Análise Arkade – Captain Tsubasa 2: World Fighters evolui o futebol de anime com novas técnicas
Análise de Captain Tsubasa 2: World Fighters, que amplia a estratégia e as técnicas do futebol de anime, mas mantém falhas e textos em inglês.
Captain Tsubasa 2: World Fighters chegou no fim de agosto de 2026 e já deixou uma coisa clara: o futebol de anime da Tamsoft e da Bandai Namco ficou mais tático do que em Rise of New Champions, mas o ainda oferece todos aqueles exageros bastante conhecidos e queridos pelos fãs do mangá e anime.
O jogo saiu em 27 de agosto no Japão e no dia 28 no restante do mundo, para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC via Steam. A história avança o arco World Youth, com supervisão de Yoichi Takahashi, e coloca o jogador no meio das eliminatórias e do Mundial Juvenil. Agora são 22 seleções, mais de 110 personagens jogáveis e mais de 150 cenas de técnicas no gramado.
No Brasil, o público reconhece a franquia como Super Campeões, o que pode causar estranheza com alguns nomes, mas que não muda em nada o conceito principal do anime e seus personagens. Quem cresceu com Oliver, Benji, Carlos e o todos aqueles chutes malucos e exagerados vai se sentir em casa.
Mas o óbvio precisa ser dito: quem espera um simulador no estilo EA Sports FC não vai achar aqui um jogo que se leva a sério. No lugar de esquemas táticos e dribles, aqui o negócio são chutes que viram duelo, goleiro com barra de stamina e combos de campo que se comportam quase como um jogo de luta em 11 contra 11, com direito a “chutes especiais” acionados com barra de especial. A The Games Machine chegou a descrever o jogo exatamente assim.
É o mesmo futebol exagerado de sempre, mas com adições pontuais

Assim como o seu antecessor de 2020, o game foi feito com foco bem especifico no fã do anime e mangá, que vai entender todas as mecânicas e ideias exageradas do jogo. Isso significa que faltas, impedimentos e questões táticas saem de cena para esbarrões para tomar a bola, dribles em sequência em forma de combos e chutes especiais que podem ser acionados de formas variadas. Além de eventos in-game que também podem mudar o destino da partida, seja por momentos scriptados, ou por disputas de boa específicas.
Se você jogou e entendeu o game de 2020, o novo título vai te fazer se sentir em casa. Se não jogou, talvez se assuste ao ver um futebol sendo jogado de forma “diferente”. Mas é, em sua essência, o mesmo game, mas com uma evolução de história e adições pontuais aqui e ali. Nada que justifique uma transformação profunda, mas que tenta dar algo a mais para o game.
Mas o game mantém o seu problema do jogo anterior: ele “fala” demais. É muita conversa entre os jogos na campanha principal, o que pode até desanimar alguém de se manter atento no jogo. Ao invés de usar cutscenes diretas, o jogo “explica” muito e tem muitas, muitas linhas de diálogo, dignas de um RPG, mas que não se encaixam em um jogo de futebol.

E o pior, no nosso caso: não tem legenda em português, o que limita ainda mais o game, ainda mais se levarmos em consideração crianças que conheceram o anime e adorariam jogar com Oliver (eu sei que ele se chama Tsubasa Oozora, mas Oliver é mais legal), mas que vão ter que lidar com centenas de textos em inglês, além de não conseguirem explorar os recursos adicionais do jogo.
Se fosse apenas um jogo de futebol simples com cenas divertidas do anime, isso nem seria um problema. Mas um jogo com muita linha de texto e vários menus de opções exigiria sim uma localização, para que mais jogadores pudessem aproveitar o game sem barreiras.
Jogo de luta em um campo de futebol

O gameplay é, em essência, o mesmo de 2020: um futebol arcade e direto. Tem botão para drible e desarme, outro para chute, dash e super técnicas. O tutorial da campanha ensina o básico em cerca de 15 minutos, e o jogador já percebe que o game ganhou um pouquinho mais em estratégia, diferente da ação desenfreada do jogo original.
Agora cada posição tem uma função específica em campo, para ajudar o time como um todo. O zagueiro rouba e enche a barra de super, os meias sobe o Chain com drible e passe e o atacante tem maior poder de chute ao gol. Isso faz com que o jogador tenha de administrar o time como um todo, ao invés de usar “um jogador pra tudo”.
O Chain System é a boa novidade que mais aparece nas análises. Ações bem-sucedidas, como o drible, desarme, super passe, super drible sobem o nível da corrente, até o nível 10. Quanto mais alto o número, mais forte o chute fica e o carregamento do chute sobe mais rápido. Se o adversário roubar a bola, ele herda o Chain, o que faz com que contra-ataques sejam mais mortais, e obrigam o jogador a ser mais cuidadoso em seus ataques.

