Análise Arkade – Cozy Grove: Camp Spirit, uma sequência ainda mais fofa e aconchegante

19 de julho de 2026

Em 2021, quando Cozy Grove foi lançado, ele apareceu em um momento perfeito. Enquanto muita gente, confinada em casa por conta da pandemia, buscava jogos relaxantes na esteira do sucesso de Animal Crossing: New Horizons, o título encontrou seu próprio espaço graças ao seu acolhedor acampamento habitado por simpáticos ursos fantasmas.

Seu ciclo de progresso baseado em tempo real era um convite para o jogador retornar diariamente a fim de realizar novas missões e estreitar laços com seus amigos fantasmas. Não consegue jogar todo dia? Sem problemas: os fantasmas ainda estarão lá, esperando por você. O jogo não queria transformar a volta em algo obrigatório ou punitivo, mas em algo que você faz porque gosta e quer retornar.

Eis que, recentemente, sua sequência, Cozy Grove: Camp Spirit, chegou aos PCs e consoles, deixando para trás sua exclusividade no catálogo da Netflix Games e revitalizando a fórmula já estabelecida. Em vez de tentar se reinventar, a sequência preserva a identidade do original, adiciona novas mecânicas, melhora diversos sistemas e entrega uma experiência ainda mais agradável para quem já havia se apaixonado pela ilha assombrada da Spry Fox.

Uma nova ilha, novos espíritos e a mesma sensação de acolhimento

A premissa de Cozy Grove: Camp Spirit continua bastante familiar. Mais uma vez assumimos o papel de um Escotista Espiritual que, após um acidente de ônibus, acaba preso em uma misteriosa ilha habitada por ursos fantasmas incapazes de seguir em frente. Cabe a nós ajudá-los a recuperar suas memórias, resolver pendências do passado e, aos poucos, finalmente encontrarem paz.

Cada espírito possui uma personalidade própria, histórias particulares e pequenos dramas que vão sendo revelados aos poucos. Cada interação com eles revela novos detalhes, e conforme os ajudamos, vamos fortalecendo nossa relação com eles, dia após dia.

Assim como no primeiro jogo, Cozy Grove: Camp Spirit não tem pressa. Em vez de despejar um monte de acontecimentos e missões de uma só vez, ele cozinha em fogo baixo, construindo lentamente uma relação de carinho entre o jogador e os habitantes da ilha.

O texto continua muito bem escrito, equilibrando humor, momentos emocionantes e temas delicados sem jamais perder o tom fofinho e acolhedor. Não espere nenhuma narrativa épica ou mirabolante. A graça aqui está justamente nas pequenas histórias que surgem durante o cotidiano da ilha.

Um cozy game que tem seu próprio ritmo

Quem jogou o primeiro Cozy Grove vai se sentir imediatamente em casa: a rotina continua girando em torno de conversar com os espíritos, cumprir pequenas tarefas, pescar, capturar insetos, coletar recursos, decorar o acampamento, cozinhar, fabricar móveis e expandir gradualmente a ilha.

O tempo continua avançando em sincronia com o mundo real, fazendo com que novas missões e acontecimentos apareçam diariamente. Pois é, quando você faz tudo o que há para fazer em um dia, o próprio jogo te diz que é melhor parar voltar no dia seguinte.

Este sistema pode parecer limitador para quem curte longas sessões de jogo, mas “maratonar” o jogo em um fim de semana nunca foi a proposta. Cozy Grove funciona quase como um ritual diário: você entra por uma horinha, interage com alguns personagens, cumpre missões, organiza seu acampamento e volta no dia seguinte.

Para manter o jogador engajado, a sequência adiciona diversas melhorias de qualidade de vida que tornam esse ciclo ainda mais agradável. A organização do inventário está mais prática, diversas atividades foram refinadas e novas ferramentas, como o peixe que funciona como uma lavadora de alta pressão, ajudam a diversificar as tarefas diárias sem descaracterizar a experiência.

Também há mais possibilidades de decoração, criação de móveis, interação com a fauna fantasmagórica e os diabretes, bem como a possibilidade de catalogar praticamente tudo em troca de recompensas. A customização do protagonista também está mais robusta e cheia de possibilidades. Não são mudanças revolucionárias, mas evoluções naturais da fórmula do primeiro jogo.

