Análise Arkade – Absolum une a qualidade dos beat ‘em up da DotEmu com o roguelite em uma receita divertida

13 de outubro de 2025

Absolum chegou aos consoles e PCs em 9 de outubro de 2025, desenvolvido pela Guard Crush Games em parceria com Supamonks, e publicado pela Dotemu.

Disponível para Windows, Nintendo Switch, PlayStation 4 e PlayStation 5, o título combina mecânicas de beat ‘em up side-scrolling com toques de roguelite, criando uma experiência que combina comer comida do chão com “começar tudo de novo” quando perde.

Ambientado no mundo de Talamh, o jogo segue um grupo de rebeldes que enfrentam o Rei Sol Azra, um governante que busca eliminar a magia das terras conquistadas. Essa narrativa simples é suficiente para sair distribuindo pancada por aí, mas de um jeito diferente.

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O melhor de dois mundos

No coração de Absolum está o beat ‘em up, inspirado em clássicos do gênero. Fácil, fácil, o jogador vai lembrar de jogos como Golden Axe, Knights of the Round e muitos outros games que misturavam pancadaria com elementos medievais e mágicos.

Os jogadores escolhem entre quatro personagens com estilos distintos: Galandra, a elfa com uma espada colossal e poderes necromânticos; Karl, o anão que usa uma espingarda ancestral e socos para ataques próximos; Cider, a águil que maneja adagas duplas em movimentos rápidos; e Brome, o mago-rã que surfa no ar com seu cetro para lançar feitiços.

Já mostrando que as coisas aqui são um pouco diferentes, os ataques leves e pesados formam combos que geram mana, permitindo o uso de habilidades especiais chamadas Arcana para danos maiores. Defesas como esquivas e desvios cronometrados adicionam mais comandos ao jogo, paralisando inimigos ao bloquear golpes no momento exato.

E, obviamente, que diferencia Absolum é a fusão com elementos roguelite, similar ao que vemos em Dead Cells. Aqui, a morte não é um game over feito para sugar mais fichas, mas sim um passo na progressão: cada “morte” te leva de volta ao hub inicial onde o jogador recupera vida, compra melhorias ou desbloqueia itens permanentes.

Antes de iniciar, é possível equipar um dentre vários ataques especiais que vão sendo desbloqueados, habilidades passivas que modificam ataques e se perdem ao falhar, enquanto níveis e itens encontrados, além de upgrades, vão sendo encontrados a cada jornada.

Derrotar chefes libera skills ativas que permanecem entre as suas tentativas. Caminhos ramificados e missões secundárias evitam a monotonia, oferecendo escolhas em rotas e objetivos opcionais.

Seria o mesmo, por exemplo, se Final Fight ou Streets of Rage permitissem seus personagens evoluírem suas técnicas e escolherem de forma ramificada suas explorações pelas fases, ou se jogos como Dead Cells ou Hades liberassem a pancadaria simples ou encontrar frango no lixo em suas runs.

Knights of the Round até serviria como um exemplo primário, mas como a evolução naquele game é apenas estética, então imagine que este game vai um pouco além neste quesito.

Essa estrutura de roguelite beat ‘em resulta em runs curtas ideais para quem tem pouco tempo disponível, durando cerca de 20 a 30 minutos por sessão. Ao mesmo tempo, o desafio escalável mantém os jogadores mais investidos ocupados por horas, com progressão que exige adaptação a builds variadas.

Gostei bastante de como o modelo de Dead Cells, onde falhas alimentam o avanço do personagem, se integra ao beat ‘em up digno vc de elogios que a mesma Dotemu publicou em Streets of Rage 4. O resultado é uma jogabilidade coesa que valoriza tanto a experimentação quanto o domínio das mecânicas de luta.

Para quem prefere uma abordagem menos intensa, o sistema de ajudas se destaca como uma opção prática. Esses modificadores aumentam o dano causado e reduzem os acertos sofridos, facilitando o progresso sem comprometer a essência do jogo. É uma ferramenta útil para jogadores casuais que querem focar na história e na exploração de Talamh, com suas minas, florestas, tavernas e vilarejos cheios de segredos.

Visualmente, Absolum impressiona com animações desenhadas à mão pela Supamonks, cores vivas e designs de personagens detalhados.

A trilha sonora é competente e evolui dinamicamente durante as fases, começando suave e intensificando nos combates. O modo cooperativo para dois jogadores, local (como nos velhos tempos) ou online, permite sincronizar ataques e combinar elementos, ampliando ainda mais as possibilidades.

No geral, Absolum se posiciona bem entre títulos como Double Dragon Gaiden e TMNT: Shredder’s Revenge, trazendo um renovo para o gênero com sua loop viciante, gameplay simples e desafios interessantes.

A cereja deste bolo, claro é a combinação de ação arcade “raiz” com a progressão moderna dos roguelite atuais, tornando-o uma escolha sólida para fãs de beat ‘em ups e também de roguelite.

Se você busca um jogo diferente, que misture combates satisfatórios com runs imprevisíveis, e já sabe o que a DotEmu costuma entregar, vale a pena dar uma chance ao game.

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Junior Candido

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