Quake está ganhando um port bastante curioso para o Atari Jaguar, o infame “64 bits” da Atari
Quake ganha um port não oficial para o Atari Jaguar, ainda incompleto e sem som, mas já permite explorar e combater no mapa E1M1.
Quake já está rodando no Atari Jaguar, com um “atraso” considerável, mas o clássico aproveitou a recente onda de ports para o infame console. O mapa E1M1, o Slipgate Complex, já está pronto para explorar, atirar e enfrentar inimigos. O port é extraoficial, ainda incompleto e sem som, mas o básico do primeiro nível do clássico da id Software já está minimamente funcional no console de 1993.
O responsável é o canal BeautifulSlop. O vídeo de status do projeto, mostra exatamente isso: caminhada pelo início da campanha, disparos e criaturas desenhadas como sprites, com a resolução já cortada até o ponto em que o autor diz não querer diminuir mais. Em alguns trechos o jogo ainda engasga bastante. A próxima build, segundo ele, deve trazer áudio.
O jornalista japonês Yoshinokentarou, que compartilha estas novidades do mundo retrô, divulgou a novidade no X, atraindo muita gente que gosta de ver versões de jogos clássicos para consoles que nunca receberam um port oficial.
Quem esperava ver o game rodando igualzinho no PC precisa ajustar as expectativas. Comentários no próprio YouTube já perguntam se isto é a engine de 1996 ou um motor próprio lendo mapas do Quake. O resultado mostra um pouco do que o Jaguar poderia ter entregue, inclusive com outro projeto, este focado em Resident Evil, mostrando o quão longe o “64-bits” da Atari poderia ter ido.
A ideia de Quake no Jaguar não nasceu em 2026: em maio de 1996, a revista britânica Ultimate Future Games (edição 18, página 77) chegou a listar um port oficial como 30% pronto, mas ele nunca saiu. Anos depois, John Romero foi direto ao ser perguntado sobre o assunto: na prática, o Jaguar mal dava conta do Doom, quanto mais do motor 3D completo de 1996. John Carmack de fato levou Wolfenstein 3D e Doom para a máquina, o Doom do Jaguar, aliás, virou base de vários ports de console da época, e há relatos de que ele brincou com uma versão bem cortada de Quake no hardware. Não foi adiante.
Os ports acabaram saindo para outros consoles. No Sega Saturn, a Lobotomy Software reconstruiu o jogo no engine SlaveDriver e o lançou no fim de 1997. No Nintendo 64, a Midway entregou a sua versão em março de 1998, com mapas simplificados e deathmatch incluído. Um port de PlayStation, da própria Lobotomy, morreu sem editora, mas 2026, outro projeto independente, o quake-psx em Rust, voltou a preencher esse buraco no PS1 original, já com o episódio shareware inteiro jogável. O Jaguar ficou de fora das prateleiras oficiais, por isso este projeto chama atenção.
Com o fracasso comercial do Jaguar, a biblioteca oficial ficou na casa das 50 e poucas fitas. Alien vs Predator, Tempest 2000 e o próprio Doom mostram o que o hardware conseguia entregar algo quando alguém insistia. Mas Quake, com as suas evoluções técnicas, já era demais para ele.
O projeto, por hora, não tem link de distribuição, nem código no GitHub e nem ROM para emulação, mas o seu criador irá trazendo mais novidades, conforme avançar no projeto.
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