Cultic chega aos consoles trazendo toda a violência e visual incrível de um FPS retrô feito do jeito certo

Cultic foi originalmente lançado em 2022 para PCs em duas partes. Mas finalmente chegou aos consoles como toda a sua violência, mistura de ação rápida com terror em um FPS Old-school feito do jeito certo!
Você contra uma seita demoníaca sem fim

Cultic não possui cutscenes explicativas ou diálogos, apresentando sua história em arquivos de texto encontrados no mapa, que vão montando o enredo pedaço a pedaço enquanto enfrentamos hordas de inimigos. Mas sua premissa básica é fácil de entender.
Em uma cidade de interior, vários casos de desaparecimentos e assassinatos misteriosos foram reportados ao longo dos anos, sem que aparentemente ninguém conseguisse desvendar o caso. Então um dia, um detetive resolve ir sozinho para a cidade e descobrir o que está acontecendo. Mas logo ao chegar na cidade ele é atacado e deixado para morrer no meio de uma pilha de corpos descartados numa floresta.

Ele sobrevive, mas não há como escapar, com todas as saídas da cidade bloqueadas e as florestas que a circulam cheias de perigos. Com isso, o detetive, armado inicialmente apenas com um machado, não tem outra escolha a não ser seguir em frente, entrando mais e mais fundo na cidade e nos segredos da seita que domina o local, que controla todos os seus habitantes e matou todos aqueles que resistiram.
Mas, o que inicialmente parece “apenas” um caso de um culto violento vai ficando progressivamente pior, envolvendo forças sobrenaturais, monstros e muito, muito sangue!
Tiro, porrada e bomba (literalmente)

Assim que a ação começa em Cultic, ela só desacelera quando você entra em uma fase nova. Em minha jogatina eu arrisquei e coloquei o game logo na dificuldade “Muito Difícil”, uma dificuldade antes da máxima, só pra ver como é. Fiz isso pois, como gosto de speedruns, ver jogadores fazendo runs insanas em Doom na dificuldade “Ultra Violence” me fez querer testar algo parecido. E eu morri, mas muito.
O game começa apresentando poucos tipos de inimigos, com cultistas com túnicas de diferentes cores, marcando quais armas eles usam, sendo cultistas que atiram machados, com pistolas, com espingardas e metralhadoras. E eu morri demais já na primeira fase, que começa em uma fábrica de corredores estreitos. Mas quando o game abre suas áreas abertas, aí a coisa fica caótica e muito divertida.

Os inimigos são espertos e muito agressivos, com incrível precisão, fazendo com que eu sempre me mantivesse em movimento, pelo menos até pegar o jeito da coisa e conseguir progredir não com menos dificuldade, mas com mais adaptabilidade, que acredito ser o principal “recurso” que o jogador precisa aqui.
Munições são abundantes em trechos programados para você enfrentar hordas de inimigos, mas escarças quando você está num trecho de exploração. E isso cria uma cadência que eu gostei bastante, pois em áreas com poucos inimigos, sua munição pode acabar rápido. E em áreas de munição abundante, se prepare, pois a quantidade de inimigos as vezes realmente assusta.

E assim como FPS das antigas, o repertório de armas é bem familiar. Você pode partir pra cima no soco ou usar o machado, que também pode ser arremessado. E o game conta com uma pistola semiautomática, uma carabina, uma espingarda de cano duplo, uma metralhadora, lança-granadas e até um rifle pesado com mira sniper! Todas as armas são incrivelmente satisfatórias de serem usadas, e mandar headshots deixa tudo ainda melhor, ainda mais com o machado, em que você arranca a cabeça dos inimigos.
E ainda há os explosivos: pacotes de TNT e coquetéis molotov. O protagonista desde o início está equipado com um isqueiro, bastante útil em áreas escuras, pois nesse game a escuridão é poderosa. E o isqueiro é usado para acender os pavios da TNT e o pano do molotov. Mas, quase todo objeto de cenário também é uma arma em potencial, que você pode pegar e arremessar nos inimigos para causar dano.
E não importa como você encare os inimigos, a ação é muito satisfatória. E ainda há um recurso bem legal que recompensa a boa mira: Se você matar um inimigo de headshot com apenas um tiro, o game entra em câmera lenta por alguns segundos, e se sua arma tiver munição de sobra ou recarregamento rápido, você pode emendar mais alguns headshots antes do tempo voltar ao normal.
E como os inimigos são bem agressivos e bons de mira, o game ainda conta com um recurso de esquiva rápida, que no começo eu não usava muito, mas é extremamente útil para desvencilhar-se de inimigos e fugir de ataques, especialmente de chefões e monstros maiores, e até mesmo para atravessar o cenário com mais facilidade. Por exemplo para extender a distância de salto, permitindo alcançar lugares difíceis e achar segredos (sim, há segredos escondidos no mapa!).

