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Resident Evil de 1996 está ganhando mais um port, desta para o Atari Jaguar, feito de forma independente e homebrew

Junior Candido
Resident Evil de 1996 está ganhando mais um port, desta para o Atari Jaguar, feito de forma independente e homebrew

Um projeto caseiro está colocando o Resident Evil original de 1996 no Atari Jaguar. O motor se chama OpenUMB, o time está analisando as versões de PlayStation, PC e Sega Saturn, e já existe vídeo do jogo rodando no hardware de “64 bits” da Atari. A previsão é de lançamento “em breve”.

Quem acompanha a cena retrô já viu esse tipo de notícia virar rotina em Mega Drive, PlayStation e até Famicom. No Jaguar, tanto pelas poucas unidades como por desinteresse, era um campo mais raro de exploração da comunidade. O console da Atari saiu em 1993, vendeu pouco, fechou o ciclo comercial em 1996 e ficou conhecido por uns poucos títulos que realmente usavam os chips Tom e Jerry. Resident Evil nunca esteve nessa lista. A Capcom apostou no PlayStation, chegou a levar o game ao Saturn depois, e a mansão Spencer virou quase sinônimo daquela geração. Trinta anos depois, um port não oficial tenta preencher essa lacuna.

O jogo já está funcional. Jill e Chris aparecem nos corredores, a câmera fixa troca de quadro, e os cenários pré-renderizados cabem na tela do Jaguar. Mas ainda é um projeto alfa. Portas, inimigos, baú de itens, puzzles, inventário e cutscenes não estão disponíveis e com certeza darão trabalho para quem mexer no game. Mesmo assim, o visual da mansão já se reconhece de longe, o que para um hardware de 2 MB de RAM já é um recado bem claro.

A base de dados vem das três versões clássicas da época. O PlayStation, mais famoso e local onde a série nasceu, é o ponto de partida. O Saturn entra por causa do conteúdo extra e de alguns ajustes de cenário, já que o game precisou de adaptações pontuais no console da SEGA. E a versão de PC tem sua utilidade na hora de montar os arquivos de teste — a edição recente do GOG é a referência citada para preparar o material. O OpenUMB faz o meio de campo: em vez de emular o PlayStation dentro do Jaguar, o projeto reconstrói o jogo para o console. É o caminho mais difícil e, se funcionar até o fim, o mais honesto com a máquina.

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Vale lembrar o tamanho do desafio. O Jaguar junta um 68000 com dois processadores RISC (Tom na imagem, Jerry no som) e uma arquitetura que até hoje dá trabalho para quem programa. Doom e Alien vs Predator mostraram que dá para tirar coisa séria dali. Um survival horror de câmera fixa, com fundos em bitmap, modelos 3D e uma quantidade absurda de salas, é outro tipo de problema. Se o alfa já troca de câmera e mantém o clima da mansão, o resto vira questão de tempo e de quantos sistemas o time consegue amarrar sem estourar a memória.

Enquanto esse port nasce na comunidade, o Resident Evil original já atravessou um histórico bem mais longo do que muita gente lembra. Segue um mapa resumido, só da primeira versão de 1996, sem misturar com o remake que saiu primeiro para o GameCube e também tem uma infinidade de versões.

PlayStation (1996). Foi lançado primeiro no Japão, em 22 de março, como Biohazard. É o jogo que definiu o gênero: munição curta, fita de máquina de escrever, porta que trava o ritmo e aquela exploração solitária e cheia de suspense que ganhou o mundo. A versão ocidental cortou cenas extremas em algumas cenas, mas também fez sucesso.

Director’s Cut (PlayStation, 1997). Se Street Fighter 2 tinha suas versões Super, Turbo e afins, Resident Evil também teve. Nesta versão, itens e inimigos mudam de lugar, o jogo ganhou um modo iniciante e a câmera recebeu alguns enquadramentos novos. No Ocidente, a Capcom vendeu a ideia de imagens sem censura e ainda assim deixou FMV cortada por um erro de localização.

Director’s Cut Dual Shock (PlayStation, 1998). No terceiro Resident Evil para o mesmo PlayStation, o game agora ganhou suporte ao DualShock, vibração e trilha sinfônica no lugar da trilha original (que rendeu aquela trilha infame da cozinha) No Japão veio com disco bônus cheio de material de bastidor, inclusive imagens do Resident Evil 2 que a Capcom tinha jogado fora.

PC (1996 no Japão, 1997 no Ocidente). Para os PCs, o game teve introdução colorida, o mesmo gore da versão japonesa, armas extras (MAC-10 da Jill, FN Minimi do Chris) e suporte a placa 3D da época. Em 2024 voltou no GOG; e em abril de 2026 chegou ao Steam junto com RE2 e RE3 originais.

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Sega Saturn (1997). O port mais curioso da geração. O game, em relação ao conteúdo e história original, é o mesmo. Mas tem modos extras como o Battle Mode, um Tyrant dourado, Wesker zumbi e, no disco japonês, o gore mais pesado da família: a SEGA, sempre querendo ser a mais “descolada”, permitiu cabeças que permanecem no chão, uma Plant 42 que parte o personagem no meio antes do game over e outras “gorices”.

Nintendo DS — Deadly Silence (2006). Dez anos depois, o original ganhou uma versão portátil com o modo Classic e o Rebirth, o segundo com puzzle de microfone, faca na stylus e multiplayer local, para aproveitar os recursos do portátil. É o último port oficial “de verdade” da versão de 1996 em hardware novo.

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Relançamentos digitais. O jogo original de PlayStation também foi disponibilizado na PSN, PlayStation Classic, PS4/PS5 com o Director’s Cut, além das já citadas versões de PC no GOG e Steam. São as formas oficiais mais diretas de ter acesso ao clássico hoje em dia.

E tem o que não saiu. O port de Game Boy Color, feito pela britânica HotGen com a Fluid Studios, chegou a ir à E3 de 1999. A ideia era enfiar um jogo de dois CDs num cartucho de poucos megabytes, com perspectiva forçada em 3D. Em março de 2000 a Capcom cancelou, dizendo que o produto não deixaria o público nem a empresa satisfeitos. No lugar dele, a Capcom mandou Resident Evil Gaiden, um jogo original de navio, também no GBC, que recentemente ganhou um port homebrew para o PC.

Não houve port oficial do primeiro Resident Evil para Nintendo 64, Dreamcast ou 3DO. O N64 recebeu o 2. O GameCube recebeu o remake de 2002, mas esse é outro jogo.

O Jaguar entra nessa linha do tempo pelo lado de fora. Não é da Capcom, mas chama atenção por ir para um console que, por vias oficiais, jamais teria um port deste clássico para chamar de seu.

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Resident Evil

Ficha do jogo
Plataformas
PlayStation, Xbox, Nintendo, PC
Junior Candido

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