Análise Arkade: Onimusha: Way of the Sword é o glorioso retorno de uma série clássica
Depois de 20 anos, Onimusha finalmente ganhou um novo game. E a espera valeu a pena! Confira nossa análise de Onimusha: Way of the Sword!
20 anos. Esse foi o tempo que levou para a série Onimusha receber um novo game. Foi uma espera gigantesca, quase infindável, mas que nos trouxe mais uma pedrada da Capcom que está passando por 2026 só lançando sucessos! E finalmente é hora de conversarmos sobre esse retorno muito mais do que triunfal!
Um reboot que não perdeu nada de sua essência original

A franquia Onimusha originalmente acompanhou a saga de três samurais durante as campanhas de conquista do Japão por Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi, acompanhando Samanosuke Akechi (e Jacques Blanc em Demon Siege), Jubei Yagyu e Soki, três Onimusha que lutaram para libertar o mundo da ameaça dos Genma entre os anos de 1560 e 1598 (E em 2004).
Onimusha: Way of the Sword é ambientado algumas décadas após esses eventos, mas em um universo diferente, em um reboot que reconta a história dos Oni e dos Genma, agora colocando o mais lendário samurai da história do Japão, Miyamoto Musashi, como o Onimusha de sua época, dando novas origens à guerra entra as duas espécies e até mesmo na existência do bracelete Oni!

O game acompanha Musashi já durante sua era vivendo como um ronin percorrendo o Caminho da Espada, viajando sem rumo em busca de novas lutas e novos oponentes para desafiar e ficar cada vez mais forte. E outro personagem histórico que o “acompanha” é Sasaki Ganryu (Historicamente, o nome Ganryu é o nome de guerra adotado com Sasaki Kojiro), o maior rival de Musashi na vida real e também no game.
Ambos são ronins que apenas vivem para lutar, com Ganryu sendo bem diferente de suas descrições históricas, sendo um homem irritante que sente prazer em irritar Musashi para fazê-lo lutar contra ele. Mas tudo muda quando ambos são mortos pelos Genma, demônios das mais baixas profundezas do inferno, que de alguma forma invadiram o mundo real.

Enviados ao inferno, tanto Musashi quanto Ganryu encontram um estranho homem vestido de branco, que os força a equiparem os braceletes Oni, fazendo-os voltar à vida com novos poderes. Recebendo essa nova vida, Musashi tenta descobrir como tirar a manopla de seu braço, pois ele não quer ficar mais fortes as custas de poderes de outros. Mas logo ele descobre que seu retorno à vida guarda muito mais segredos.
Dentro da manopla uma Oni chamada Shizuka está presa, inicialmente relutante em ajudar Musashi, até enfim testemunhar suas habilidades na luta contra os Genma. E guiado por Takamura, um antigo Onimusha que protege o portão do inferno para impedir a invasão dos Genma, junto de Okuni, uma jovem dançarina kabuki que tem seus próprios motivos para querer caçar Genma, o samurai descobre o que está acontecendo.

Minamoto no Yoshitsune (que também é uma figura real da história do Japão), um antigo samurai que viveu centenas de anos antes de Musashi, e que ao morrer foi aprisionado pelos próprios Oni no Avici, o local mais profundo do inferno e lar dos Genma, conseguiu escapar de sua prisão, controlar os Genma e agora deseja voltar ao mundo dos vivos.
Cabe então a Musashi a tarefa de impedi-lo e salvar o mundo dos ataques dos Genma. E ele, relutantemente, aceita a missão, não só para tentar achar uma forma de remover a manopla, como também para finalmente derrotar seu rival Sasaki Ganryu!
Uma divertida mistura de história, ação, filmes de samurai e comédia

Onimusha: Way of the Sword segue a tradição de misturar história real do Japão com fantasia, colocando figuras históricas no meio da guerra entre os Oni e os Genma. Todos os personagens citados anteriormente foram pessoas que realmente existiram.
Miyamoto Musashi e Sasaki Ganryu dispensam apresentações, sendo os protagonistas do mais famoso duelo de samurais da história do Japão. Minamoto no Yoshitsune foi, em vida, um general que viveu cerca de 400 anos antes da época de Musashi. Ono no Takamura foi um famoso poeta e escritor, que viveu no século IX, alguns séculos antes mesmo de Yoshitsune. Izumo no Okuni, contemporânea de Musashi, foi uma dançarina e fundadora do teatro Kabuki, uma das formas artísticas mais importantes do Japão e que inspirou inúmeros personagens, inclusive o E-Honda de Street Fighter! E por fim, Gozen Shizuka foi também uma famosa dançarina e uma das mulheres mais famosas da história do Japão.