E, como é de se esperar, a cada fase que avançamos novos inimigos vão aparecendo, mais fortes e mais numerosos, nunca deixando as coisas chatas. E os mapas também vão aumentado. O game conta com um sistema de mapa tridimensional bem legal, permitindo entender precisamente onde você se encontra, assim, você não corre o risco de se perder em áreas muito abertas ou labirínticas, um recurso modernizado que ajuda e muito!
Audiovisual

O visual de Cultic é incrível. Pura e simplesmente. O game mistura elementos modernos e clássicos de uma forma muito bem feita, fazendo com que pareça familiar e novo ao mesmo tempo, se é que isso faz algum sentido.
Mas para explicar melhor, todo elemento 3D do game é criado com grande riqueza de detalhes, sendo “maquiados” com texturas pixeladas bem ao estilo dos FPS dos anos 90, em especial Doom. Mas, diferente dos FPS do início dos anos 90, os cenários são formados apenas por paredes. Temos florestas com muitas árvores, rochas, casas abandonadas, minas escuras e cheias de corpos, criptas com tochas nas paredes e caixões abertos. Cada cenário é minuciosamente construído para não serem apenas elementos de fundo no meio da matança, mas transmitindo suas atmosferas de forma muito competente.

E, é claro, todos os inimigos são sprites 2D, e não tinha como ser melhor. E chega até a ser engraçado ver os inimigos por cima, com suas formas ficando “finas”, pois eles realmente são folhas de papel com uma face sempre voltada para o protagonista. Esse tipo de coisa, ainda que meio bobo, me alegra, pois não é um defeito em si, mas algo que demonstra bem que isso é um FPS inspirado nos clássicos.
A fusão de 3D e 2D em Cultic cria uma identidade visual poderosa, principalmente com o nível de violência que entrega. Matar inimigos com armas de fogo, com machado, explodindo seus corpos ou até mesmo queimando-os vivos, Cultic não economiza na violência e ainda bem que não faz isso, pois toda a atmosfera do game, com o protagonista enfrentando uma seita capaz de reerguer os mortos e trazer ao mundo monstros grotescos, tem que ter uma resposta à altura!

A trilha sonora do game é excelente, sempre mantendo a tensão constante e, em certos trechos, ficando ausente para criar uma poderosa atmosfera de isolamento e perigo. Mas na hora da ação, ela sempre está presente. Além é claro dos gritos e grunhidos dos inimigos, que nunca são deixados de lado. E nos mapas mais avançados, dentro de criptas e locais escuros, esses sons ficam ainda melhores!
E o melhor de tudo é que o game tem localização completa em português brasileiro! Com exceção de algumas vezes que o game confunde idiomas e exibe mensagens em inglês do tipo “munição adquirida” ou “segredo encontrado”, todos os menus e textos do game possuem localização em português brasileiro! E como o game conta sua história em arquivos de texto espalhados pelos cenários, poder jogar em nosso idioma é um grande atrativo!
Conclusão

Eu tenho preconceito com o termo “Boomer Shooter”. Mesmo anos após sua invenção e consolidação, eu ainda não gosto do termo. FPS antigos pra mim são old school ou “clássicos”, ainda que usar o termo “clássico” gere discussões sobre quais games realmente merecem ser chamados assim. Mas deixando isso de lado por um momento, Cultic é um Boomer Shooter incrivelmente divertido e envolvente, que vale muito a pena ser jogado.
Seja você é alguém como eu, em seus 30 e poucos anos e que viveu a era clássica dos FPS, ou alguém mais novo acostumado ao estilo moderno de FPS, Cultic é um game convidativo para todos. Obviamente ele pende para a nostalgia, que é um recurso muito poderoso, mas adiciona o nível certo de modernidade para torná-lo fácil de aprender e de se divertir.

Eu mesmo não sou muito fã de FPS de alta velocidade, mais por minha inabilidade, mas Cultic me fez gostar mais desse estilo e me fez conseguir jogar sem sofrer com a movimentação e usá-la a meu favor para enfrentar hordas de inimigos. Por isso eu resolvi jogar na dificuldade Muito Difícil, para me forçar a aprender e mergulhar fundo no game. Para mim deu certo, mesmo eu morrendo muito (como exemplificado no gameplay acima).
Então esteja você no grupo dos 30+ ou no dos 30-, Cultic é um FPS que diverte, envolve e oferece um desafio recompensador!
Cultic está chegando amanhã, dia 23 de julho para consoles, com versões para Playstation 5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch. E o game já está disponível para PC desde 2022.
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