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Análise Arkade – Submerged: Hidden Depths, uma sequência com poucas novidades

Submerged: Hidden Depths é a sequência de um jogo de 2015 que mantém a premissa de oferecer uma jornada pacífica por um belo mundo pós-apocalíptico.

Rodrigo Pscheidt

Esta matéria é de 2022 e pode estar desatualizada.

Análise Arkade - Submerged: Hidden Depths, uma sequência com poucas novidades

Em uma época em que muitos jogos estão enverando para um caminho implacável e punitivo, é bom darmos um tempo no stress e simplesmente curtir uma jornada mais tranquila. E, embora seja um jogo pós-apocalíptico, Submerged: Hidden Depths, entrega exatamente isso: uma experiência serena e contemplativa.

De volta a um mundo decadente

Submerged: Hidden Depths é a continuação direta de Submerged, lançado em 2015 (relembre aqui minha análise dele). E, em muitos aspectos, é também um jogo bastante similar em suas mecânicas e em seu loop de gameplay.

No primeiro jogo, a protagonista, Miku, navegava por uma cidade inundada em busca de suprimentos e remédios para seu irmão, Taku. Aqui, Taku já é um jovem, e Miku segue tendo uma curiosa ligação com as plantas e a natureza que lhe rodeia. Um dom que, no contexto do jogo, é tratado como uma espécie de maldição, um fardo que ela carrega, e que deixa seu imão sempre preocupado.

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A “maldição” da protagonista se manifesta em seu braço

Infelizmente, uma corrupção está se alastrando pelo mundo, colocando o que sobrou dele em perigo. Miku vai, então, usar seu dom para tentar reverter a situação, encontrando e utilizando orbes que devolvem a vida à flora e acabam com os viscos negros que estão tomando conta da paisagem.

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O tema “natureza corrompida que precisa ser restaurada” é bastante clichê no mundo dos games, mas o mundo de Submerged: Hidden Depths é interessante, e o jogo tem um “lore” muito misterioso, onde quase nada é explicado diretamente: precisamos encontrar livros e murais antigos para entender um pouco mais daquele universo.

Explorando o mundo

Submerged: Hidden Depths é descrito pelos seus produtores como um jogo de “relaxploration, ou seja, um jogo de exploração relaxante, sem combate, morte, nem outros tipos de perigos.

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Navegar é o cerne do gameplay

E, o jogo segue à risca esta filosofia: seu gameplay tem basicamente dois momentos: a exploração marítima, feita a bordo do barco, e os trechos onde desembarcamos para explorar (e escalar) ruínas a pé.

O mundo aberto do jogo não é enorme, mas é salpicado de pontos de interesse, que você pode (ou não) ir atrás. Usando uma luneta, podemos identificar e marcar tais pontos no mapa, para então navegarmos até lá e explorarmos. De melhorias e “skins” para o barco até livros que aprofundam o lore do jogo, você decide se só quer fazer o estritamente necessário, ou se quer desvendar todos os segredos do jogo.

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Não, isso não são inimigos, mas “estátuas” de pessoas que viraram plantas

Muito do que tem aqui é opcional — e considerando, que este é um jogo sem combate, nem pontos de experiência, level ups, nem nada — fica realmente a seu critério decidir o quanto explorar.

As missões principais, que avançam com a trama, envolvem muitas escaladas e resolução de puzzles — que geralmente tem a ver com a ação de levar a orbe até a flor, para acabar com a corrupção naquela região.

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Miku e uma orbe restauradora

Como a orbe é grande, não podemos carregá-la enquanto escalamos; explorar o cenário em busca de atalhos e formas de transportar a bola de vidro é essencial.

O mesmo “problema” do primeiro jogo

Eu não tenho nada contra jogos pacíficos, que buscam oferecer uma jornada contemplativa ao jogador… mas, Submerged: Hidden Depths tende a se tornar cansativo por conta disso — algo que já acontecia no primeiro game.

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Quando pegamos jogos como Journey ou mesmo Sea of Solitude (que tem uma ambientação bem parecida), temos experiências muito mais focadas, com setpieces que ditam o tom da aventura e entregam momentos que fogem da mesmice. E, também são jogos curtos, que duram cerca de 3 horas.

