Fórmula 1 – O que você precisa saber sobre Monza, lar do GP da Itália e um dos templos do automobilismo
Conheça a história, os recordes, as curvas e as mudanças de 2026 no circuito de Monza, palco do GP da Itália de Fórmula 1.
A Fórmula 1 volta neste fim de semana ao Autodromo Nazionale Monza para o GP da Itália de 2026. A 13ª etapa da temporada vai ver seus carros largando neste domingo, 6 de setembro, às 10h no horário de Brasília, em uma prova de 53 voltas e 306,72 km. Será uma corrida em um circuito de 104 anos de vida, que abriu as portas em 3 de setembro de 1922.
Por que Monza ainda dita o ritmo da categoria? A resposta está nos números de 2025, conforme a própria Fórmula 1 lembrou. Max Verstappen cravou a pole em 1min18s792, com média de 264,681 km/h — a volta mais rápida da história da F1 em média de velocidade. No dia seguinte, a prova inteira também virou recorde: o holandês venceu em 1h13min24s325, em uma média de 250,706 km/h, superando a marca de Michael Schumacher em 2003. O recorde de volta da corrida ficou com Lando Norris, com exatos 1min20s901.
Em português claro: poucas pistas pedem tão pouco downforce e tanto compromisso com o acelerador. Com suas retas, chicanes velozes e parte do antigo oval integrado no traçado, o pé pesado faz parte da prova.
O Templo da Velocidade em números
O traçado atual tem 5,793 km e só 11 curvas. No calendário, apenas o Red Bull Ring, na Áustria, tem menos (10). Os carros passam cerca de 76% a 80% da volta com o pé embaixo. A reta principal mede 1,1 km, o que rendeu em 2025, picos de velocidade de 364,1 km/h.
Os tifosi, que entopem o circuito e ainda o invadem no fim da prova (principalmente se tem vitória da Ferrari) chamam o lugar de La Pista Magica. Fora da Itália, o circuito é conhecido Templo da Velocidade. Os dois fazem sentido, já que o parque real de Monza, perto de Milão, mistura retas longas, chicanes apertadas e um último raio que pode decidir corridas.
A Ferrari é quem mais venceu o GP da Itália: 20 vezes, a última com Charles Leclerc em 2024. Entre os pilotos, Lewis Hamilton e Schumacher dividem o recorde, com cinco vitórias cada. Hamilton tenta a sexta, agora vestindo vermelho.
Como o circuito foi erguido em 110 dias
Em janeiro de 1922, o Automobile Club de Milão quis comemorar 25 anos. A obra começou em maio e ficou pronta em 110 dias, com milhares de operários. Monza nasceu como o terceiro autódromo permanente do mundo, depois de Brooklands, na Inglaterra, e Indianápolis, nos Estados Unidos. Abriu em 3 de setembro e, uma semana depois, já recebia o GP da Itália daquele ano.
O projeto original misturava o setor de “estrada” — cuja boa parte ainda existe — com um anel de alta velocidade e curvas inclinadas. Esse oval voltou com força em 1955, em concreto armado, com inclinação de até 80% e raio de 320 metros. A teoria da época falava em uns 285 km/h de velocidade máxima atingida. O layout completo de 10 km entrou no Mundial em 1955, 1956, 1960 e 1961. Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e Phil Hill venceram nessas edições.
O acidente de Wolfgang von Trips em 1961, na entrada da Parabólica, encerrou o uso do anel para monopostos de GP, embora parte da estrutura antiga ainda estão no parque. Quem visita o autódromo pode “ver o fantasma” da parte antiga do circuito, que ainda está lá.
Desde 1950, o GP da Itália só saiu de Monza uma vez: em 1980, foi para Ímola, que acabou ficando no calendário também, mas com outros nomes, para deixar Monza como prioridade no GP Italiano. Imola já foi o GP de San Marino, para “aproveitar” o pequeno país dentro do território italiano e driblar a nomenclatura, mas hoje se chama Grande Prêmio da Emília-Romanha, a região onde ele está.
