O port nativo de PC de The Legend of Zelda: A Link to the Past traz widescreen, som com qualidade de CD e muito mais
Projeto recria The Legend of Zelda: A Link to the Past em C para PC e Nintendo Switch, com widescreen, áudio em qualidade de CD e recursos modernos.
Um projeto de engenharia reversa conseguiu recriar The Legend of Zelda: A Link to the Past praticamente do zero, reescrevendo todo o jogo original de Super Nintendo em linguagem C. O trabalho, batizado simplesmente de zelda3, está hospedado no GitHub sob autoria do desenvolvedor identificado como snesrev, e já passa de 4,7 mil estrelas na plataforma: um indicador e tanto de quanto a comunidade retrô se interessou pela iniciativa.
Talvez você já saiba, mas é sempre bom reforçar para quem viu algo desse tipo pela primeira vez: o jogo não é emulado. O código inteiro do game foi reimplementado, resultando em algo em torno de 70 a 80 mil linhas de código C que reproduzem cada detalhe do clássico de 1991. Segundo a documentação do projeto, o jogo é totalmente jogável do início ao fim.
Não tem ROM distribuída, mas deixa o game com outra cara
Também como aviso para marinheiros de primeira viagem, o usuário ainda precisa ter uma cópia da ROM deste capítulo de Zelda para extrair os recursos do jogo: os sprites, fases, imagens e afins. Depois que essa extração é feita uma única vez, a ROM deixa de ser necessária para rodar o jogo. Na prática, o código-fonte disponibilizado publicamente não contém nenhum material protegido da Nintendo; ele só sabe o que fazer com os arquivos depois que o próprio usuário os fornece.
Vale destacar que a ROM exigida precisa ser especificamente a versão americana, batizada de zelda3.sfc, com um hash SHA256 exato informado na documentação do repositório; ou seja, não é qualquer cópia que serve.
Um detalhe técnico que chama atenção: verificação frame a frame
Um dos pontos mais interessantes do projeto é a forma como os desenvolvedores garantem que a reimplementação está fiel ao original. O zelda3 pode ser configurado para rodar simultaneamente o código de máquina original do SNES junto com a nova versão em C. A cada quadro do jogo, o estado da memória RAM das duas execuções é comparado: se algo divergir, é sinal de que a reimplementação cometeu algum erro. É basicamente um sistema de auditoria em tempo real rodando por trás das cenas, algo raro de se ver em projetos de reverse engineering desse porte.
Para viabilizar os gráficos e o áudio, o projeto usa a implementação de PPU e DSP do LakeSnes, outro projeto open source, só que com uma camada extra de otimizações de performance por cima.
Recursos que o gamr de 1991 nunca teve
Passar o jogo inteiro para C também abriu espaço para adicionar coisas que simplesmente não existiam na época do Super Nintendo. Entre os extras confirmados na documentação:
- Suporte a pixel shaders
- Proporções de tela ampliadas, em 16:9 ou 16:10 — adeus, barras pretas nas laterais
- Um mapa-múndi renderizado em qualidade superior à original
- Compatibilidade com faixas de áudio em MSU, o que permite trilhas sonoras com qualidade de CD
- Um slot secundário de item vinculado ao botão X (segurando X no inventário)
- Possibilidade de trocar o item equipado direto pelos botões L e R
O sistema de controles também ganhou funcionalidades modernas de emulador, como salvamento e carregamento de estados (F1 a F10), modo turbo, e até replay de sessões salvas — já que o histórico de entradas do controle fica registrado dentro dos próprios snapshots.
Multiplataforma, incluindo Nintendo Switch
O projeto compila em Windows (com Visual Studio ou o compilador leve TCC), Linux, macOS — e, o que é mais curioso, também no próprio Nintendo Switch, via homebrew, usando DevKitPro e Atmosphere. Quem preferir não mexer com compilação também tem a opção de um launcher desenvolvido por terceiros, disponibilizado por RadzPrower, exclusivo para Windows.
Vale reforçar: o projeto é distribuído sob licença MIT, e a última versão marcada oficialmente no repositório é a v0.3, lançada em agosto de 2023 — desde então, o desenvolvimento segue direto pela branch principal, com mais de 300 commits registrados até o momento.
Para quem cresceu com o cartucho original e sempre quis entender como aquele jogo funcionava por baixo do capô, o zelda3 é basicamente um raio-x completo de A Link to the Past, aberto para qualquer pessoa estudar, modificar ou simplesmente jogar com uma cara mais moderna. Para conhecer o projeto, é só visitar este link.
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The Legend of Zelda: A Link to the Past
Ficha do jogo- Lançamento
- 21 de novembro de 1991
- Desenvolvedora
- Nintendo Entertainment Analysis and Development
- Publicadora
- Nintendo
- Gênero
- Ação-aventura e RPG eletrônico de ação