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Submerged: Hidden Depths não faz isso. Ele mantém um mesmo ritmo praticamente do início ao fim, e o fato de ser um jogo de mundo aberto faz com que ele torne-se repetitivo. Não há variação: você sempre vai estar navegando, encontrando pontos de interesse com a luneta e escalando ruínas. O jogo nunca tenta ir além disso.

O fato de não ter nenhum tipo de condição de falha ou morte deixa tudo “certinho demais”. Nas escaladas, não há como cair, nem se machucar. Sempre que estamos a pé, há paredes invisíveis em todo canto, impedindo que a gente sequer “tente” saltar para a morte. Para um jogo de exploração, Submerged: Hidden Depths limita um bocado as possibilidades.

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Cair de lugares altos não é uma opção…

Eu meio que reclamei da mesma coisa lá em 2015, e a verdade é que, como Submerged: Hidden Depths é muito “mais do mesmo”, ele também traz o mesmo problema. Que fique claro: o problema não é a falta de combate, mas o fato do jogo não variar em praticamente nada ao longo de sua duração. Sabe como é: o que é pacífico e seguro demais corre o risco de se tornar chato.

Um belo mundo submerso

Submerged: Hidden Depths não muda muito o que foi apresentado esteticamente no primeiro jogo, mas isso não é uma queixa, uma vez que ambos são muito bem resolvidos esteticamente. O conceito de natureza retomando seu lugar e avançando pelo que outrora era a civilização é algo que me fascina, e eu adoro ver este tipo de realidade em games e filmes — Enslaved está entre os meus jogos favoritos dentro desta temática.

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O mundo do jogo é tão belo quanto misteriosos

A água do jogo é particularmente bonita — especialmente para os padrões de um jogo indie. A movimentação dos personagens tende a ser um pouco desajeitada, mas não é nada que estrague a experiência. A fauna — composta por animais mutantes que parecem feitos de plantas — é mais um exemplo criativo da abordagem única que o jogo dá para um tema “batido”. Aliás, encontrar e catalogar os bichos do game é um dos objetivos secundários mais divertidos que podemos cumprir enquanto exploramos.

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O Photo Mode do jogo rende belos cliques 🙂

No departamento sonoro, o jogo opta por uma trilha sonora sutil, que está ali mais para preencher o silêncio do que para se sobressair. Não há vozes, mas os sons ambientes fazem um bom trabalho e contribuem com a imersão. O jogo possui menus e legendas em português brasileiro — ocasionalmente as legendas dão uma bugada, algo que deve ser corrigido agora que o jogo foi lançado oficialmente.

Conclusão

Eu gostei do tempo que passei com Submerged: Hidden Depths, porém, ele segue “falhando” nos mesmos pontos em que o primeiro falhava. É normal que sequências de games sejam maiores, mais ousadas, mas o que esta sequência traz é basicamente o que o primeiro jogo já oferecia. Um repeteco de algo que poderia — merecia, na verdade — ser expandido, aprimorado.

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As novidades pontuais — tipo controlar o irmão em alguns pontos, e os puzzles envolvendo as esferas — logo ficam velhas, e a falta de variação de situações ao longo da campanha torna o jogo um pouco cansativo e arrastado.

Porém, é fato que, de vez em quando, tudo o que precisamos é de um jogo pacífico e contemplativo para relaxar depois de um dia estressante de trabalho. Submerged: Hidden Depths sem dúvida é uma boa pedida neste caso… só tenha em mente que ele tende a ser pacífico até demais.

Submerged: Hidden Depths está sendo lançado hoje (10/03), com versões para PC, PS4, PS5 (versão analisada), Xbox One, Xbox Series X|S e Google Stadia.

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Submerged: Hidden Depths

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Xbox, PC
Lançamento
3 de dezembro de 2020
Desenvolvedora
Uppercut Games
Publicadora
Google, Uppercut Games
Gênero
Aventura
Rodrigo Pscheidt

Jornalista, baterista, gamer, trilheiro e fotógrafo digital (não necessariamente nesta ordem). Apaixonado por videogames desde os tempos do Atari 2600.

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