Fórmula 2 apresenta em Monza o novo carro que a categoria irá utilizar entre 2027 e 2029
A Fórmula 2 revelou o carro que será usado entre 2027 e 2029, com novas asas, sistema de partida a bordo e foco no controle de custos.
A Fórmula 2 revelou neste sábado, no paddock do Autódromo Nacional de Monza, o carro que será usado nas temporadas 2027, 2028 e 2029. O pacote mantém o chassi Dallara de 2026 para não inflar o custo das equipes e concentra a mudança no que realmente altera a corrida: asas dianteira e traseira redesenhadas, um visual mais próximo da Fórmula 1 atual e, pela primeira vez na categoria, um sistema de partida a bordo.
O starter é o detalhe que mais muda o dia a dia no grid. Hoje, se o piloto gira, apaga o motor ou trava no meio da volta, a sessão quase sempre vira bandeira e resgate. A partir de 2027, ele poderá religar o carro na pista e sair, se possível, sozinho da pista. Para encaixar o sistema, a Hewland fez uma evolução do câmbio atual. Menos intervenção externa, menos tempo perdido e um cenário mais parecido com o que o piloto vai encontrar um degrau acima.
As asas novas são outra novidade, pois a dianteira e a traseira foram redesenhadas para melhorar o fluxo quando um carro cola no outro. A ideia é reduzir o “ar sujo” que hoje abre espaço na reta e some na curva seguinte. O diretor técnico da F2, Pierre-Alain Michot, resumiu o projeto: o carro precisa parecer outro sem ser outro. A asa traseira deixa o desenho bem curvado da geração atual e vai para bordas mais retas, no estilo da F1 de 2026. Continua complexa. Só não é tão extrema quanto a anterior.
Por baixo da pintura, quase tudo que já funciona segue no lugar. O motor continua o Mecachrome 3.4 turbo para todos, o mesmo V6 que a categoria já conhece, com cerca de 620 cv a 8.750 rpm e 570 Nm a 6.000 rpm. O combustível sustentável avançado da Aramco, introduzido com sucesso em 2025, permanece. A Pirelli, fornecedora exclusiva desde 2017, segue com pneus desenvolvidos só para a F2. Freio, esforço de direção e ergonomia do cockpit continuam com as especificações da FIA de 2024. O pacote eletrônico e hidráulico da Marelli, incluindo o sistema de bandeiras da EM Motorsport, também não muda.
Um monocoque novo inteiro empurraria o custo para cima num campeonato em que o piloto, na maioria das vezes, ainda paga para correr, o que justifica as mudanças sem necessariamente começar tudo do zero. O CEO da categoria, Bruno Michel, disse que o primeiro objetivo era manter a F2 como ferramenta de preparação para a F1. Por isso a FIA e a organização ficaram no chassi atual e concentraram o trabalho nas asas. Custo sob controle, visual mais próximo da categoria principal e, na teoria, briga mais colada.
O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, falou em segurança, acessibilidade e combustível sustentável no mesmo pacote. Já o presidente e CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, tratou o carro como mais um degrau no caminho até o grid principal, sem quebrar o equilíbrio que hoje permite comparar piloto com piloto. Os dois discursos apontam para o mesmo lugar: a F2 precisa continuar sendo escola, sem virar um laboratório caro demais para quem está tentando subir.
O protótipo já hávia acelerado no Circuit de Barcelona-Catalunya, em junho. Depois disso veio um programa fechado com a Dallara, com túnel de vento e testes aerodinâmicos. Em julho, o projeto passou por um teste em reta num aeródromo, para validar no asfalto o que o computador e o túnel já tinham apontado. As conversas sobre essa atualização começaram cerca de um ano atrás. O desenho em modelo digital entrou no começo de 2026.
O primeiro kit chega às 11 equipes em dezembro de 2026. O segundo, em janeiro de 2027, ainda a tempo da pré-temporada. Ou seja: o grid de 2026 termina o ano com o carro atual e, no intervalo do inverno europeu, troca asas, recebe o câmbio com starter e volta à pista já no pacote novo.
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