Hope – O Primeiro Impacto registrou a maior bilheteria nos cinemas dos EUA de um filme sul-coreano desde Parasita
Hope, O Primeiro Impacto alcança a maior bilheteria de um filme sul-coreano nos EUA desde Parasita e estreia no Brasil em outubro.
Hope – O Primeiro Impacto chegou aos cinemas dos Estados Unidos no dia 9 de setembro e, no último fim de semana, registrou a abertura mais rentável de um filme sul-coreano no país neste ciclo: US$ 1,1 milhão só no primeiro dia e cerca de US$ 5 milhões na primeira semana, em 1.560 salas. Foi a maior janela de um título coreano na América do Norte desde Parasita, em 2019. No Brasil, a Imagem Filmes leva o filme para as salas no dia 8 de outubro.
O número americano chama atenção porque a maior parte do cinema coreano ainda circula em um circuito restrito por lá. Hope saiu desse padrão. A Neon, mesma distribuidora que levou Parasita aos EUA, apostou numa estreia ampla. O primeiro fim de semana rendeu em torno de US$ 3,2 milhões, segundo o Box Office Mojo, e o acumulado da semana já superava o total norte-americano de vários longas coreanos inteiros.
Na Coreia do Sul o filme abriu em 15 de julho e vendeu 333.918 ingressos no primeiro dia, o melhor começo do mercado local em 2026. Em setembro, a Plus M Entertainment já falava em 4,57 milhões de espectadores no país. O orçamento ficou entre os mais altos já registrados para uma produção coreana — as estimativas públicas oscilam na casa dos US$ 30 a 46 milhões — e o filme foi pré-vendido para cerca de 200 territórios.
Quem dirige é Na Hong-jin, de volta dez anos depois de O Lamento. Este é o quarto longa dele. A história se passa em Hope Harbor, vilarejo remoto encostado na Zona Desmilitarizada que separa as duas Coreias desde o armistício de 1953. A faixa é uma das regiões mais armadas do planeta e, ao mesmo tempo, um dos poucos trechos da península em que a floresta cresceu quase sem gente por décadas. O folclore local fala em predadores grandes ainda circulando por ali. É nesse cenário que os moradores, quase todos idosos, começam a relatar uma fera.
O chefe do posto, Bum-seok (Hwang Jung-min, de O Veterano), e a policial novata Sung-ae (Hoyeon, de Round 6, em sua estreia no cinema) tentam apurar o caso. Os reforços foram desviados para combater incêndios florestais e as comunicações caíram. Enquanto a dupla segura a vila, um grupo de caçadores liderado por Sung-ki (Zo In-sung, de Flor Congelada) sobe a serra no rastro do animal e descobre que virou presa.
O que começa como um mal-entendido local vira briga entre os próprios humanos e termina numa tragédia que o próprio filme descreve como de proporção cósmica. Michael Fassbender, Alicia Vikander, Taylor Russell e Cameron Britton entram no elenco do outro lado dessa história: os visitantes que o vilarejo confundiu com bicho. Fassbender e Vikander, casados na vida real, voltam a dividir a tela pela primeira vez desde A Luz Entre Oceanos, de 2016. No filme, eles não falam coreano.
“Todas as tragédias do mundo nascem do mal-entendido”, diz Na Hong-jin. Ele conta que Hope avança para narrar isso sem se acomodar só no luto. O espectador pode achar que está vendo um filme de ação ou de ficção científica e, ainda assim, sair com outra coisa na cabeça: a gravidade do que acontece na tela dificulta tratar o longa como puro passatempo.
A fotografia é de Hong Kyung-pyo, o mesmo de O Lamento. A duração fica na casa de 2h36 a 2h40. O filme estreou na competição de Cannes em maio, disputou a Palma de Ouro e dividiu a crítica — parte da imprensa americana chegou a chamá-lo de um dos blockbusters mais estranhos dos últimos anos. A sinopse oficial resume o arco sem entregar o pulo: a polícia investiga uma criatura que causa tumulto no porto isolado; os caçadores seguem o rastro e viram alvo; o conflito explode e a escala muda.
Hope – O Primeiro Impacto estreia no Brasil em 8 de outubro.
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