Ir para o conteúdo

Análise Arkade: Deep Dish Dungeon traz masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria

Deep Dish Dungeon, o novo jogo dos brasileiros da Behold Studios oferece uma ótima experiência de dungeon crawler e crafting para curtir com os amigos.

Gilson Peres
Análise Arkade — Deep Dish Dungeon tem masmorras incríveis e desafiadoras

Divulgado inicialmente durante a BGS 2025, Deep Dish Dungeon é um jogo brasileiro desenvolvido pelo pessoal da Behold Studios, mesmos responsáveis por outros jogos brasileiros de peso como Knights of Pen & Paper e Chroma Squad. Abandonando um pouco as cores e o clima de aventura dos jogos anteriores, desta vez temos um dungeon crawler com mecânicas de sobrevivência bem sombrio e cheio de desafios pela frente.

Com a possibilidade de ser jogado cooperativamente entre até três pessoas, o jogo foge um pouco do óbvio do gênero, embora não deixe de ter algumas mecânicas mais tradicionais: ao mesmo tempo em que precisamos comer, beber água e construir nossos equipamentos, também temos tipos de interações com o ambiente das masmorras bem diferentes do usual. Então pegue sua tocha, prepare sua mochila e venha saber mais em nossa análise completa!

Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 2)

Fundo demais, escuro demais…

Deep Dish Dungeon traz uma premissa curiosa, com nosso personagem sendo resgatado por um figurão enquanto explorávamos uma sombria e quase infinita rede de túneis, masmorras e ruínas misteriosas. Não é apresentado muito o contexto do mundo do jogo em si, apenas que cavamos fundo demais ao ponto de nos perdermos nessa imensa rede subterrânea, tendo como caminho única e exclusivamente seguir em frente.

A ideia aqui é que somos coletores de tesouros e relíquias, arriscando nossa vida e até nossa sanidade em troco da chance de enriquecer no processo. O problema é que as masmorras são mortais e, por serem tão imensas e complexas, é preciso organização e sangue frio para não deixar a loucura (ou a ganância) tomar conta ao ponto de você jogar sua vida fora.

Publicidade
Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 3)

É uma ideia simples porém muito bem executada no game, já que temos uma atmosfera sombria e claustrofóbica incrível por aqui. Jogar cooperativamente com certeza deve aumentar em muito a experiência de jogo. Mas, ao mesmo tempo, jogar sozinho traz uma tensão e uma solidão ímpares para a jornada, tendo também seu valor enquanto experiência de jogo.

Puzzles desde os primeiros minutos de jogo

Um ponto que chama bastante atenção em Deep Dish Dungeon desde o seu início são os enigmas e puzzles que precisamos resolver. Aquele estilo de puzzle bem recompensador de “faça você mesmo” ou então “se vira e descobre”. Mas não de um jeito ruim: o que temos aqui são puzzles que recompensam justamente a curiosidade, a criatividade e a atenção do jogador aos detalhes.

Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 4)

Para passar da primeira porta do jogo e de fato entrar nas dungeons, precisamos entender e descobrir algumas mecânicas básicas de forma bem orgânica, sendo uma introdução ao jogo melhor — e sem tutoriais intrusivos — do que tenho visto em muito AAA por aí. Mas, os menos atentos podem ficar agarrados por bastante tempo na primeira porta do jogo, o que é hilário de se pensar.

Mas não pense que isso acaba aqui: esta porta é só um aperitivo do que você vai receber durante toda a jogatina. As masmorras são construídas de uma forma riquíssima em detalhes, mecânicas e mistérios, o que torna cada sala uma espécie de puzzle por si só. Mas isso não torna o jogo chato ou repetitivo, pois a maior parte dos puzzles possui mais de uma forma de ser solucionado, ou seja: há espaço para o jogador se expressar e inventar sua própria solução.

Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 5)

Na verdade, aí está um dos pontos mais louváveis de Deep Dish Dungeon, pois suas mecânicas de enigmas e desafios são tão orgânicos e tão bem inseridos no cenário que você muitas vezes está quebrando a cabeça para descobrir como acessar uma determinada plataforma ou como abrir uma determinada porta que nem nota que está, naquele exato momento, tentando resolver um puzzle do jogo.

Combates desafiadores e punitivos

Indo numa direção oposta à dos puzzles, o combate de Deep Dish Dungeon não me encantou tanto. Ele é desafiador na medida, o que é ótimo! Temos uma boa variedade de inimigos desde o início do jogo, passando por caveiras, morcegos gigantes, escorpiões, aranhas e outras coisas fofinhas do tipo. Já o combate em si precisa ser estratégico, para entendermos o ritmo e tipo de golpe de cada inimigo e sabermos responder no tempo certo para evitar danos desnecessários.

Publicidade
Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 7)

Enfrentar vários inimigos ao mesmo tempo estando sozinho pode ser a coisa mais imprudente que você vai fazer no game, e isso pode rapidamente te levar à morte. Por um lado, isso torna os combates momentos bem tensos no jogo. Por outro, temos alguns pontos que acabam mais atrapalhando a experiência do que tornando-a mais divertida.

A começar pela hitbox do nosso personagem em comparação com o alcance dos golpes dos inimigos. Parece sempre que os golpes vão bem mais longe do que a animação deles leva a crer. Mas o mesmo não é sentido nos nossos golpes, que nos obrigam a ficar bem próximos dos inimigos para causar algum dano, o que torna a experiência de combate um tanto desigual.

Siga o Arkade no Instagram @revistaarkade Seguir
Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 8)

Mas talvez o pior seja a mecânica de respawn dos inimigos, que acaba sendo rápida demais pra proposta do jogo. Imagine a situação: você encontra uma sala repleta de morcegos e esqueletos, todos impossíveis de serem vencidos de uma única vez por um único jogador. Daí, você gasta bons minutos se preparando e traçando estratégias para vencer, aos poucos, cada inimigo da sala, conseguindo finalmente limpá-la toda. Você coleta alguns espólios e volta para seu acampamento para depositar tudo e retornar para pegar o restante do que ficou pra trás… só para descobrir que todo o seu esforço não deu em nada, pois os bichos já começaram a renascer. Um tanto frustrante, não acha?

Masmorras complexas e divertidas

Os combates me deixaram um tanto frustado pois, com essa mecânica acelerada de respawn dos inimigos, o jogador acaba não tem um incentivo muito grande a se arriscar ou ser inventivo demais com os combates, afinal, já já os monstros estarão de volta. Felizmente, o mesmo não pode ser dito da exploração das masmorras como um todo, já que essas são absolutamente recompensadoras e instigantes.

Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 9)

O cenário de Deep Dish Dungeon me surpreendeu muito — positivamente falando. Ele foge completamente dos clichês e mesmices dos dungeon crawlers tradicionais com um level design criativo, repleto de segredos e enigmas e cheio de verticalidade em suas salas. Você realmente se sente explorando cavernas e ruínas perdidas que foram soterradas de modo completamente caótico e há muito muito tempo.

A exploração é muito auxiliada por mecânicas como selecionar e mover objetos do cenário como caixas, vasos, tábuas de madeira e afins, além da utilização de cordas em pontos fixos para subir e descer de alturas grandes demais para simplesmente pular. Temos também suportes para tochas espalhados por diversos cenários, que podem servir como forma de marcar o caminho, de iluminar mais facilmente o ambiente ou até mesmo ativar uma porta secreta aqui e ali.

Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 10)

Além de tudo isso, podemos passar por plataformas das mais estreitas possíveis, ativar mecanismos variados de formas criativas para acessar novas áreas e passar por frestas e espaços mais apertados só para descobrir toda uma nova região da caverna. Tudo que envolve a exploração e o level design desse jogo é fantástico! Não fosse o probleminha que citei envolvendo os combates, a exploração seria de fato o ápice da jogatina, fazendo os jogadores se perderem por pura curiosidade.

