Street Fighter 2 quase foi um exclusivo do TurboGrafx-16, afirma ex-dirigente de distribuidora

O sucesso de Street Fighter 2 no Super Nintendo poderia ter sido diferente (assim como a própria história dos videogames) se um acordo de exclusividade com o TurboGrafx-16 tivesse avançado.
De acordo com o Time Extension, que se baseou em uma entrevista, Steve Garwood, ex-presidente da Turbo Technologies, Inc. (TTI) e da Turbo Zone Direct, a Capcom estava prestes a limitar o jogo apenas para o console da NEC e Hudson na América do Norte, mas decisões corporativas no Japão mudaram o rumo da história dos games.
Essa revelação veio em uma entrevista recente ao Retro Game Club, onde Garwood detalhou como o TurboGrafx-16, versão norte-americana do PC Engine, perdeu, com isso, a oportunidade de atrair mais jogadores.
Na época, o game de luta da Capcom dominava os fliperamas e prometia impulsionar qualquer console doméstico que o recebesse primeiro. Por isso, muita gente comprou o Super Nintendo justamente para jogar a versão caseira, lançada em junho de 1992 no Japão e julho no mesmo ano nos Estados Unidos. O que ajudou bastante para a popularização do console em dias em que a SEGA já estava buscando o seu lugar no mundo dos games nos EUA.
A TTI, uma parceria entre a NEC – criadora do PC Engine – e a Hudson para lançar o TurboGrafx-16 na América do Norte, negociava o contrato de exclusividade. Já a Turbo Zone Direct gerenciava a distribuição do TurboGrafx-16, do Turbo Duo e do portátil Turbo Express após a TTI se afastar do mercado devido a vendas baixas. “Deveria ter sido nosso”, contou Garwood. “Tínhamos tudo encaminhado. Seria exclusivo para o Turbo. Estávamos a um passo de fechar o acordo. Isso teria mudado muita coisa.”
O PC Engine acabou recebendo uma versão de Street Fighter II: Champion Edition em junho de 1993, mas diferente do que o acordo precisa, o game saiu apenas no Japão.
No fim, foi o Super Nintendo que teve a exclusividade do game em 1992, de forma temporária. Já que em 1993, além da versão de PC Engine, o Mega Drive também recebeu o seu port, chamado de Special Champion Edition. E, desde então, Street Fighter sempre teve versões para os mais diferentes consoles.
Essa quase-exclusividade destaca os bastidores da era 16 bits, quando até a NEC tentava um lugar ao sol no competitivo mercado dos EUA, dominado pela Nintendo e com a SEGA declarando guerra para ter o seu espaço. A retirada da TTI do cenário norte-americano, motivada por números fracos de vendas, selou o destino do acordo.
Para fãs de Street Fighter 2 e história dos videogames, a declaração de Garwood abre uma janela para o que poderia ter sido: um boost significativo para o TurboGrafx-16 em meio à dominação da Nintendo.
Se quiser ouvir todo o bate-papo, basta acessar este link.
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