Preview Arkade – jogamos um pouquinho da campanha de Gears of War: E-Day

Faz algum tempo que Gears of War não entrega um jogo realmente capaz de empolgar como os primórdios da franquia. É justamente por isso que Gears of War: E-Day chega cercado de expectativas.
A trilogia original, iniciada e concluída no Xbox 360, marcou época não apenas pelo combate extremamente competente, mas também pela construção de seus personagens, pela “brotheragem” de Marcus Fenix, Dominic Santiago e os demais membros do Delta Squad e, claro, por alguns dos momentos mais épicos que os jogos de tiro em terceira pessoa produziram naquela geração.
Depois disso, a série tentou se reinventar. Gears of War 4 e Gears 5 apresentaram uma nova geração de personagens, novas ameaças e algumas mudanças na estrutura da experiência single player, mas não conseguiram provocar a mesma sensação dos jogos originais.

Sei que muita gente curte “se matar” com os amigos no multiplayer, mas eu sempre curti as campanhas intensas e cinematográficas da trilogia original. E é justamente por isso — pela campanha — que estou ansioso por Gears of War: E-Day. Recentemente, tive acesso a um preview exclusivo do game, que me permitiu jogar uma parte da campanha. E olha… gostei muito do que vi.
De volta ao início da guerra
Como o próprio nome indica, E-Day nos leva ao chamado Emergence Day, o dia em que os Locust emergiram do subterrâneo de Sera e deram início à guerra que serviu como pano de fundo para a trilogia original.
E existe algo particularmente interessante nessa escolha. Em vez de continuar expandindo a cronologia para frente, o pessoal da Xbox Game Studios decidiu voltar no tempo e mostrar um dos momentos mais importantes da história da franquia — que é o que todo mundo sempre quis ver.

Melhor ainda: fazemos isso na companhia de Marcus Fenix, que retorna como protagonista, junto de Dominic Santiago, seu melhor amigo e um dos personagens mais marcantes da trilogia original. Só a possibilidade de acompanhar esta dupla em um momento tão conturbado já torna este jogo muito mais interessante do que os capítulos mais recentes da franquia.
O preview nos permitiu experimentar o capítulo 2 da campanha, portanto ainda não tivemos contato com o começo da história. Isso impossibilita qualquer avaliação sobre a narrativa completa, mas o trecho apresentado já deixa claro que o Emergence Day não será tratado apenas como uma desculpa para os tiroteios: existe todo um contexto social e geopolítico envolvido.

Não é para menos: o planeta está diante de uma ameaça que ainda não compreende completamente, cidades estão sendo arrasadas e civis estão morrendo aos montes enquanto soldados são colocados em uma situação para a qual muitos deles nem estavam preparados.
Este pode ser um dos elementos mais interessantes de E-Day: estamos acompanhando o início de uma guerra que sabemos que será longa, brutal e devastadora. Existe, portanto, uma tensão adicional em observar personagens que ainda não são os veteranos cascudos que conhecemos na trilogia original.
O Gears of War “de sempre”
A franquia Gears of War foi uma das grandes responsáveis por estabelecer o formato tiro em terceira pessoa baseado em cobertura. E, como em time que está ganhando não se mexe, o que pude experimentar de E-Day é imediatamente familiar — e isso é ótimo.

A estrutura continua funcionando muito bem mais de uma década depois: avançamos procurando cobertura, observando a posição dos inimigos, distribuindo pipocos e limpando cada arena antes de avançar.
Os cenários continuam sendo construídos pensando nesse sistema. Muros, barricadas, muretas e diferentes obstáculos estão espalhados pelo ambiente, criando pontos de cobertura para o esquadrão. E, como estamos no E-Day, as barricadas também podem ser mais “mundanas”, incluindo carros, mesas e bancadas.
Gears of War possui um dos melhores gameplays de tiro em terceira pessoa, e a fórmula continua funcional e bem executada. Os tiros possuem impacto, as armas são brutais e a carnificina característica da série continua presente. Dar um tiro à queima-roupa com a escopeta Gnasher e ver o pobre Locust explodir em pedaços é muito satisfatório.

Mesmo em uma sessão de jogo relativamente curta, fica evidente que o feeling de atirar e buscar cobertura ainda funciona. Além disso, o peso e a fisicalidade que sempre diferenciou Gears of War de outros shooters em terceira pessoa também está de volta — bem como algumas classes de Locusts já bem conhecidas, como Drones e Boomers. É cedo para dizer o quanto a campanha vai variar esse repertório, mas, pelo menos no trecho que pudemos experimentar, existe uma sensação bastante forte de familiaridade (e não falo isso como um demérito).
Performance no “pobrinho” Series S
Experimentei o preview no meu Xbox Series S, a versão menos potente da atual geração da Microsoft. Acho importante destacar este ponto porque, naturalmente, quem jogar E-Day em um Xbox Series X ou em um PC parrudo vai encontrar uma experiência ainda mais avança em termos visuais e técnicos.

Dito isso, fiquei positivamente surpreso com o resultado no Series S: o jogo apresenta gráficos bastante competentes, com cenários detalhados, personagens bem modelados e uma boa quantidade de elementos e efeitos na tela. É evidente que algumas concessões precisaram ser feitas para que o título pudesse funcionar adequadamente no hardware mais “pobrinho” do Series S, mas, isso nem de longe significa que o jogo está feio ou mal otimizado.
Isso é particularmente importante considerando que estamos falando de um jogo que pretende entregar grandes momentos de ação e uma apresentação visual de alto nível — e, claro, ainda tem todo o elemento multiplayer, que exige estabilidade e performance. Pelo menos nessa primeira amostra, o Series S demonstrou ser capaz de dar conta do recado.

Também foi legal conferir em primeira mão as dublagens em PT-BR. Por mais que eu seja um fã da voz original do Marcus Fenix, eu sempre gosto de levar em conta a qualidade da localização de um jogo. E não falo só de qualidade técnica, mas também da preocupação em regionalizar termos e na qualidade das interpretações. Felizmente, neste ponto, Gears of War: E-Day parece estar muito bem encaminhado.
Um retorno com muito potencial
Ainda está cedo para dizer que Gears of War: E-Day é o grande retorno que a franquia precisava. Afinal, tive acesso a um trecho bastante específico da campanha, que mostrou um recorte de uma história que pode — e deve — ser muito maior. .

Mas, o que vi até agora mostra um jogo que sabe que não precisa se reinventar, mas se espelhar no passado. Marcus Fenix está de volta, os Locust estão novamente no centro da ação e o tiroteio baseado em cobertura continua tão afiado quanto sempre foi.
Mais importante do que isso, porém, é a possibilidade de explorar um momento histórico tão importante para a franquia. O Emergence Day sempre foi mencionado como o acontecimento que mudou Sera para sempre. Vai ser épico ter a oportunidade de testemunhar esse acontecimento pela ótica de velhos conhecidos. Até agora, Gears of War: E-Day deixa uma primeira impressão bastante positiva.
Agora é esperar até o lançamento do jogo completo, que segue previsto para 6 de outubro, com versões para Xbox e PC.
Agradecemos à Microsoft pelo acesso antecipado para este preview.