Muita reta e 11 curvas
A volta começa no fim da reta dos boxes. A Prima Variante (curvas 1 e 2) é a primeira chicane, que é geralmente ponto de confusão na primeira volta. Pois o carro chega pisando fundo a mais de 350 km/h e precisa diminuir para uns 70-80 km/h. Jolyon Palmer, ex-piloto da Renault, resume o ponto: Monza até parece simples, mas a prova começa nessa frenagem. Se o carro não para redondo, o resto da volta já está estragada.
Depois vem a Curva de Biassono, a antiga Curva Grande, uma direita rápida de raio longo. Em seguida, a Variante della Roggia, outra chicane esquerda-direita no fim de mais um trecho de acelerador no fundo.
As Lesmo 1 e Lesmo 2 ficam no miolo. Têm um pouco de camber e pedem um traçado limpo. Ir com velocidade demais ali joga o carro para fora, por isso o controle é essencial.
A Variante Ascari (curvas 8, 9 e 10) é irregular e ainda tem brita à espreita se o piloto entra errado na 8. O nome homenageia Alberto Ascari, bicampeão italiano morto em Monza em 1955. Se a entrada sai certa, dá para ficar “pisado” no acelerador nas duas seguintes.
Pois fechando a volta, temos a veloz Parabólica, oficialmente Curva Alboreto desde 2021, em memória de Michele Alboreto. O cascalho de fora foi trocado por escape de asfalto. Perdeu um pouco do susto antigo, mas ainda pune quem abre cedo demais o gás. A saída dela boa entrega a reta inteira para pisar fundo.
O que muda em 2026 na pista mais rápida do ano
O regulamento novo troca o DRS clássico por dois recursos. O Straight Mode altera asa dianteira e traseira ao mesmo tempo para cortar arrasto nas retas. Em Monza há quatro zonas: a reta principal, o trecho entre as curvas 3 e 4, entre 7 e 8, e entre 10 e 11.
O Overtake Mode libera um perfil extra de potência elétrica se o piloto estiver a menos de um segundo no ponto de detecção. Em Monza, a medição fica antes da entrada da curva 11. A ativação é na saída, já rumo à reta dos boxes.
Com unidades de potência novas, o gerenciamento de energia nas retas longas vira o novo tema dos treinos de sexta-feira. Asa mínima, freio pouco usado — a Brembo aponta só cinco pontos de frenagem por volta, menos de 8,5 segundos no total — e estratégia inclinada a uma parada, já que a prova costuma ser uma das mais curtas do ano em tempo de corrida.
A Mercedes quer voltar a vencer, e as rivais querem pressionar mais os alemães
Kimi Antonelli chega ainda líder e é o primeiro italiano a desembarcar em casa na ponta do Mundial desde Alberto Ascari, em 1953. Há um porém: ele tem uma penalidade de grid por troca de motor. O último italiano a vencer em Monza foi o próprio Alboreto, em 1985.
A Ferrari, que tem um 2026 regular, terá pintura especial pelos 30 anos da chegada de Schumacher a Maranello, em 1996. Referência ao F310, com toque dourado nas rodas e sete estrelas no bico. Hamilton e Leclerc correm na casa da escuderia, com o inglês atrás da sexta vitória no autódromo. Verstappen defende o resultado de 2025. Norris, por sua vez, chega com o recorde de volta e vontade de engatar sua terceira vitória seguida.
Programação no horário de Brasília:
- Sexta (4/9): TL1 às 7h30 e TL2 às 11h
- Sábado (5/9): TL3 às 7h30 e classificação às 11h
- Domingo (6/9): GP da Itália às 10h
Não terá sprint. No Brasil, a Globo transmite a corrida na TV aberta; as sessões passam na TV fechada, Globoplay e F1 TV Pro.
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