Todas essas figuras são transformadas para o novo game, com Musashi talvez sendo o mais parecido com sua versão real, apresentado como um ronin em sua busca por novas batalhas e aperfeiçoamento. E assim como nos games anteriores da série, a existência dos Oni e Genma adiciona um contexto que une todas essas figuras num lugar e tempo, mesmo aqueles que jamais coexistiram.
Onimusha: Way of the Sword apresenta seus personagens de forma muito bem feita e bastante inspirada nos filmes antigos de samurai. Musashi é um samurai que não tem preocupações, ele viaja, arruma brigas aqui e ali, derrota todos que conseguir e escapa quando a situação aperta. Mas acima de tudo, ele é bem engraçado, tendo aquele jeito de samurai desleixado e cabeça dura, que prefere resolver tudo na ponta da espada, e resmunga quando é contrariado.

Takamura é apresentado como um Onimusha experiente, mas não uma figura estóica e mergulhada em seriedade. Ele é um lutador que gosta de ação e de provocar Musashi, levando a sério a crise em que o mundo se encontra, mas não deixando de ignorar a diversão que as lutas contra os Genma proporcionam.
Okuni é uma jovem entre a adolescência e a fase adulta, a maior artista de sua época, mas tão cabeça dura quanto Musashi, com os dois criando uma divertida dinâmica de provocações e momentos muito emocionantes.

Shizuka, representando os Oni, é cercada por uma aura de magia e reverência, inicialmente relutante em estar “presa” a Musashi, mas que conforme a história progride demonstra ser uma personagem muito bem escrita, e que também tem uma veia para um humor mais sutil!
E por fim, Ganryu e Yoshitsune são apresentados como figuras puramente sanguinárias, que querem ver o mundo pintado de vermelho e viciados em violência. Ambos recebem, de certa forma, o mesmo tratamento narrativo de Oda Nobunaga, vilão principal dos três primeiros games da série, com a diferença de que ao invés de serem personagens de extrema seriedade, ambos são personagens bastante cômicos, contrastando com suas psicopatias, especialmente Yoshitsune, com toda aparição do personagem quase sendo uma cena de filme de terror!

O balanço entre humor, emoção e especialmente ação é verdadeiramente cinematográfico, no sentido que se Onimusha: Way of the Sword fosse um filme, seria incrível. Todas as suas lutas possuem coreografias incríveis, as cutscenes são divertidas e bastante dinâmicas, o humor acontece de forma quase intrusiva, naquele estilo de filmes em que o mundo está acabando mas alguém consegue fazer algo para extrair uma risada ou outra. E as cenas mais emocionantes são carregadas de sentimentos fortes.
Onimusha sempre foi uma série que apresentava esse tipo de mistura, e é incrível ver como mesmo isso se manteve intacto após 20 anos de ausência. Quando uma série retorna após anos e anos de esquecimento, normalmente algo acaba sendo perdido, na maioria das vezes coisas que muitos estúdios consideram que não seriam mais tão atrativos quanto no passado. Mas aqui temos praticamente tudo. A única coisa que foi deixada de lado são as câmeras fixas, mas se formos analisar bem, Onimusha: Dawn of Dreams já possuía câmera livre lá nos anos 2000!
Exatamente como era no Playstation 2, mas modernizado
Onimusha sempre foi uma série com gameplay simples. Com comandos de ataque básicos, movimentação de tanque, defesa, utilização de armas Oni, que causam grande dano, e a transformação em Oni após coletar almas roxas suficientes. Tudo isso está aqui com exceção dos controles de tanque.
O que tornava Onimusha especial eram as mecânicas “secretas”, que os games não explicavam de forma deliberada, mas que tornavam toda a experiência bem mais empolgante. A principal delas é o Issen, uma técnica que demanda timing impecável, em que ao atacar no exato momento em que você for atingido por um inimigo, o personagem faz uma esquiva e um contra-ataque extremamente rápido que destrói o inimigo. E, se o jogador tiver um timing perfeito, é possível criar uma cadeia de Issen, destruindo inimigos sequencialmente com golpes precisos. E o Issen está presente em Way of the Sword de uma forma tão mais evoluída e integrada que torna todos os combates do game em verdadeiras obras de arte de ação!

