Colocaram o Linux para rodar direto de um PlayStation, com todas as limitações de um console de 1994
Blackroo Linux v0.5.0 leva o Linux 2.4 a um PlayStation original, usando apenas os 2 MB de RAM e recursos do console de 1994.
O Linux 2.4 já roda em um PlayStation 1 de verdade, com os 2 MB de RAM de fábrica, sem PC extra e nenhum outro dispositivo. O sistema funciona através de um CD-R, abre um shell na TV e seu teclado funciona no controle. A primeira alpha pública se chama Blackroo Linux v0.5.0 “Little Joey” e foi divulgada no fim de agosto de 2026.
Não é uma versão emulada e nem o kit oficial da Sony — aquele veio depois, no PlayStation 2, e também não é o OtherOS da PlayStation 3. Está versão tem como alvo o hardware de 1994: CPU MIPS R3000A a 33 MHz, sem MMU, sem porta USB, sem disco rígido.
Depois do BIOS, o carregador kloader sobe do disco, acha o LINUX.EXE, o driver psxcd localiza o ROOT.IMG no ISO 9660 e monta um ext2 pronto para levar o sistema na televisão.
Os comandos básicos já estão no disco: ls, cat, cp, mv, edit, df, ps, top, hexdump, fetch e já dá até para formatar e montar memory card. Com multitap, o driver chega a oito cartões — algo na casa de 508 KB no total. A gravação no cartão anda devagar, por volta de 31 KB/s.
Teclado nativo é algo impossível para o PS1, então a solução encontrada foi um adaptador BlueRetro no conector de controle, em modo teclado. Usar o mouse original da linha está no radar do projeto, mas ainda não é o foco desta alpha.
A ideia não é de hoje. Entre 2000 e 2007, o grupo russo Blokman Trading manteve o Runix (também chamado PSXLinux / RUnix): um projeto uClinux 2.4 no PS1, mas o site sumiu.
O Blackroo Linux, tocado por Chelson Aitcheson, reconstruiu o que faltava em uns três anos de pesquisa intermitente. O kernel parte do Runix. Userland, bootloader e o driver de CD foram refeitos. O próprio autor descreve o driver de CD-ROM como o primeiro que de fato lê o drive da PS1 numa porta Linux/BSD.
Para gravar e bootar no console, o PS1 precisa aceitar CD-R, algo bem fácil se se achar aqui no Brasil, país onde é mais fácil achar um consoles desses bloqueados do que um 100% original. Não espere browser, desktop ou um Debian miúdo. O que sobra de RAM livre mal cobre utilitário e brincadeira de filesystem.
Se quiser testar, basta visitar a página do projeto e entender mais como funciona tudo.
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