Tetris de Game Boy ganha port nativo de fã para PC, com paletas de cores variadas, placar permanente, e muito mais

O projeto Kirpich reconstrói o Tetris do Game Boy em C++ e bota o clássico para rodar nativamente no PC, sem emulação e com melhorias.
O projeto,disponível no GitHub de etroimcasso, reescreve a lógica do cartucho de 1989 e entrega o jogo nativamente em Windows, macOS e Linux. E, é claro, o jogador que terá de oferecer a ROM do game.
O ponto que diferencia o Kirpich da enxurrada de projetos clones e cores diferentes de emuladores é o método. A maior parte do jogo virou código C++ comum, com tabelas conferidas, diferentes da ROM original. Só dois pedaços ainda rodam código de máquina do cartucho: o sorteio das peças, que depende do registrador divisor do DMG e do timing ciclo a ciclo, e o driver de áudio original, que continua programando o som no ritmo de 1989. Por isso a música e os efeitos não são uma “versão inspirada”, são as feitas para o cartucho, sem mudanças.
O single-player inteiro está lá, com os modos A-Type, B-Type, menus, pausa, game over, além do placar de fim de rodada. Os dois finais escondidos do cartucho também estão disponíveis: limpar o B-Type começando debaixo de cinco linhas de lixo dispara o lançamento do Buran e fazer 100 mil pontos no A-Type solta um foguete, em três tamanhos diferentes, conforme a pontuação final.
Tem um modo extra, e ele vem desligado de propósito. O C-Type é uma maratona com o chão subindo. Um contador de quedas fica no painel: cada peça que encosta tira um ponto, cada linha limpa devolve um. Quando chega a zero, a pilha sobe uma fileira e entra lixo embaixo. Uma linha por queda empata.
Fora isso, a lista de extras é grande e, na maior parte, opcional:
- 80 paletas de cor, com prévia ao vivo. Tem o verde nostálgico do portátil, o cinza, os oito esquemas de cores do Painel de Controle do Windows 3.1 (sim, inclusive o Hot Dog Stand) e dezenas de rampas que recusam o preto puro no tom mais escuro, justamente a cor das paredes e das peças travadas
- peça-fantasma para marcar o pouso, desligada por padrão
- recorde permanente, com a telinha original de nome na roleta de letras. No cartucho isso morria quando se desligava o bicho
- modo atração com as duas demos gravadas no título
- tela cheia, janela redimensionável, teclado e controle
- tela de ajustes que grava as escolhas
- um menu Fixes que, se o jogador quiser, corrige manias do original
As manias, aliás, foram copiadas de propósito. O atalho Start + Select + B + A zera o estado e preserva as tabelas de recorde. Uma limpeza de várias linhas duplica a fileira de cima. E, quem quer o mesmo jogo de 1989 deixa o Fixes quieto, mas quem quer o jogo “revisado” liga o modo.
O Kirpich extrai gráfico e som para a pasta do usuário e não distribui nenhuma ROM, mas distribui downloads oficiais para Windows x64 e ARM64, Linux x64 e ARM64, e um DMG assinado para Mac com Apple Silicon. Depois da extração, o jogo inicia direto.
Ainda não dá pra tirar um contra, mas gameplay por “cabo link” está no roteiro, assim como o plano de um shader que tente o LCD velho: com tom esverdeado, ghosting, e grade de pontos.
Para quem cresceu com aquele verde nostálgico em telas sem luz, vale a pena experimentar. O código e os binários estão em github.com/etroimcasso/Kirpich.
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