Em Onimusha: Way of the Sword, se o jogador tiver bom timing, as batalhas serão muito mais dinâmicas e divertidas, pois o game oferece três habilidades muito úteis: A primeira é o Issen, que já expliquei acima, em que você ataca no exato momento em que for atingido. A segunda é aparar ataques, usando a defesa no momento exato. Ao aparar, você tira o inimigo de sua base, permitindo alguns ataques antes deles se recomporem. E a terceira é defletir ataques. Essa defesa é igual a aparagem, mas a postura do inimigo não é quebrada.
Cada inimigo possui uma barra de vida e uma barra de vigor. Quando a barra de vigor é zerada, o inimigo fica exposto para um Issen de quebra, um golpe extremamente poderoso que tira uma boa quantidade de vida e, dependendo de onde o inimigo for atingido, pode gerar almas para Musashi se recuperar. Ao aparar ataques, o medidor escaldante vai se preenchendo. Quando completo, a espada de Musashi começa a brilhar, com seus ataques causando mais dano.

Defletir ataques não aumenta o medidor escaldante, mas diminui muito a barra de vigor dos inimigos. Defletir é mais difícil que aparar, mas é uma técnica de alto valor contra chefões e inimigos fortes.
O sistema de melhoria de armas, armadura e desbloqueio de novas habilidades, tanto para as habilidades básicas, como para as Armas Oni, encontradas ao avançar na história, também foram mantidas, então sempre que possível é uma boa ideia melhorar Musashi. Algumas habilidades possuem alguns upgrades um tanto desnecessários, como por exemplo uma habilidade que permite quebrar paredes que bloqueiam o caminho, que tem um upgrade que torna mais rápida a animação para destruí-las, mas num geral, esse sistema continua familiar, apesar de agora ter se transformado numa verdadeira Skill Tree.

Como os controles de tanque foram deixados de lado, agora temos câmera livre e movimentação 3D. E a Capcom decidiu ir um pouco além, misturando o sistema original de mapas, com áreas lineares “fechadas”, com um mundo ao estilo sandbox localizado no leste da cidade de Kyoto. Assim, dentro da região do leste de Kyoto temos um mapa aberto, que precisa ser desbloqueado pedaço a pedaço, abrindo novos locais e principalmente novos eventos, pois Onimusha: Way of the Sword introduziu missões secundárias na aventura. Algo que já existia antes, principalmente em Dawn of Dreams, mas agora em um formado mais “direto”.
Assim, é possível explorar livremente a área do leste de Kyoto e outras áreas fora da cidade, que são construídas no formato clássico, utilizando os Espelhos Espirituais, que servem de pontos para salvar o game e melhorar Musashi, e como fast travel. Essa adição de um trecho em sandbox acaba estendendo um pouco mais a duração do game mais por conta da necessidade de exploração da área. Por um lado, mais tempo de jogo, por outro, torna o progresso um pouquinho lento as vezes.
Audiovisual

Talvez nem seja necessário falar da parte visual do game, pois ela é magnífica! Assim como em Resident Evil, a qualidade nas expressões faciais e realismo dos personagens é impressionante! Principalmente Musashi, pois a Capcom recriou digitalmente o rosto do ator Toshiro Mifune (1920 – 1997), que interpretou o samurai no cinema na década de 50!
A qualidade na recriação de seu rosto é incrível, especialmente em suas expressões faciais, pois Musashi foi interpretado como um personagem mais cômico, fazendo várias caretas em praticamente todas as cenas, bem ao estilo de atuação de filmes japoneses mais puxados para a comédia. Todos os outros personagens são igualmente muito bem feitos e expressivos, Yoshitsune, por exemplo, é praticamente o mal encarnado só pelas expressões de seu rosto!

Os cenários também são incríveis. Podemos não ter mais os cenários desenhados à mão de antigamente, mas qualidade e nível de detalhes em templos e florestas, recriando o Japão do século XVII em uma versão distorcida pela invasão dos Genma, é magnífica.
Os Genma e os Oni passaram por algumas mudanças de visual em relação aos games anteriores. Os Genma mais fracos antigamente tinham a forma de esqueletos humanos com resquícios de carne ainda presos, usando chapéus estilo kasa, aqueles chapéus de palha ao estilo do de Raiden de Mortal Kombat. Agora, eles possuem visuais semelhantes na estrutura, mas bem mais monstruosos, com peles úmidas, quase parecidas com de moluscos, apenas um olho no centro da face e uma estrutura orgânica no topo da cabeça semelhante a um chapéu.

