Um protótipo jogável de Project Dream, o RPG da Rare que se tornaria Banjo-Kazooie, vazou depois de 30 anos
Protótipo jogável de Project Dream, RPG da Rare que virou Banjo-Kazooie, vaza após mais de 30 anos e revela seu estágio no Super Nintendo.
Um protótipo jogável de Project Dream, o RPG cancelado da Rare para Super Nintendo que depois se tornaria o Banjo-Kazooie que conhecemos, vazou na internet depois de mais de 30 anos. Pela primeira vez podemos conferir o game não apenas via foto de revista antiga ou por vídeos antigos: a ROM está circulando e dá para ver o menino Edson andando por uma selva pré-renderizada que lembra demais o visual de Donkey Kong Country, já que compartilham tecnologias.
A notícia explodiu nesta quarta (9), depois que um usuário anônimo do Internet Archive, com o apelido FvckAsha&Phil, publicou o que descreveu como um “alpha de prova de conceito” do Super Nintendo. No Japão, o pesquisador @yoshinokentarou, especialista em trazer notícias desta natureza no X, foi um dos primeiros a trazer o assunto para o circuito de preservação, apontando que até agora o jogo só existia em materiais internos, prints e vídeos oficiais. Um dump jogável do pouco que pode ser jogado deste game, é inédito.
No vídeo, vemos um garoto de cabelo vermelho, camisa verde e espada na mão descendo uma ponte de madeira no meio da floresta, atravessando raízes enormes e entrando numa área alagada com reflexo verde na água. O game usa o mesmo famoso ACM de Donkey Kong Country, a tecnologia da Rare que transformava figuras 3D em sprites compatíveis com o Super Nintendo.
Nem Rare e nem Microsoft confirmaram oficialmente que esta ROM específica é autêntica. Mesmo assim, dois nomes que trabalharam no projeto pesaram a favor de cravar a veracidade do que apareceu. O compositor Grant Kirkhope disse que o material “parece real” e pediu a opinião de David Wise, responsável pela trilha desta fase de Super Nintendo. Wise respondeu que, apesar do tempo — “um milênio atrás”, nas palavras dele —, o que viu também lhe parece autêntico.
O que dá para jogar neste pedaço de jogo
Quem já testou o arquivo descreve um build bem inicial, feito para provar que a ideia cabia no antigo hardware de 16-bits. Há uma tela de título e quatro áreas. Dá para andar, correr, atacar um tipo de inimigo e trocar entre espada e graveto. O botão Select passa de fase até o ciclo recomeçar. Um segundo controle ainda permite assumir os inimigos. Não há nenhuma história, inventário ou mapa, é só laboratório, como algumas ROMs de teste de projetos caseiros que pipocam pela Internet hoje em dia.
Ainda assim, o cenário chama atenção, especialmente por quem viu o jogo em revistas antigas. A selva usa sprites pré-renderizados no mesmo espírito de Donkey Kong Country, com folhagem densa, troncos torcidos e uma ponte de cipó. Parece até um hack dos jogos dos gorilas feitos pela Rare, mas o formato de câmera é ligeiramente diferente, puxando mais para algo do estilo Killer Instinct.
De RPG de pirata no Super Nintendo a urso no Nintendo 64
Project Dream era o codinome de Dream: Land of Giants. No meio dos anos 1990, depois do sucesso de Donkey Kong Country, a Rare tentou um RPG isométrico no Super Nintendo. O protagonista era Edson (em algumas fontes antigas aparece como Edison), um menino acompanhado do cão Dinger. A trama envolvia piratas, o vilão Capitão Blackeye e um mundo com criaturas gigantes. A Rare chegou a trabalhar cerca de 16 meses nessa linha antes de concluir que o Super Nintendo não aguentaria o processo, sem contar que a vida útil do console também estava perto do fim.
Assim, o projeto migrou para o Nintendo 64. Continuou um tempo como RPG de ação com maiores possibilidades, mas depois encolheu e mudou de gênero. Edson saiu, dando lugar para Banjo. Em 1998, enfim, saiu Banjo-Kazooie. O pirata Blackeye sobreviveu em cameos no primeiro jogo e em Banjo-Tooie, reclamando que um urso lhe roubou a glória, uma piada interna da Rare do Velho Testamento.
Em 2015 a própria Rare mostrou pedaços oficiais do game no vídeo Rare Revealed: A Rare Look at Dream, ligado ao lançamento de Rare Replay. Tim Stamper também confirmou naquela época que guardava um protótipo. O que faltava, para o circuito de preservação, era um dump que qualquer um pudesse abrir no emulador e vasculhar. É isso que apareceu agora.
Por que o vazamento saiu agora
O uploader escreveu que ficou anos com o arquivo, que o recebeu “de alguém que recebeu de alguém” e que não pretende contar a cadeia completa para não encrencar terceiros. A justificativa pública mistura paixão pela preservação e um pouco de protesto: segundo o texto no Archive, a decisão veio do modo como a Microsoft tem tratado a Rare e outras equipes do grupo. O apelido escolhido (FvckAsha&Phil) aponta para a atual CEO do Xbox, Asha Sharma, e para Phil Spencer. O mesmo texto cita o desejo de que outros dumps saiam, e menciona o protótipo de Twelve Tales: Conker 64, que o autor diz existir em alguma coleção, mas não ter.
Agora, a ROM, partindo do princípio de que é legítima, circula como material histórico de um jogo cancelado, não como produto à venda. Rare e Nintendo nunca lançaram o Project Dream. Baixar e distribuir o arquivo continua em zona cinzenta de direitos, que poderão ter desdobramentos futuros.
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- Lançamento
- 29 de junho de 1998
- Desenvolvedora
- Rare
- Publicadora
- Nintendo
- Gênero
- Plataforma




