo de validação.

Recentemente, um outro vídeo, do jogo War Thunder, foi compartilhado por algumas pessoas na Internet, como se fosse um vídeo envolvendo o recente conflito entre Israel e Irã, mostrando mais uma vez como os gráficos de alguns jogos podem acabar sendo confundidos, se olhados de forma rápida e sem atenção.

Esse deslize da Record serve como um alerta para jornalistas e criadores de conteúdo sobre a importância de checar as fontes daquilo que falam, especialmente hoje em dia, em um contexto onde vídeos manipulados e deepfakes estão cada vez mais comuns.

O debate sobre a checagem de fatos

O erro da Record News não apenas gerou risadas, mas também levantou questionamentos sobre a credibilidade da emissora. Em um momento em que fake news já eram um tema quente, especialmente durante o primeiro mandato de Donald Trump, que aconteceu em um mundo já ultraconectado e que compartilhava as mais variadas informações, a gafe reforçou a necessidade de rigor na apuração.

Record não falou nada sobre o caso, mas a Internet nunca esqueceu, como esperado. E lida com a situação, além do humor, como um exemplo de como pequenos deslizes podem ter grandes repercussões.

Curiosamente, o incidente também destacou o papel do público na fiscalização do jornalismo. Usuários do X agiram como “fact-checkers” improvisados, apontando o erro em tempo real, anos antes da mudança do controle da rede, e da introdução das “notas da comunidade”.

Isso mostra como a interação entre mídia tradicional e redes sociais pode tanto expor falhas quanto oferecer oportunidades para engajamento.

O que o caso ensina sobre jornalismo e tecnologia

O erro da Record é um lembrete de que o jornalismo deve evoluir junto com a tecnologia. Com o avanço dos gráficos em jogos como Forza Motorsport 6 e a popularização de ferramentas de edição, distinguir realidade de ficção exige mais cuidado do que nunca. Algumas lições práticas incluem:

  • Checagem de fontes: Antes de usar imagens ou vídeos, é crucial verificar sua origem. Ferramentas como Google Reverse Image Search ou TinEye podem ajudar a identificar se uma imagem vem de um jogo ou de uma fonte real.
  • Treinamento da equipe: Equipes jornalísticas devem ser capacitadas para reconhecer conteúdos digitais, especialmente em redações sob pressão de prazos.
  • Transparência com o público: Caso um erro ocorra, admitir a falha e corrigi-la rapidamente pode minimizar danos à reputação.

Por que o caso ainda é relevante?

Quase uma década depois, o erro da Record News continua sendo citado em discussões sobre jornalismo e fake news. Ou lembrados nas páginas de memes. A ascensão de deepfakes e vídeos gerados por inteligência artificial, como os mencionados em uma matéria do G1 sobre um vídeo falso de Trump afirmando que iria banir os carros da Tesla, em um contexto no qual o presidente está em briga direta com Elon Musk, o dono da companhia de carros elétricos, mostra que os desafios de 2017 só cresceram.

A gafe da Record é um marco histórico que ilustra os riscos de confiar cegamente em conteúdos visuais sem verificação.

Uma gafe que virou lição e meme

O erro da Record News ao confundir Forza Motorsport 6 com um teste de motorista de Donald Trump é um meme, mas que trouxe uma questão importante.

Ele expôs as fragilidades do jornalismo em tempos de sobrecarga de informação e destacou a importância da checagem de fatos.

Mais do que nunca, a lição é clara: na era digital, a pressa é inimiga da credibilidade, e o público está sempre pronto para apontar o erro, criando memes.

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Junior Candido

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