Kaz Hirai admite que ignorava ordens da sede da Sony quando comandava o PlayStation
Kaz Hirai revela como ignorava ordens da sede da Sony ao comandar o PlayStation e explica sua estratégia ao assumir a presidência da empresa.
Kazuo “Kaz” Hirai, que presidiu a Sony Computer Entertainment e depois a Sony, contou que deixava de lado o que a matriz mandava quando cuidava do PlayStation. A confissão saiu numa conversa com Takaya Awata, CEO da Toridoll Holdings (dona da rede Marugame Udon), publicada pela Nikkei XTrend, e repercutida pelo GameObserver.
Segundo Hirai, quando Howard Stringer e outros executivos davam algum direcionamento, ele respondia, rindo, que o que a sede dizia não importava, porque ali era o PlayStation. A história combina bem com a fama de debochado que ele ganhou entre os fãs, alimentada por memes e paródias desde o desastre da apresentação da Sony na E3 2006.
Quando virou CEO da Sony, em 2012, a postura teve que mudar. A empresa estava no vermelho, tinha cerca de 160 mil funcionários no mundo e boa parte de executivos e acionistas duvidava de que ele daria conta. Chegou a circular uma reportagem sugerindo que Stringer o escolhera por favoritismo, já que Hirai seria alguém que só entendia de música e games e ria das piadas do chefe.
Hirai lembra que o clima interno era de desconfiança: gente se perguntando quando ele ia tirar o tapete de todo mundo ou se levaria os créditos e jogaria os erros nas costas dos subordinados. Sem respeito, resumiu, ninguém topa se esforçar junto. Por isso, as duas prioridades foram fazer as pessoas o conhecerem e colocar todo mundo remando para o mesmo lado.
Para a primeira, ele viajou. Em seis anos como presidente, visitou mais de 20 países e quase 50 cidades, e achava que uma visita só não bastava. Numa das fábricas de TV, voltou duas vezes depois da primeira passagem, três no total, e os funcionários não esperavam. Ele ri ao lembrar da reação: “esse velho voltou mesmo”.
Para a segunda, apostou no slogan Kando, a ideia de criar experiências que emocionem o cliente. De início, o pessoal achou que o chefe enjoaria em uma ou duas semanas e partiria para outro jargão corporativo. Depois de meses ouvindo a palavra repetida, perceberam que ele falava sério, e até as apresentações internas passaram a mostrar como cada produto podia mexer com as emoções do público.
O conceito também chegou ao ramo dos noodles. Awata contou que o Kando de Hirai o inspirou a adotar a ideia no slogan da Toridoll, depois de ver uma fila numa loja de udon com fábrica de macarrão acoplada. Para ele, os clientes não iam só pelo prato, mas pela experiência de comer udon feito na hora, a partir da farinha.
Hirai comandou a Sony Computer Entertainment de 2006 a 2011, quando Andrew House assumiu o cargo, em setembro daquele ano.
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