Os outros tipos de Genma seguem esse mesmo estilo, com alguns tipos clássicos retornando em Way of the Sword, principalmente os lagartos com espinhos nas costas, que atacam girando rapidamente como rodas ou piões. O game ainda conta com novos tipos de Genma com visuais realmente perturbadores. E há ainda o retorno de um icônico chefão dos games originais, Daidara, um imenso Genma com presas de javali gigantes e equipado com uma clava!
O visual dos Oni foi um que passou por mudanças significativas. Essa espécie raramente aparecia fisicamente nos games originais, com algumas poucas exceções, normalmente aparecendo como criaturas de pele acinzentada ou azulada, cabelos brancos e um ou dois chifres na testa. Em Way of the Sword, Shizuka e outros Oni aparecem em pessoa, na forma de criaturas humanoides de pele clara, cabelos vermelhos e pequenos chifres em suas testas. Essa é a primeira vez na série que os Oni de fato aparecem em suas formas reais na história. E a transformação de Musashi em sua forma Oni é quase uma mistura do visual clássico com o novo, com pele cinza e chifres, mas ao invés dos cabelos brancos, longos cabelos vermelhos.

A trilha sonora é perfeita. Sempre presente em todos os momentos e com um estilo 100% típico. Nesse ponto realmente não tinha como a Capcom errar, bastava manter o estilo padrão da série. A trilha sonora combina músicas calmas e bastante melodiosas com sons mais pesados e rápidos para quando a ação está com tudo. A combinação de visuais e sons cria uma atmosfera de game de samurai facilmente identificável.
E o melhor de tudo, esse é mais um game 100% localizado em português brasileiro! A dublagem é simplesmente perfeita, trazendo as falas para nosso idioma de uma forma bem cuidadosa. Personagens com postura mais formal, como Shizuka, falam um português bastante eloquente. Personagens como Musashi e Takamura possuem um linguajar mais simples e “pé no chão”, com palavrões, trocadilhos e tudo. Já Yoshitsune e Ganryu falam como verdadeiras pessoas perturbadas, vendo a violência nada mais como uma grande diversão.
Conclusão

Foram 20 anos de espera por um novo Onimusha. E 7 anos de espera desde que a Capcom finalmente ressuscitou a série com o lançamento do remaster de Onimusha: Warlords em 2019. Demorou muito, mas a espera definitivamente valeu a pena!
Normalmente quando uma série passa por um reboot as coisas tendem a não ser tão boas como antes. Os games podem ser melhores tecnicamente, mas sempre algo acaba sendo perdido. Seja o gameplay original, que precisa ser adaptado para a atualidade. Seja a história, que agora não segue mais o que veio antes, recontando tudo de uma nova forma. Ou, no pior dos casos, perde-se a identidade.

Onimusha: Way of the Sword não abandonou os controles de tanque e câmeras fixas pois Onimusha: Dawn of Dreams já havia feito isso, apenas melhorou o que já existia. O game recriou seu universo, que teve começo, meio e fim na quadrilogia original. E o mais importante de tudo: Não abandonou sua identidade! O bracelete Oni tem o mesmo visual do primeiro e terceiro game da série, mais detalhado, mantendo sua estrutura. O gameplay manteve não só o básico, como aperfeiçoou as mecânicas mais complexas, como o Issen. Expandiu a evolução de personagem e de equipamentos. Mas manteve o mesmo feeling de antes de forma impecável.
Onimusha: Way of the Sword, por ser um reboot, não demanda que o jogador tenha conhecimento da quadrilogia original. Trata-se de uma recontagem da guerra entre os Oni e os Genma ambientado durante períodos históricos reais do Japão, com um enredo facilmente entendível por qualquer um, principalmente jogadores novos.

Mas para os jogadores que viveram o início e “fim” da franquia nos anos 2000, Onimusha: Way of the Sword traz uma forme mistura de nostalgia e novidade. Com o perdão da comparação, mas é quase como visitar um local de sua infância que melhorou com os anos. É a mesma coisa que você se lembra, mas revitalizado! Pelo menos, foi essa a sensação que o game me passou!
Onimusha: Way of the Sword foi lançado no dia 4 de setembro com versões para PC, Playstation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2.
- Plataformas
- PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
- Lançamento
- 4 de setembro de 2026
- Desenvolvedora
- CAPCOM Co., Ltd.
- Publicadora
- CAPCOM Co., Ltd.
- Gênero
- Ação e hack and slash