Os Super Moves saíram do chute espetacular a gol e passaram a cobrir o campo inteiro. Agora tem super passe, super drible, super desarme e super bloqueio. Quando duas ações máximas se cruzam, vale a que foi ativada por último. E o goleiro deixou de ser um espectador. Na hora do chute, o atacante escolhe uma de seis trajetórias e o goleiro tenta ler o lado. Cada chute pesado desgasta a stamina. O sistema BREAK reduz de forma permanente a eficácia do goleiro no restante da partida. O que exige do jogador uma boa leitura e um bom condicionamento do goleiro, para evitar que chutes ao gol sejam gols instantâneos.
Há ainda Team Skills, usadas uma vez por partida em condições específicas, e técnicas ligadas à posição. Ainda não está tudo perfeito, pois os desarmes são fáceis demais e há “jeitos fáceis” de se fazer gol, se o jogador dominar o game, que desmonta a ideia de futebol estratégico que o game quer propor. Além disso, é muito fácil atravessar as defesas, os jogadores se comportam quase sempre iguais e os times variados, que deveriam ter em teoria melhor proveito das melhorias de gameplay, na prática são todos iguais, com mudanças apenas no enredo e visuais.
A ideia é boa, e sabemos que transportar o futebol exagerado de Super Campeões não é fácil. O que pesa, no entanto, é que estamos falando de um jogo que até tenta, mas ainda fica simples o suficiente para um jogo que, infelizmente, custa um valor elevado pra nós brasileiros. Ainda é pouco, para investir um dinheirão de preço cheio em um game destes.
World Youth, lá vamos nós!

A campanha principal retoma o ponto em que Rise of New Champions parou e entra no arco World Youth. O Japão enfrenta Tailândia, Uzbequistão, Arábia Saudita e China nas eliminatórias. No Mundial Juvenil aparecem também times tradicionais como o Brasil, Argentina, México, Uruguai, Camarões, Suécia e Holanda, entre outras seleções.
A Rota New Stars deixa o jogador criar seu próprio atleta, escolher posição — inclusive goleiro — e entrar na seleção japonesa ao lado de Tsubasa Ozora. Aparência, físico e técnicas específicas entram na criação, em um quase RPG onde o que o personagem faz no campo depende das técnicas equipadas, desbloqueadas em desafios de episódio e histórias opcionais. Nas muitas conversas também há a opção de respostas, mas elas mudam apenas a resposta da outra pessoa, não o rumo da trama.

Para quem leu o mangá, o ganho está nos extras. Há side stories, Link Stories e caminhos que acompanham a jornada dos rivais. Isso é legal para o fã que quer ver Kojiro Hyuga, Genzo (Benji) Wakabayashi, Karl-Heinz Schneider e o brasileiro Carlos Santana em suas trajetórias pessoais. O problema, assim como no antecessor, é o ritmo. Cenas cortam a partida no meio da jogada. Loading aparece até em troca de câmera, segundo relatos de usuários. Dá para pular as cutscenes, mas aí a campanha perde o que ela deveria ter de mais legal.
O elenco passa de 110 nomes. Além das 22 seleções, também há versões de times como o São Paulo, Flamengo e o Boca Jrs, times de ensino médio e o Real Japan, aquele time especial do mangá. A trilha ficou com Tadayoshi Makino, de volta da entrega anterior, com mais de 80 faixas novas.
Modos, edições e o que falta

No geral, o menu se resume a campanha, treino, partida contra a CPU, versus local, sala privada e ranked online. No PS5, o online pede PS Plus e admite até dois jogadores. E, mais uma vez, não é um FIFA de ligas, drafts e modos infinitos. Faltam, no entanto, um torneio direto para apenas brincar no jogo, editor de times e mais opções para não ficarmos presos apenas à campanha.
O Season Pass promete seis personagens jogáveis e itens até agosto de 2027. A pré-venda deu conjunto de camisas da seleção japonesa para a Copa de 2026 e da World Youth.
E, mais uma vez, devemos lembrar que o jogo não tem português brasileiro entre os idiomas. Nos idiomas de tela aparecem inglês, japonês, espanhol, francês, italiano, alemão, coreano, chinês, polonês e árabe, além de vozes em inglês e japonês.

O que nos faz refletir na balança de opiniões. Sempre deixo claro que os meus reviews não são fonte de indicação de nada. Eu apenas apresento o game, trago minhas impressões e deixo para você escolher. Mas não posso deixar de citar um elemento muito importante para nós brasileiros na hora de comprar um jogo: o preço.
Infelizmente, videogame no Brasil sempre foi caro e ultimamente tem ficado mais. E a influência em geral, que assim como nós recebem jogos para review, se esquece que os jogos hoje em dia custam um quarto de um salário mínimo, o que faz muita gente ter que pensar dez vezes mais do que pessoas em outros países antes de comprar o jogo.
E o que isso significa? Que por mais que o game tenha seus méritos e seja sim bem divertido para quem viu o anime e gosta de Oliver e seus amigos, o que ele tem de virtude pesa menos do que suas faltas, e isso inclui o nosso idioma, na hora de pagar um preço cheio. Sendo mais direto: é um game muito divertido, se adquirido em promoção, que para nós brasileiros entra no patamar de “preço justo”.
Dito isso, o novo capítulo faz total sentido para quem gostou de Rise of New Champions e queria mais estratégia no meio da ação das partidas. O Chain, o desgaste do goleiro e os supers por posição entregam isso. Também faz sentido para o fã do mangá que quer o arco World Youth representado em forma de game.
Mas ele não é um game de futebol para jogar todo santo dia em modos variados. E nem é pelo seu jeitão mais solto de se jogar, é mais por causa das interrupções no meio da partida, falta de modos extras além do básico e um modo online que com certeza não será dos mais populares.
Se você gosta do universo do anime, gostou do primeiro jogo e pode investir o preço cheio, você irá ser muito feliz. Mas se o valor pesa no seu bolso, espere uma promoção. O jogo é sim divertido, mas pode esperar, por não ser o mais surpreendente do gênero.
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Captain Tsubasa 2: World Fighters
Ficha do jogo- Plataformas
- PlayStation, Xbox, Nintendo, PC