O Switch 2 parece ter sido feito para esse jogo

Embora eu entenda o apelo que este tipo de jogo tem em tablets e smartphones, a chegada aos consoles faz muito bem a Cozy Grove: Camp Spirit. Além das melhorias técnicas, como resolução mais alta, carregamentos mais rápidos e taxa de quadros mais estável, toda a beleza e fofura do jogo ficam ainda mais evidentes em uma telona 4K.

Dito isso, estou jogando no Nintendo Switch 2, e ouso dizer que ele talvez seja a melhor plataforma para curtir a experiência que Camp Spirit oferece, pois oferece o melhor dos dois mundos: o poder e a performance de um console ligado à uma TV, junto da praticidade de jogar em qualquer lugar em modo portátil — com um muito bem-vindo suporte à tela de toque.

Poder navegar pelos menus, organizar o inventário e posicionar objetos diretamente com toques na tela torna a administração do acampamento muito mais intuitiva. É aquele tipo de recurso que parece pequeno no papel, mas faz bastante diferença depois de algumas horas de jogo.

Sem contar que, um dos motivos que me fez ir parando de jogar o primeiro Cozy Grove foi justamente o ritual de sentar na frente da TV, ligar o PS5 e carregar o jogo diariamente. Não me entenda mal, eu gostei muito do primeiro jogo, mas o meu pouco tempo para jogar sentado no sofá, com o controle na mão, eu preferia usar com jogos maiores — muitos deles analisados aqui.

No Switch 2, isso deixa de ser um problema: nos últimos dias, eu consegui dar uma olhadinha no meu acampamento no intervalo do almoço, na sala de espera do dentista e na cama, antes de dormir. Esta praticidade faz toda a diferença em um jogo que prioriza sessões diárias curtas.

Audiovisual

Se existe um departamento em que a Spry Fox continua acertando em cheio, é o audiovisual: a direção de arte preserva o belíssimo visual desenhado à mão do primeiro jogo, repleto de fofura e carisma em cada detalhe.

O character design é simplesmente primoroso, com personagens que combinam características de formas lúdicas e fofas — tipo um urso que parece uma caixa de lápis de cor, outro que parece um arquivo de documentos. Os cenários também são incríveis e vão ficando cada vez mais belos, pois, conforme ajudamos os espíritos, as áreas da ilha deixam de ser acinzentadas e voltam a ganhar cor e vida. Quanto mais a gente joga, mais bonito o mundo do jogo fica.

A trilha sonora segue o mesmo caminho. São músicas suaves e relaxantes, perfeitas para acompanhar a rotina contemplativa do jogo. Para completar, temos um excelente trabalho de localização para português brasileiro, que adapta todas as piadinhas e trocadilhos com muita qualidade.

Mais do mesmo — e isso é um elogio

Nem toda continuação precisa reinventar a roda, e Cozy Grove: Camp Spirit entende isso muito bem. Em vez de tentar se reinventar para (talvez) agradar um público maior, ele prefere lapidar praticamente tudo aquilo que o primeiro jogo já fazia muito bem.

As melhorias de qualidade de vida tornam a rotina mais agradável, os novos espíritos mantêm o carisma lá em cima e a expansão das atividades garante variedade suficiente para justificar o retorno à ilha. Tudo isso acompanhado de um departamento audiovisual que esbanja candura.

Se você não gostou do primeiro jogo, dificilmente mudará de ideia aqui. Mas para quem buscava justamente mais dessa vidinha tranquila, cheio de pequenas histórias e personagens carismáticos, esta sequência entrega exatamente o que você queria. E, no Switch 2, ouso dizer que tudo isso fica ainda melhor — pela praticidade, pela performance e pela comodidade da tela touchscreen.

Cozy Grove: Camp Spirit já estava disponível para dispositivos mobile pelo catálogo de games da Netflix que é dona do estúdio Spry Fox. Recentemente, o jogo ganhou versões para PC, Playstation 4 e 5, Xbox One e Series e Nintendo Switch 1 e 2.

Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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