Monsters of Rock 2026 – Para o fã brasileiro, não interessa como está Axl Rose, o que importa é curtir o Guns N’ Roses

Toda vez que o Guns N’ Roses é notícia, os mesmos comentários críticos aparecem. “Ah mas a voz do Axl já era”; Chegou o Mickey Roses”; “Mas porque o Axl insiste” e etc… e apesar de ser consenso de que a voz de Axl Rose está anos-luz de distância para o passado glorioso da banda, o público presente no Monsters of Rock tem uma opinião formada para estas criticas: “dane-se!”
Um estádio lotado com fãs alucinados cantando todos os sucessos do Guns mostra que a banda, que sempre foi extremamente popular por aqui, continua no coração do brasileiro. Vale ressaltar: a última passagem da banda por aqui foi há apenas cinco meses atrás, com cinco shows, incluindo um em São Paulo, no mesmo Allianz Parque.
E se eles conseguiram lotar o estádio de novo, você acha mesmo que o fã está preocupado com a voz de Axl ou com a ausência de membros da “era clássica” do Guns? É claro que todos tem o seu direito a opinião, mas o recado das arquibancadas no Monster foi mais do que claro.
Pra começo de conversa, desde o show do Rock in Rio de 1991, quando Axl e cia tocaram para 140 mil pessoas, até o show deste sábado (4) no Allianz Parque, já são 47 shows em solo brasileiro. Isso diz muito sobre a relação entre Guns e o Brasil.
A banda tocou em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, mas também já tocou em locais mais distantes como Manaus, e até cidades como Ribeirão Preto e São José, em Santa Catarina. E vai tocar, nesta turnê, em Cariacica, Salvador, São José do e Rio Preto e Campo Grande, entre outras cidades.
E na apresentação mais recente, a banda tocou nada mais do que 24 músicas, em duas horas e meia de música. Só não tocaram mais pois era um festival e não um show solo da banda.
Welcome to the Jungle foi a escolha ideal para começar chacoalhando o público presente no estádio. E durante todo um primeiro momento bem frenético, tivemos Live and Let Die, You Could Be Mine, Civil War (uma das minhas favoritas do Guns) e ainda teve espaço para Junior’s Eyes do Black Sabbath, um cover que serviu também para homenagear Ozzy Osbourne.
Enquanto o som rolava, dava aquela sensação de “falta essa ou aquela música”, mas som após som, elas iam surgindo. Knockin’ on Heaven’s Door foi uma das quais o público literalmente cantou junto, além da eterna Sweet Child O’ Mine.
Ainda tivemos espaço para Slither, do Velvet Revolver, um grupo formado por então ex-membros do Guns em 2002, e New Rose, da The Damned, banda pela qual Duff McKagan sempre expressou profunda admiração, e que assume os vocais para dar um respiro para Axl. Ainda teve tempo para Bad Apples, que foi tocada pela primeira vez em 35 anos e as eternas November Rain e Paradise City no final.
E você acredita que, entre 24 músicas, o Guns ainda se deu ao luxo de abrir mão de Don’t Cry e Patience? A ideia de manter um show mais “rock n’ roll” fez com que o setlist trocasse estas clássicas baladas por cover de Black Sabbath, retorno de músicas antigas e um som mais pesado, mas não menos emocionante.
Este formato mais pesado inclusive ajudou Axl Rose a fazer o que ele sempre fez, embora mais velho: correr pelo palco, dançar e interagir com a plateia. Ainda sobre o lendário cantor, é claro que a voz do cantor não é mais a mesma, e o som do evento também não foi o seu melhor amigo na noite. Mas ainda assim, ele entregou o esperado, com competência e uma boa entrega nas músicas interpretadas.
É daí que eu tenho uma opinião bem simples sobre esta situação: quem reclama do momento atual de Axl e sua voz, apesar de ter todo o direito de reclamar, não estava na plateia de ontem. Mas em meio a tais reclamações, uma arena estava lotada, mais uma vez, para cantar com ele as suas músicas.
O que isso me faz refletir? É simples: a maioria das pessoas não querem ouvir o Axl dos anos 90, querem curtir o Guns hoje. Sabe-se lá até quando a banda vai tocar, então toda hora é hora de aproveitar. E outra coisa: se por um lado tem quem é mais “purista” e quer ouvir música com a qualidade que ache adequada, tem outras pessoas que querem apenas curtir uma banda histórica e muito popular em nosso país tocando seus sucessos. E estão felizes assim.
No nosso “universo” aqui, é muito semelhante a “turma do ray tracing” que pega no pé de fãs de Nintendo e seus “jogos mais simples”, que agradam estas pessoas, mesmo sem recursos mais avançados. É óbvio que todos temos o direito a achar o que quisermos sobre tudo. Mas nosso maior problema hoje, não é termos a nossa opinião, e sim achar que a nossa opinião é absoluta e quem pensa e age diferente é “otário”.
Dito tudo isso, sim, Axl deu conta, com um adendo óbvio que esse “dar conta” leva em consideração o seu estado atual. E para a sorte do cantor, sua banda ainda conta com a competência de Slash e Duff, que mantém o “trio” clássico sintonizado e resgata ainda mais as conexões entre banda e fã.
O público, por incrível que pareça, esteve envolvido por todas as duas horas e meia de show. Mesmo com um público mais “dos hits”, e mais preocupado em filmar do que em curtir, ainda foi possível ver uma pequena roda se formando para curtir algumas músicas, e o engajamento dos fãs só provam como a conexão entre o brasileiro e o Guns continua forte.
Não é qualquer banda que lota um estádio cerca de cinco meses após tocar no mesmo local. Ainda mais num país como o nosso, onde tudo é mais caro. Então, goste você ou não do Guns N’ Roses, goste você ou não do atual momento de Axl Rose e sua voz, uma coisa ficou bem clara, após o Monsters: o Guns sempre terá tapete vermelho do fã brasileiro, toda vez que vierem tocar aqui.
Aproveite que está aqui e siga o Arkade no
Aproveite e confira o melhor das ofertas em games na Amazon
Ganhamos uma pequena comissão nos links compartilhados em nossos posts. Você não gastará nada mais com isso e ainda apoiará o jornalismo independente de games e cultura.