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Hideki Kamiya, de Resident Evil 2 e Devil May Cry, não vê problema com o fim das mídias físicas, desde que os jogos sigam disponíveis

Hideki Kamiya apoia o futuro digital dos jogos, mas cobra garantias de que títulos como Resident Evil 2 continuem disponíveis.

Junior Candido
Hideki Kamiya, de Resident Evil 2 e Devil May Cry, não vê problema com o fim das mídias físicas; “as coisas estão indo para este lado”

Hideki Kamiya não vê problema na decisão da Sony de encerrar o disco físico nos jogos novos de PlayStation. A partir de janeiro de 2028, títulos inéditos saem só em digital. O criador de Devil May Cry e diretor de Resident Evil 2 concorda, e afirma que vive totalmente nesse modelo.

“Não compro um único jogo físico hoje. Todos os games que eu compro são 100% digitais. Olho para essa decisão e penso: é, as coisas estavam indo para esse lado.” A frase foi dita à Video Games Chronicle junto com a declaração de que acha o terror de Resident Evil Requiem “pesado demais”.

O anúncio da Sony foi feito em julho e desde então, rende conversa, protestos e muita polêmica. Jogos já lançados ou que chegarem em disco antes de 2028 continuam podendo ser reimpressos, mas os lançamentos novos na plataforma serão disponibilizados apenas na PSN, ou em uma embalagem vendida em lojas, mas com um código de download ao invés dos discos.

Kamiya, apesar de dar sua opinião, não é necessariamente um “embaixador” pela loja online. Ele tem mais de 200 placas de fliperama em casa, com títulos como Gradius, Darius, TwinBee. Quando quer o jogo no formato original, tira a placa, liga e joga, mas quando não quer perder tempo com isso, abre o Arcade Archives em um console atual.

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A única coisa que o diretor de Resident Evil 2 de 1998 quer saber, além de capa, encarte ou prateleira é se o dono da propriedade intelectual vai garantir que o jogo continue jogável daqui a 10, 20 anos.

“O que importa para mim é se as donas das propriedades vão assumir a responsabilidade de assegurar que esses jogos continuem disponíveis para as próximas gerações. Se é físico ou digital pesa menos. Desde que os games permaneçam acessíveis.”

Ele lembra o óbvio que o mercado finge não ver: muito clássico já não roda em hardware moderno. O que faz que esforços como os que o GOG tem trabalhado (inclusive relançando o seu Resident Evil 2 adaptado para computadores modernos) e as iniciativas da comunidade, em emulação e preservação, ganharem mais força. Para Kamiya, preservação não é só sobre poder jogar sempre que quiser. É manter a cultura do videogame viva.

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O sócio Kento Koyama, também da Clovers — o estúdio que os dois fundaram depois da PlatinumGames e que trabalha em Ōkami 2 — pensa um pouco diferente no dia a dia. Ele assume comprar mais jogos digitais, mas ainda pega a versão físico quando o jogo parece daqueles que ele quer guardar por anos. Tem uma sala só com consoles antigos: Xbox original, Dreamcast e tantos outros, em uma prateleira cheia. Entrar ali e passar o olho nas lombadas ainda “dá um friozinho bom”, disse ele na mesma conversa. A ideia de ver isso isso sumir deixa um gosto estranho.

Kamiya entende o apego. Contou que, numa gravação do Iwata Asks, levou cartuchos de NES em que Satoru Iwata tinha trabalhado — Pinball, Golf, F1 Race e mais alguns — e pediu autógrafo, guardando as fitas até hoje. Uma experiência que pode sumir, se a indústria insistir em levar o mundo dos games exclusivamente para o digital.

O debate público foca na questão de opção, do temor de um monopólio e a ideia de que não será mais possível trocar, emprestar ou vender jogos que já jogou e não quer mais ficar com eles. Mas Kamiya, apesar de achar “tudo bem” um rumo mais digital para o futuro, gostaria de ter garantias de que os jogos se manteriam disponíveis daqui 10, 20 ou mais anos, ao invés de desaparecerem por qualquer motivo, e simplesmente “sumir” com um jogo, com suas lembranças, histórias e legados.

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Resident Evil Requiem

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
Lançamento
27 de fevereiro de 2026
Desenvolvedora
Capcom
Publicadora
Capcom
Gênero
Survival horror
Junior Candido

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