Cozinhando e construindo

Quase dá para se esquecer em alguns momentos, mas Deep Dish Dungeon também é um jogo focado em crafting! Porém, ao contrário de outros jogos de sobrevivência que você simplesmente morre quando não está alimentado ou devidamente hidratado, por aqui nós ficamos absurdamente fracos nessas circunstâncias. A água aumenta o nível da nossa estamina, enquanto ter alimentos balanceados e ricos nutritivamente aumenta bastante nossos pontos de vida.

Publicidade
Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 11)

Com o avanço do jogo, começamos a ter acesso a formas mais elaboradas de preparo de alimentos, aumentando assim as possibilidades de vantagens que temos com eles. Além disso, temos também o tradicional crafting de equipamentos e itens diversos. O interessante aqui é que só liberamos a fórmula de construção de alguns itens quando encontramos alguma das suas matérias-primas. Não sabe como consegue o restante dos itens? Bom, se vira e descobre.

A ideia desse sistema de crafting, ao meu ver, é mais uma vez induzir a exploração. Isso porque, já que você só libera novos itens encontrando alguma de suas matérias-primas, só conseguimos evoluir no jogo justamente explorando e conhecendo mais não só salas e masmorras como também itens e recursos. Isso faz o sistema de crafting conversar muito bem com a exploração, criando uma sinergia entre os sistemas que torna tudo mais viciante.

Análise Arkade — Deep Dish Dungeon: masmorras incríveis e desafiadoras numa exploração cooperativa sombria (imagem 12)

Mais um excelente jogo brasileiro

Deep Dish Dungeon consegue inovar e surpreender num gênero repleto de mesmices e paradigmas, o que é excelente! Para amantes de dungeon crawlers e games com mecânicas de sobrevivência, o título é um prato cheio. Mas fica aqui minha recomendação especial para aqueles que tenham amigos para jogar em conjunto, pois, mesmo que a experiência solo tenha seu valor, o jogo brilha de verdade jogando com os amigos.

É uma questão de lógica: mecânicas um pouco problemáticas — como o transporte de itens muito grandes ou o próprio combate que mencionei — tornam-se menos punitivas quando você tem amigos para lhe ajudar… ou simplesmente para rir juntos quando tudo dá errado.

Por isso, mesmo que o novo game da Behold Studios funcione bem se jogado solo, ele é um jogo muito melhor quando experimentado cooperativamente. Se a ideia de saquear dungeons ao lado dos amigos lhe apetece, pode vir sem medo, pois esta é uma ótima pedida — e é do Brasil, algo sempre bom de se recomendar!

Deep Dish Dungeon será lançado amanhã (13 de outubro de 2026) com versões para PC (via Steam — compatível com o Steam Deck — e Microsoft Store) e Xbox Series. O jogo conta com legendas em português brasileiro.

Próxima matéria BGS 2026 - Square Enix traz Final Fantasy VII Revelation e Final Fantasy Resonance antes do lançamento Análises BGS 2026 – Square Enix traz Final Fantasy VII Revelation e Final Fantasy Resonance antes do lançamento A Square Enix não foi pra BGS 2026 só de brincadeira, ela trouxe Final Fantasy VII: Revelation e Final Fantasy Resonance para o público poder jogá-los antes do lançamento!

Deep Dish Dungeon

Ficha do jogo
Plataformas
Xbox, PC
Lançamento
13 de outubro de 2026
Gênero
Ação e estratégia
Gilson Peres

Gilson Peres é Psicólogo, Mestre em Comunicação e aqui no Arkade fala principalmente sobre Realidade Virtual, jogos de PC e novas tecnologias desde 2019.

Mais matérias de Gilson Peres

Buscar no Arkade