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Rock in Rio 2026 – Elton John “paga dívida” com o público brasileiro e entrega um show histórico no festival

Elton John encerrou o primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 com um show histórico, repleto de clássicos e emoção para o público brasileiro.

Junior Candido
Rock in Rio 2026 – Elton John “paga dívida” com o público brasileiro e entrega um show histórico no festival

Elton John fechou o primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 com o único show dele na América do Sul neste ano. Na segunda-feira (7), no Palco Mundo, a lenda britânica de 79 anos tocou por cerca de 2 horas e 15 minutos para mais de 100 mil pessoas e transformou a data esgotada num acerto de contas com o público brasileiro, já que a turnê Farewell Yellow Brick Road, encerrada em 2023, não passou pelo país.

Ele próprio explicou o motivo no meio da apresentação. Disse que parou de fazer turnês longas e que a despedida oficial não veio ao Brasil por causa da covid. Quando o festival ligou, aceitou na hora. “Obrigado, Brasil, por ser uma parte tão linda da minha vida.” A frase, dita em português esforçado e visivelmente emocionado, resumiu o tom da noite. Foi a sua terceira passagem dele pelo festival, depois de 2011 e 2015, e a primeira no país desde 2017.

O terno amarelo combinava com o piano de cauda no centro do palco. Dois lustres gigantes projetados no telão anunciaram a abertura: o instrumental sombrio de Funeral for a Friend desembocou em Love Lies Bleeding e, em seguida, no riff que o Parque Olímpico inteiro já esperava. Bastou a primeira nota de Bennie and the Jets para o coro subir. Daí em diante, Elton alternou o repertório entre hits consagrados e seu rico catálogo, para os fãs ouvirem em silêncio, apenas apreciando a sua história sendo entregue no palco.

I Guess That’s Why They Call It the Blues e Philadelphia Freedom aqueceram a banda, formada por Davey Johnstone na guitarra, Nigel Olsson na bateria e Matt Bissonette no baixo, parceiros de décadas. Depois veio o bloco que define o artista sentado ao piano: The One, Tiny Dancer e Sacrifice. No telão, Tiny Dancer ganhou vinhetas de Los Angeles; Honky Cat entrou com cenas do filme Rocketman. Rocket Man chegou com visual espacial e um solo de piano que parou a Cidade do Rock no meio da música.

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Houve um momento do show mais intimista, com Levon, Sorry Seems to Be the Hardest Word e Someone Saved My Life Tonight. Mas depois, Elton ficou sozinho para Candle in the Wind, só piano e voz, dedicada a Marilyn Monroe, que completaria 100 anos em 2026. O coro de Goodbye Yellow Brick Road e Don’t Let the Sun Go Down on Me devolveu o volume da noite. Sad Songs (Say So Much) fez a ponte.

A parte mais alegre veio no fim do set principal. Crocodile Rock virou festa com palmas marcadas e imagens de fãs brasileiros no telão — gente de várias idades, alguns com a bandeira, outros vestidos no estilo espalhafatoso que o próprio Elton consagrou. Emendada, Saturday Night’s Alright for Fighting e I’m Still Standing transformaram o público de admiradores em silêncio a dançarinos dos mais animados.

O bis teve três momentos. Primeiro, a versão eletrônica de Cold Heart, o seu hit recente com Dua Lipa. Depois, Skyline Pigeon. Elton apresentou a faixa como a primeira que escreveu com Bernie Taupin e explicou que o único lugar do mundo em que ela ficou popular foi o Brasil. A canção entrou na novela Carinhoso, em 1973, e nunca saiu da memória do fã brasileiro. Encerrar com Your Song, no frio de cerca de 18 °C, foi o desfecho óbvio e ainda assim o mais alto. O público cantou a música inteira. Elton reclamou do vento mais de uma vez (“está muito frio”) e mesmo assim ficou até o fim.

Para Roberto Medina, a escolha do festival como palco único na América do Sul para Elton John resume o que o Rock in Rio tenta vender desde 1985, segundo a sua ótica: várias gerações no mesmo chão. Famílias inteiras, óculos extravagantes, gente que veio de longe só por essa data. Josilda Souza, 62 anos, assistente cerimonialista do Espírito Santo, pegou ônibus sozinha, se hospedou na casa de uma amiga e cumpriu a quinta visita ao festival. Quando soube que Elton viria no “dia do pop”, comprou o ingresso.

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O restante do dia ficou a serviço dessa mesma lógica de encontro, só que em doses menores. No Palco Mundo, Gilberto Gil, aos 84 anos e em turnê de despedida, revisitou Andar com Fé, Toda Menina Baiana e Aquele Abraço, lembrou a estreia do festival em 1985 e deixou no ar a possibilidade de não voltar — a plateia respondeu com um “não” coletivo. Antes, Jon Batiste misturou jazz, gospel e samba, chamou Nêgah Santos para Mas Que Nada e colocou a bailarina Ingrid Silva no palco. A abertura ficou com Luísa Sonza e Roberto Menescal, num cruzamento de pop, funk e bossa que passou por Doce Mentira, Chico, Samba de Verão e fechou em Dona Aranha e Telefone.

No Palco Sunset, Laufey encerrou com jazz contemporâneo e cantou em português Perdido de Amor, de Luiz Bonfá. Péricles fez um set só baseado nos clássicos da Motown, de terno risca-de-giz, com arranjos de Maurício Piassarollo. O Roupa Nova voltou ao festival depois de 35 anos, chamou Guilherme Arantes ao piano para Cheia de Charme e Lindo Balão Azul e ainda tocou o tema do próprio Rock in Rio. Vanessa da Mata abriu a tarde celebrando 20 anos de carreira com Rubel em Ainda Bem, Medo Bobo e Carta de Maria. No New Dance Order, Fatboy Slim segurou a madrugada com os clássicos de pista; Max Styler, Leo Janeiro com Simo Not Simon e Aline Rocha abriram o caminho.

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A primeira semana de Rock in Rio termina com uma “dívida quitada”. Elton queria se despedir do público brasileiro e não conseguiu com a sua turnê do adeus. Mas agora, fazendo shows esporádicos enquanto aproveita dias mais tranquilos, encontrou no Palco Mundo a oportunidade perfeita de se “redimir” e enfim tocar para um público que gosta tanto de sua música.

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