Ir para o conteúdo

Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil

Descubra como Raccoon City cresceu com turismo, natureza e a Umbrella antes de se tornar o palco do desastre de Resident Evil.

Junior Candido
Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil

Raccoon City era, sim, uma cidade turística. Antes de virar o cenário do maior desastre da franquia Resident Evil, e se tornar conhecia mundialmente (no universo dos jogos e fora dele) pelo seu caos, o local atraia turistas com sua famosa montanha, trilha, camping, lago, ervas medicinais e uma fama crescente de “cidade da Umbrella”.

O turismo e o vírus nasceram no mesmo pedaço de mata. As Montanhas Arklay e a Raccoon Forest, local onde foi construída a Mansão Spencer e todos os seus locais escondidos, atraíam excursionistas de outros estados, que nem imaginavam o que acontecia bem debaixo dos seus narizes. Foi nesse circuito de trilha e acampamento, inclusive, que surgiram as primeiras mortes registradas nos files do Resident Evil original.

Uma cidade de montanha que virou vitrine da Umbrella

Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 2)

Raccoon City fica no Meio-Oeste americano, cercada por serras e floresta. Fontes da lore apontam que ela foi fundada no século 19 — em materiais ligados a Operation Raccoon City, o seu ano exato de fundação foi 1881. Por décadas foi um núcleo pequeno, com sua economia vivendo apenas de caça, lazer e natureza. O acesso, como outras cidades da mesma natureza, não era foi tão simples, mas depois o acesso veio com uma rodovia a nordeste, vias secundárias ao sul, e depois serviços de bonde e trem.

Mas tudo muda no fim dos anos 1960. Em 1968, Oswell E. Spencer, Edward Ashford e James Marcus fundam a Umbrella. Spencer, inclusive, já tinha terreno nas Arklay, e em 1962 contratou o arquiteto George Trevor para erguer a mansão sobre cavernas de calcário.

Publicidade
Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 3)

Embaixo dele, obviamente, o laboratório, para que uma mansão imponente escondesse os perigosos estudos e experimentos com vírus. Na cidade, por causa disso, a cidade prosperou, evoluindo o ambiente de construção, gerando empregos conforme a Umbrella crescia e a propaganda, que expandiu não só por causa da empresa, mas também pelo seu forte apelo de aventura de natureza, que foi se ampliando conforme a cidade crescia.

O resultado foi cidade em crescimento, com cerca de 100 mil habitantes com uma empresa direcionando a vida econômica do lugar, com cerca de 30% da população ligada a negócios da Umbrella e uma outra parcela ligada a serviços públicos, como polícia, bombeiros ou funções na prefeitura, algo indiretamente ligado a este crescimento. Outros relatos da série falam em fatia ainda maior. Além da aventura, a possibilidade de uma vida melhor também atraiu gente, mas não para turismo, e sim para viver em uma cidade em expansão.

A placa de boas-vindas, inclusive, deixava tudo bem claro: Home of Umbrella.

Trilha, camping e as ervas que todo mundo conhece do inventário

Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 4)

O potencial turístico não era só marketing artificial feito pela prefeitura. Guias da cidade tratam a economia de Raccoon City como mistura de indústria e turismo. Quando não tinha indústria, tinha natureza.

As Montanhas Arklay recebiam aventureiros o ano inteiro. A floresta fechada e a montanha era motivo para que muitos ficassem por ali, acampando ou visitando o Lago Victory (Victory Lake), que funcionava como cartão-postal e reservatório. A Raccoon Dam abastecia a cidade. Quem queria acampar ou fazer trekking ia para o mesmo cinturão verde onde Spencer escondeu a mansão e o Laboratório Arklay.

E no meio de tudo isso, entram as ervas. As famosas plantas verdes, vermelhas e azuis não eram simples itens de cura de um jogo. Relatos encontrados no game dizem que a vegetação da região ficou conhecida na comunidade médica pelas propriedades dessas plantas. Os moradores até plantavam elas em casa. A Umbrella, na sua pesquisa farmacêutica, soube transformar isso em discurso de saúde e pesquisa. E com o conhecimento destas ervas e seus potenciais, mais gente visitava Arklay, para ver de perto o que elas poderiam fazer.

Publicidade
Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 5)

Mas no centro urbano, para turistas ou moradores locais, o turismo de fim de semana também existia. O Raccoon Zoo, aberto nos anos 1970, seguia lotado nos anos 1990. Havia estádio, o time Raccoon Sharks, uma universidade, a imponente torre do relógio de Saint Michael e um centro comercial que só cresceu com o avanço da cidade. Jornais locais — Raccoon Times, Raccoon Weekly, The Daily Raccoon — também relatavam o dia a dia e vendiam a cidade como lugar em ascensão.

Uma das primeiras vítimas pode ter sido uma turista

Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 6)

Mas, como sabemos, em maio de 1998 a cidade começou a se tornar de local dos sonhos para o último local da Terra onde alguém queria estar.

Logo no primeiro Resident Evil, achamos na biblioteca uma matéria do Raccoon Times de 27 de maio. No dia 20, por volta das 22h, um local acha o corpo de uma jovem, usando botas de trilha, de cerca de 20 anos na margem esquerda do Rio Marble, no distrito Cider. Os braços e pé esquerdo estavam mutilados, e marcas de dente mostravam força demais para um acidente comum. A polícia falou em ataque de algum urso ou animal grande e a conclusão do próprio jornal é que o ataque aconteceu nas Montanhas Arklay e o corpo desceu pelo rio.

Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 7)

Outras notas do mesmo scrapbook falam de “monstros” do tamanho de cães grandes, em matilha, difíceis de ferir. O Raccoon Weekly de 16 de junho insiste no assunto. Em julho a prefeitura bloqueou a estrada para o pé das montanhas. Quem acompanhava o noticiário local começou a ver, com uma frequência preocupante, pessoas desaparecidas, corpos destroçados e o consequentemente fechamento da área de trilha.

Por baixo da vegetação, o diário do tratador do canil do laboratório Arklay deixa claro que isso era obra de animais bem conhecidos neste universo: os Cerberus, Dobermanns infectados com o vírus-T, que escaparam. O mesmo mato que recebia barracas e aventureiros virou território da perigosa matilha. Eram os turistas conhecendo, da pior forma, o que realmente existia em Raccoon.

Prédios novos, salário alto e turismo de negócios

Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 8)

Mas além do Arklay, a Umbrella não comprou só a floresta. Comprou a paisagem urbana.

A linha do tempo que o game apresenta traz a seguinte evolução para a cidade:

  • 1968: o início do transporte por bonde.
  • 1969: o metrô dos irmãos Kite e inauguração da fábrica suburbana da Umbrella. E também foi quando nasceu o R.P.D.
  • 1992: a prefeitura é reformada com dinheiro da empresa e inauguração do “avançado” Raccoon General Hospital.
  • 1993: a Saint Michael Clock Tower volta a funcionar após reforma patrocinada, e se tornou um cartão postal do local.
  • 1994: uma reforma pesada na Raccoon University, para atrair ainda mais pesquisadores em potencial.
  • 1996: plano Bright Raccoon 21 — para ampliar a segurança e proteger o meio ambiente, que rendeu a criação da S.T.A.R.S. com metade do financiamento vindo da Umbrella, com agentes especiais treinados em proteção mais eficiente em casos extremos.

Além disso, Raccoon City viu seus domínios sendo organizado com um orfanato de referência, a modernização de seu esgoto, e uma estrutura feita para outro tipo de turista: os de negócios.

Publicidade

Estes não usavam tênis de caminhada, mas precisavam de estrutura própria. Assim, hotéis, restaurantes e um clima pacífico, protegido por uma polícia que contava até com uma força de elite, atraía gente de todo o país, como curiosos em trazer suas famílias para lá, executivos, pesquisadores e fornecedores.

Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 9)

Raccoon City vira destino de negócios porque a Umbrella é o ímã. E o prefeito Michael Warren encarna esse pacto. O plano de revitalização deixa a empresa dentro da prefeitura, da polícia e da infraestrutura. Mas, curiosamente, o NEST sob a cidade — o laboratório do G-Vírus de William Birkin — nascem no mesmo ciclo de obras “para o bem da população”.

Turismo de natureza nas matas. Turismo corporativo nas ruas. E “Turismo de Zumbi” embaixo de tudo isso.

O que a cidade vendia e o que ela escondia

Raccoon City era uma cidade turística? Vamos desbravar juntos o potencial turístico da cidade de Resident Evil (imagem 10)

Raccoon City era turística no sentido clássico de destino de quem procura turismo de natureza: o Arklay, grandes florestas, um belo lago, áreas camping, um zoo, além de belezas locais como a torre, e a universidade. E era turística também no sentido de cidade-empresa: gente de fora chegava por empregos, salário e negócios com a Umbrella.

Era uma “cidade-modelo”, com uma empresa que trazia novos habitantes para trabalhos estáveis e prósperos, além de turistas que buscavam conhecer melhor esta empresa, para fins de negócios. Isso sem falar nas belezas naturais.

Mas, em setembro de 1998 o castelo desaba. O vazamento do vírus-T no esgoto e na rede de água transforma o destino turístico em uma amostra do Apocalipse. E, por causa de todo o caos, o governo dos EUA decidiu simplesmente riscar Raccoon City do mapa.

Antes disso, porém, o produto que Raccoon City vendia era simples. Ar puro nas Arklay, empregos na Umbrella, fotos legais na torre e ervas para curar. Além de hotel e atrativos para quem vinha “fazer negócio na cidade da farmacêutica”.

A trilha estava no folheto. O laboratório, no subsolo da mesma serra.

Fontes consultadas:

Aproveite que está aqui e siga o Arkade no 

O RG35XXSP tem cara de Game Boy SP, mas roda uma infinidade de jogos clássicos. Garanta o seu no AliExpress!

Aproveite Assassin’s Creed Black Flag Resynced com desconto e frete Prime na Amazon.

Ganhamos uma pequena comissão nos links compartilhados em nossos posts. Você não gastará nada mais com isso e ainda apoiará o jornalismo independente de games e cultura.

Próxima matéria Fórmula 1 – O que você precisa saber sobre Monza, lar do GP da Itália e um dos templos do automobilismo Arkade Speed Fórmula 1 – O que você precisa saber sobre Monza, lar do GP da Itália e um dos templos do automobilismo Conheça a história, os recordes, as curvas e as mudanças de 2026 no circuito de Monza, palco do GP da Itália de Fórmula 1.

Resident Evil

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
Junior Candido

Conto a história dos videogames e da velocidade de ontem e de hoje por aqui! Siga-me em instagram.com/juniorcandido ou x.com/junior_candido

Mais matérias de Junior Candido

Buscar no Arkade